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«O ‘{trans}’ deve interpretá-lo quem melhor possa fazê-lo»

 

«O ‘{trans}’ deve interpretá-lo quem melhor possa fazê-lo» - {NETFLIX}&{lt};{br}/&{gt};

MARISA DE DIOS epextremadura@elperiodico.com MADRID
27/10/2019

Para Paco León ({Sevilla}, 1974), o de trabalhamos/trabalhámos com a família não é nada novo. Fê-lo com a sua mãe e sua irmã na sua primeira filme como diretor, Carmina ou rebenta, e sua sequela, Carmina e amém, e com a sua mulher, com a que criou a série Arde Madrid. O que já não se esperava é que fora a repetir com María fazendo de irmãs em A casa das flores, cuja segunda época acaba de chegar a {Netflix}. «Foi um {gustazo} trabalhamos/trabalhámos juntas», brinca, utilizando o plural feminino.

—Na série, sua família política mexicana, os Da Moura, é um verdadeiro caos, mas a espanhola não fica curta.

—Sim, o personagem de minha irmã, Purificación, é bastante demolidor. É muito disparatado, desequilibrado e difícil de fazer. Quando o lia pensava: ¡Isto é uma loucura! María lhe deu muita verdade.

—¿Como foi trabalhamos/trabalhámos com ela?

—Me tem servido para descobrir a María como uma atriz já feita, não de jovem que começa como quando {rodamos} Carmina ou rebenta. Se lhe nota muito calo. À parte, foi um {gustazo} trabalhamos/trabalhámos juntas e me tem ajudado a enfrentar algumas sequências que não sabia como fazer. Nos temos rido muito e também houve momentos absurdos, as duas vestidas iguais. Por isso foi como muito estranho...

—¿É certo que aceitou seu papel em ‘A casa das flores’ sem saber que ia fazer de mulher?

—Conheci ao criador, Manolo Caro, numa festa e {comentamos} que tínhamos vontade de trabalhamos/trabalhámos juntos. E me propôs: «¿Se te escrevo algo para a série que estou fazendo para {Netflix} te {vienes}?». Eu disse-lhe que adoraria, se não era algo muito longo/comprido, porque tinha muito trabalho em Espanha. ¡E o personagem que ia ser um {cameo} leva já três épocas! Por isso não sabia que faria de mulher e, quando me o disse, já era demasiado tarde para arredar pé.

—Diz três épocas porque, embora acaba-se de estrear a segunda, já têm filmado a seguinte.

—Sim, e acredito/acho que será a última.

—¿Como gostaria de que acabasse María José? ¿Voltando com sua ex-mulher, {Paulina} da Moura?

—¡Eu já sei o final! E tivesse facto/feito o mesmo. Estou muito contente/satisfeito com o final, que é muito louco.

—¿Acredita que Caro lhe contratou porque tinha visto suas imitações femininas em ‘{Homo} {zapping}’?

—Suponho que sim e que pensou que não tinha problemas com a caracterização. Embora o personagem e o tom não tem nada a ver com as de {Homo} {zapping}.

—Antes de que se estreasse a série teve polémica porque se criticou que um homem fizesse o papel de transexual, e não uma atriz ‘{trans}’. Você mesmo chegou a dizer que «não voltaria a aceitar um papel de mulher ‘{trans}’». Mas fez mais épocas.

—E o continuo/sigo dizendo, porque não gosto repetir-me em papéis tão concretos. Acredito/acho que o personagem de María José tem servido para justo o que se queria, que era normalizar e apresentar um modelo positivo de mulher {trans}, que é a única cabal da série.

—Até os {Javis} apresentam esse debate em ‘Paquita Salas’.

—Na série, os {Javis} falam do que lhe passou a {Scarlett} {Johansson}. Me parece que estamos numa onda de correção política bastante perigosa e a autocensura não deve confundir-se com as reivindicações. Me parece bem que os coletivos reivindiquem, porque têm seus motivos, mas o artista tem que ser livre para criar.

—Se tivesse que fazer uma série com um personagem ‘{trans}’, ¿escolheria a uma atriz desse coletivo?

—Depende do papel e da série. Às vezes, um {panadero} não é o melhor para fazer um personagem de {panadero}. Certamente, por seu contexto, eu me sinto mais próximo a María José que qualquer {trans}, ao tratar-se de um advogado que, aos 40 anos, tendo filho e esposa, decide {transicionar} a mulher. Porque o personagem não é só/sozinho sua transexualidade, mas há mais coisas. O diretor sempre tem que ter a liberdade de escolher ao intérprete que lhe venha melhor. O importante é que tenha papéis e personagens {trans} e que estejam bem tratados e contados. E que os interprete quem melhor o faça.

—¿Como gostaria de que as pessoas {recordara} a seu personagem?

—Como uma senhora, com dignidade. Como dona María José.

—Verónica Castro, a {matriarca} da série, deixou de atuar por «estar esgotada de tanto/golo mau». ¿Deixaria de atuar por algo?

—Por uma doença, por dirigir... Mas não está em meus planos deixar de atuar nunca. Eu passo de reformar-me, me parece um quebra muito grande.

—Apesar do êxito, não fará segunda época de ‘Arde Madrid’. ¿Lhe tentaram muito para seguir/continuar?

—¡Claro! De facto, estávamos preparando a segunda época e vimos claro que não devíamos seguir/continuar. Porque estávamos prolongando-la por corresponder a esse êxito, à cadeia, aos fãs... mas na verdade já estávamos satisfeitos {creativamente}.

—Não seria uma decisão fácil.

—Nos custou muitíssimo. Nunca se sabe o que é adequado, mas sim o honesto e o que te pede o corpo e o coração. E nós fizemos caso ao que sentiamos.

—¿Recomenda trabalhamos/trabalhámos em família, como fez você?

—Sim, mas toda a gente sabe que trabalhamos/trabalhámos com teu casal/par é especialmente duro e complicado, embora tenha suas coisas boas.

—Sua filha já tem 9 anos. ¿Gostaria de que seguisse/continuasse seus passos?

–Não me estranharia, mas também não adoraria. Esta é uma da profissões mais bonitas se {trabajas}, mas mais complicadas se não {trabajas}, que é o mais normal/simples.

—¿Lhe incomoda a popularidade?

—São circunstâncias que te toca viver e melhor usufruí-las que sofrer-les.

—Prefere ver o copo meio cheio. ¿Se considera otimista?

—Quando me {cruzo}, faço um esforço por positivar. Não por {hippy} nem por sábio, mas por prático.