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Pisadela ao tigre

 

Jose María de Loma
07/11/2019

No PP há alarmes pelo facto de que Vox pudesse superá-los na Espanha esvaziada. Províncias pequenas nas que se escolhem poucos deputados, dos que um deles poderia ir ao bolso de Abascal. Palencia, Burgos, Teruel, Ávila, Soria, Segovia, Huesca, etc. Circunscrições que enviam ao Congresso três ou ao sumo quatro representantes.

À Espanha esvaziada os mais punks a chamam Laponia e o conceito, do qual não gosto, é uma variação para mal da Espanha vazia, expressão cunhada pelo escritor Sergio del Molino, que faz muito tempo publicou um livro-crónica com esse título. E criou um género.

Logo dizem que para que servem os escritores. Para convidá-los a jantar e que dêem "fuste" ou excentricidade a um jantar, sim, mas também para inventar termos, slogans, ideias, conceitos, bordões mesmo. Agora toda a gente fala da Espanha vazia, que ao parvo tem milhões de habitantes. Para que servem os escritores. O coloco no Google. Assim, á maluco. E de entre os resultados sai um artigo de García Márquez do ano 93 intitulado assim. E diz, a propósito de um congresso de intelectuais em França que foi muito criticado, por sumptuoso, pela imprensa estado-unidense:

«Nunca tenho visto nada de reprovável em que escritores, artistas e cientistas usufruam da boa vida que os burgueses têm tomado para eles sós». Eu também pouco, a verdade. Onde vai a parar sentar-te a escrever o grande romance que revolucione o idioma, as crenças e os cânones da literatura universal morto de fome, podendolo fazer depois de degustar umas ostras e um lombo bem regado com um Chateâu Latour.

Volto ao meu não vá a ser que vire um "golfo" nos interneses e penso, Espanha tal, que urge um ensaio intitulado Espanha cheia, que se eu, uma narração viajante por Valência, Barcelona, Málaga, Madrid, Zaragoza, urbes que anseiam ser descritas, certamente, e onde se jogam uma morterá de assentos parlamentares. Nessas tem-se concentrado Errejón, por exemplo, que ontem deu um comício em Málaga quase, quase à mesma hora que Pedro Sánchez, que atuava poucos quilómetros mais além, em Torremolinos.

Tão pouco confiam os de Sánchez no PSOE andaluz (Susana Díaz) que os federais, desde Madrid, fizeram centenas de chamadas nas vésperas a militantes da zona instando'ls-informando'ls para que viessem. A errejonidad ou errejonismo  está a gastar uma massa importante em grandes meios de comunicação. Ontem moía com a incitação «não pude estar no debate mas aqui explico-te as minhas propostas». Ignoro se terá alguma em relação a escritores. No debate, daa segunda-feira, não teve nenhuma.

Não deixa de ser paradoxal que os escritores de programas não incluam nos programas propostas sobre os escritores. Deve ser uma associação má vista ou pouco corporativa que toda a empatia que chega a destilar é esse clássico de se me leres, leio-te.

Aos que quase lhes dá uma coisinha má ao ler as declarações de Sánchez sobre Puigdemont foi ao fiscais. Eu não sei a verdade este homem para que se mete em nada, zangar aos fiscais, boa ocorrência, não pode zangar aos cozinheiros, alvanéis, filatélicos ou escritores, sim, mas zangar fiscais é como dar-lhe um pisadela a um tigre dormido. Pior mesmo, o tigre não te mete na cadeia, se bem é dado a meter-te em seu estômago.

Sánchez deu a entender, numa entrevista em RNE, que podia trazer o Puigdemont à Espanha para ser julgado, logo de que o juiz Llarena tenha reativado a ordem, mas isso depende da Procuradoria e da Justiça belga. É de primeiro de separação de poderes, ouça. Mas estamos em campanha e estas coisas se prometem. O que Sánchez quer é atrair votos, não trazer a Puigdemont. Votos do asa moderada, do banco de pesca de Ciudadanos. Está escrito.