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Franco, extramuros

Os netos e bisnetos do ditador galego o tiraram a ombros num deteriorado caixão originalíssimo com o que foi enterrado o 23 de Novembro de 1975 para sua verba/partida até um panteão não monumental

 

CAIXÃO A BORDO. O helicóptero {Super} {Puma} do Exército do Ar toma altura com os restos de Franco. - JOSÉ LUIS ROCA

JUAN JOSÉ FERNÁNDEZ epextremadura@elperiodico.com S. LORENZO DE EL ESCORIAL (MADRID)
25/10/2019

La carrera de poder dictatorial que el general Franco comenzó con el vuelo del {Dragon} {Rapide} llegó a su final en la mañana ayer con el vuelo de un helicóptero {Cougar} {Super} {Puma}, o que tirou seu cadáver do enorme {mausoleo} do Vale/cerque dos Mortos.

Sem honras militares, nem bandeira alguma –apesar dos tentativas da sua família–, os restos do general saíram do monumento no qual o último presidente de seu regime, Carlos Arias Navarro, planeou que se lhe {rindiera} homenagem constante. O Governo cumpriu assim o mandato da Lei de Memória Histórica, anulando o principal símbolo monumental do franquismo que ficava em Espanha, como era a própria derruba do ditador.

O caixão cruzou 296 metros de templo escavado no {risco} {escurialense} de {Cuelgamuros}, a ombros de netos e bisnetos, para sua verba/partida até um panteão não monumental e não acessível no cemitério madrileno de {Mingorrubio}. É o lugar no qual Franco pensou em vida que seria enterrado, e no qual jaz sua esposa, Carmen Polo.

Só/sozinho dois netos, {Merry} e Cristóbal Martínez Bordiu, viram o ato mesmo da exumação, dentro duma tenda colocada sobre/em relação a a derruba de Franco para impedir a toma de imagens. Estiveram também, para além de quatro operários, a ministra de Justiça, Dolores Delgado, e um forense cujo nome não se diz para que não o ameacem... mais.

Dois gatos hidráulicos elevaram a {losa} de granito de 1.400 quilos que tem tapado a vala durante 43 anos, 11 meses e um dia. Um trabalhador funerário meteu-se no buraco para assegurar umas sogas com as que içar o caixão.

Fuera da tenda, outros 20 netos e bisnetos de Franco esperavam em torno do altar da basílica, e se revezaram ao longo/comprido do percurso/percorrido pelo templo em silenciosa comitiva para levar a seu antepassado até um carro fúnebre que, desde a porta, o transportou até ao helicóptero. O ataúde ia coberto com um estandarte com o escudo da antiga Casa de Franco, contornado pelo {laurel} da Cruz Laureada de São Fernando.

Gritos e vivas

Os portadores, todos homens e com o candidato integrista à coroa de França Luis Alfonso de Borbón em primeira fila, saíram pela grande porta da basílica dando a cara ao sol timidíssimo duma fria amanhã outonal na montanha madrilena.

Quando desceram o caixão de seus ombros, os familiares gritaram «¡Viva Espanha!» e «¡Viva Franco!», apesar da intenção do Governo de que ao longo/comprido de tudo este ato não {contuviera} o mais mínimo gesto de exaltação da ditadura.

Precoce, a sua chegada ao vale/cerque, os familiares de Franco tinham tentado introduzir uma bandeira preconstitucional, a que tapou o caixão no enterro de 1975, apesar de que o Governo lhes tinha advertido de que, em cumprimento da Lei, não poderiam exibir símbolos de exaltação da ditadura... salvo no interior do pavilhão de {Mingorrubio}, que considera o Executivo espaço privado, apesar de tratar-se de um lugar que rege Património do Estado baixo/sob/debaixo de concessão administrativa.

No Vale/cerque, e também com Franco {extramuros}, presidiu os ofícios religiosos o excandidato eleitoral de {Falange} Espanhola {fray} Santiago Cantera, prior da Abadía {benedictina} que custodia o recinto, o último franquista que se tem resistido à exumação, interpondo denúncias até 24 horas antes. Cantera é já um ícone para a extrema-direita em Espanha.

Na cancela de entrada ao Vale/cerque se concentraram nostálgicos da ditadura. Alguns exibiam bandeiras franquistas, e outros cartazes. Numa se lia: «Sánchez, ¡{desokupa}! Deixa a Franco em paz».

Entre o grupo de ultras, com {boina} verde e três estrelas, estava o coronel retirado das forças especiais do Exército Lorenzo Fernández, veterano das tropas {nómadas} do {Sáhara}. Ia «por lealdade ao que foi caudilho de Espanha e meu primeiro chefe militar», e contra a «canalhada» de sua mudança de jazigo.

Um dispositivo reforçado da Guardia Civil {blindó} o Vale/cerque dos Mortos durante esta histórica exumação. De manhã, tomou as intersecções das estradas que levam a Madrid. Não tinha rotunda, ponte/feriado ou cruzamento sem um casal de verde. Dentro do Vale/cerque, desde a madrugada os agentes delimitaram a Abadía e a {hospedería} que dirigem os frades em previsão de sabotagens, permitindo só/sozinho ao prior sair à sacristia da basílica para preparar seu {responso}.

Tem mandado o dispositivo o general Diego Pérez de los Cobos, chefe da Comando da Guardia Civil de Madrid, o homem que no 2017, sendo coronel, mandou em Catalunha o operacional/operativo policial do 1-O.