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España se faz maior e {exhuma} por fim a Franco

El cadáver do ditador deixa de estar enterrado com honras junto a suas vítimas após quase 44 anos. A guerra civil entra em cheio na campanha eleitoral com o PSOE {abanderando} a iniciativa

 

À esquerda, o momento da saída do caixão do ditador Franco da basílica do Vale/cerque dos Mortos a ombros de seus familiares. Em cima, uma mulher divisa o {mausoleo} franquista com uma bandeira republicana. À direita, a - EFE / EMILIO NARANJO

A a esquerda, o momento da saída do caixão do ditador Franco da basílica do Vale/cerque dos Mortos a ombros de seus familiares. Em cima, uma mulher divisa o {mausoleo} franquista com uma bandeira republicana. À direita, a mini - EFE / EMILIO NARANJO

J. R. SIERRA / J. J. FERNÁNDEZ epextremadura@elperiodico.com MADRID
25/10/2019

LAS IMÁGENES

El cadáver de Francisco Franco deixou ontem de estar enterrado junto a suas vítimas, numa basílica dedicada a sua vitória na guerra civil, e começou a ocupar uma derruba muito mais modesta num cemitério particular, ao lado de sua esposa. Têm tido que passar quase 44 anos para chegar até ao momento no qual o caixão deixou sua antiga vala no Vale/cerque dos Mortos, fechando assim uma anomalia da democracia espanhola, na qual o cadáver de um ditador podia estar enterrado com todas os honras, baixo/sob/debaixo de uma cruz de 150 metros e ao lado de mais de 30.000 corpos de ambos bandos, na considerada como maior vala comum de España.

O que nenhum outro Governo quis ou pôde fazer, por diferentes motivos, aconteceu com um Executivo socialista em funções, a pouco/bocado mais de duas semanas das eleições.

A exumação foi rápida, começou às 10.30 e acabou perto de as 13.00, com dois netos presentes junto à ministra de Justiça, Dolores Delgado; outros dois cargos do Executivo, operários duma funerária e um forense, no começo duma jornada histórica que não esteve isenta de momentos tensos, mas sem incidentes graves.

O ENALTECIMENTO / El Governo em funções tinha procurado que a cerimónia fosse sóbria, consciente da enorme simbologia do momento e da força da iniciativa, a de maior alcance internacional levada a cabo por Pedro Sánchez. El dispositivo esteve desenhado ao milímetro, depois de/após um longo/comprido processo que começou nada mais chegar o líder socialista à Moncloa, em Junho do ano passado, e que foi atrasando pela oposição/concurso público dos netos do ditador, até que o Tribunal Supremo deu a razão em tudo ao Executivo em finais de setembro, permitindo, por fim, que Franco {abandonara} seu «derruba de Estado».

Após tudo este tempo de confrontos com a família, o Governo quis fazer alguma concessão, permitindo que transportassem a ombros o caixão, que depois foi transferido por um helicóptero até ao pequeno cemitério de {Mingorrubio}, em El Pardo (Madrid). Mas os netos, derrotados, esticaram a corda até ao fim. Trataram de introduzir clandestinamente no recinto uma bandeira preconstitucional, algo que proíbe a lei de memória histórica. Forçaram que o ditador {saliera} de seu derruba original num ataúde mais que deteriorado, apesar do risco que supunha. E gritaram «¡viva Franco!» quando carregavam com o cadáver.

El Executivo retirou ferro a estes incidentes, sublinhando que a exumação se tinha levado a cabo sem bandeira nem honras. Na Moncloa preocupava especialmente as manifestações de nostálgicos do regime, e as teve, sobretudo em {Mingorrubio}, mas estas não foram mais além do ruído, com cânticos de Face o sol e o aparecimento do golpista Antonio Tejero. Seu filho, Ramón, padre, foi o escolhido pelos netos do ditador para oficiar a missa em sua nova derruba, junto ao prior do Vale/cerque dos Mortos, Santiago Cantera, que também tentou impedir a exumação até ao fim. Um lembrança da proximidade da Igreja de antanho com Franco.

A «{AFRENTA} MORAL» / Entre críticas de «eleitoralismo» por parte da oposição/concurso público, Sánchez tardou pouco/bocado em sair desde a Moncloa. Apenas uma hora depois de/após que o helicóptero {aterrizara}, o presidente falou durante seis minutos e não admitiu perguntas. «Hoy España cumpre consigo mesma. Hoy se põe fim a uma {afrenta} moral: o enaltecimento da figura de um ditador num espaço público», disse.

Mais importante que a avaliação da medida foi que Sánchez comprometeu-se a impulsionar, se é reeleito, a abertura de valas comuns da guerra civil, outra das grandes anomalias de España, só/sozinho superada por {Camboya} em número de desaparecidos. «É uma aberração que devemos enfrentar. Por justiça e dignidade. Mas, sobretudo, por pura humanidade», assinalou.

A memória histórica entra assim em cheio na campanha eleitoral, com o PSOE {abanderando} a iniciativa, Podemos queixando's de que Franco se tenha exumado agora e não después dos eleições, o PP e Ciudadanos de perfil (sem apoiar nem condenar claramente o transferência do ditador) e {Vox} acusando ao Governo de «profanação». Este é um contexto cómodo para Sánchez, mas a crise em Catalunha ocupa um papel muito mais relevante/preponderante e os socialistas não acreditam que a exumação, por muito histórica que seja, vá a ter um grande efeito {movilizador}.