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Dar votos, polir votos

 

Antón Losada
25/10/2019

Nestes tempos de comunicação política {colonizados} pela obsessão de apelar aos símbolos e aos sentimentos para mobilizar aos votantes, antes que às políticas ou as ideias, descontar as consequências eleitorais da exumação do ditador se antoja um desporto de alto risco. Subida imaginar um assunto mais simbólico ou sentimental que tirar a Franco del Valle de los Caídos. Vai ter impacto e será potente. Basta com fixar-se na gestão que estão a fazer todos os competidores nas eleições do 10-N. Eles sabem que vai a dar e retirar votos.

Os eleitores de esquerda apoiam massivamente a exumação. Os socialistas vêem o galhardete de {enganche} que dê aos progressistas {desencantados} com o fiasco de Abril a desculpa que necessitam para ir às urnas. Daí uma encenação com ares de superprodução e moralidade final de Pedro Sánchez. Em Podemos temem o efeito {polarizador} na esquerda e denunciam eleitoralismo procurando semear em os seus votantes a suspeita de que Sánchez quer seus votos, mas pactuará com a direita no dia seguinte.

Na direita, enfrentados ao risco de um assunto que divide a seus bases e a competência de um {Vox} que procura sem complexos a aqueles que vivem a exumação como uma traição, os populares têm optado por evitar o assunto para tirá-lo da agenda tão cedo quanto possível e evitar cometer algum erro que atrase a volta a casa dos seus, anunciada pela {demoscopia}. Enquanto, em Ciudadanos, depende do dia e a quem lhe {preguntes}, noutro exemplo da estratégia ambulante de um jogo/partido que vê como se lhe vão os votantes por fazer e dizer aquilo que antes os trazia.

O impacto eleitoral é seguro. Questão diferente será o aproveitamento que uns e outros façam para {maximizar} seu alcance.

Exumar a Franco pode ativar aos votantes progressistas, mas se o resto da campanha socialista deixa aberta a opção de governar graças a acordos com a direita, ou sementeira/semeia mais dúvidas sobre/em relação a a possibilidade de um pacto de esquerdas, o efeito pode dissipar-se; especialmente se a fatiga que as sondagens adjudicam ao PSOE se deve à desconfiança de aqueles que apoiaram em Abril um Governo de esquerdas e agora se lhes pede o voto para sair do bloqueio, já se verá com quem.

Tirar a Franco da agenda da campanha resulta muito racional para Pablo Casado, mas não para um eleitor de direitas que queira expressar seu mal-estar e tenha encontrado a razão que lhe faltava para votar de novo a Santiago Abascal.

A atenção do votante

A comunicação política exige disciplina e perseverança para o êxito. Não basta com chamar à atenção do votante, logo há reterlo. As eleições se parecem bastante a um combate de karaté. Temos de aproveitar teus golpes bons e aprender a voltar em seu contra a força do adversário. O secreto do êxito o revelou o sábio Senhor {Miyagi} em {Karate} {Kid}: dar cera com a direita, polir cera com a esquerda e não esquecer-se de respirar. A exumação dará votos, se se sabem polir.