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Uma {hostia} na Lua

A face mais prosaica duma odisseia que cumpre meio século: a tupperware

 

Cozinha de Cabo Cañaveral, onde se preparavam os menus das missões espaciais. - NASA

CARLES COLS
01/07/2019

Cuenta atrás para o 50º aniversário dos primeiros passos na Lua. Será o próximo 20 de Julho, embora na Europa já era 21. Se o propósito nesta primeira crónica {lunática} fora {recordar} o épico do momento, o natural seria imitar a voz de {Jack} {King}, o {Constantino} Romero de la NASA, a Voz do {Apollo}, «{nine}, {eight}, {seven}…», mas a intenção é outra, pôr o foco na face mais prosaica daquela odisseia espacial, e que mais lógico, tratando-se duma excursão como aquela, que começar por um revisão à tupperware. ¿Que leva-se um se vai à Lua? Ainda mais, ¿qual foi a primeira {pitanza} consumida em chão lunar a bordo do {Eagle}? A esta última pergunta, uma resposta já. Foi uma {hostia}, acompanhada de umas gotas de vinho. Vinham ambas coisas consagradas desde a Terra. Coisas de {Buzz} {Aldrin}. Não estava no menu programado pela agência espacial. O primeiro {ágape} previsto consistia nuns {daditos} de {bacón} e umas bolachas, mas as missões {Apolo} foram a miúdo um 10% surpresas e improvisação.

Boa parte do que aqui se contará (como a existência da apenas conhecida {constelación} de {Urion}, com ou) temos de {agradecérselo} ao engenheiro e {notabilísimo} especialista na corrida/curso espacial Rafael Clemente, autor de um livro que narra sem desperdício algum a face visível e a oculta da corrida/curso espacial.

A {despensa} do {Apollo} 11, embora em missões posteriores melhorou progressivamente, não era o insosso e repetitivo menu em tubo de massa de dentes que detestava Felipe, amigo de {Mafalda}, numa das vinhetas de {Quino}. Protestava perante o espelho, subido num {taburete}, aborrecido de comer cada dias {pechuga} de {pavita} com {champiñones}, e o lógico era que o leitor se {extrañara} de que a dieta espacial fora tão sofisticada. Não ia {desencaminado} {Quino}. Naquele primeiro viagem à Lua, para além dos {daditos} de toucinho, a tripulação tinha à mão de semear estufado de {buey}, sopa de frango, {pavo} com molho, bolo de tâmaras, frutos secos, barras de rebuçado, pêssego, pão e sumos vários, entre eles de ananás e toronja e de uva e laranja. Também café.

A melhor comida/almoço

«¿Sabe onde servem as melhores refeições da Armada dos Estados Unidos?», pergunta Clemente. A resposta a sabe ele, claro. «Nos submarinos». O almoço tem algo de terapêutico e, que se não é um foguete lunar, um submarino no espaço. Assim se entende que com os anos a {alacena} partisse mesmo com salada de {langosta}.

Com tudo, a hora da comida/almoço a bordo não era nas primeiras missões da NASA um festim daqueles que entram pelos olhos. Por questões de peso, as refeições ingressavam a bordo desidratadas. Cozinhá-la, ou seja, reidratar-les, requeria {echar} mão das pilhas de combustão da nave. A energia para as equipas elétricas se obtinha com uma combinação de oxigénio e hidrogénio que, ¡{oh} fortuna!, produzia água como resíduo. Assim se {rehidrataban} o estufado ou se servia o café.

Parece fácil. Não o foi. As missões espaciais foram a miúdo um lento processo de tentativa e erro. A água era ao início {burbujeante}. Segundo conta Clemente em seu último livro, Um pequeno passo para (um) homem, aquilo ocasionava sérias {incomodidadas} {gástricas}, talvez, quem sabe, {flatulencias}, um {problemón} {mayúsculo}, não fora que acontecesse, embora por outras razões, o que lhe passou ao {cosmonauta} soviético {Alekséi} {Leonov}, que saiu de sua nave para realizar um passeio espacial e, por razões pouco/bocado claras, seu trouxe se inchou. Quando tratou de regressar não passava pela escotilha. Improvisou uma arriscada operação de {despresurización} do trouxe e pôde regressar com os seus companheiros.

O dito ao início, as surpresas e as improvisações não foram poucas. Antes de chegar a a missa de {Aldrin}, merece muito a pena resgatar a inaudita ocorrência de John Young.

Aos astronautas da NASA não lhes revistavam antes de empreender a viagem, por isso Young meteu num de seus bolsos um {sándwich} de carne. Já no espaço, para pasmo de seu colega {Virgil} {Grissom}, o tirou como se aquilo fora uma criancice e lhe ofereceu um dentada. No centro de comando se {enfurecieron}. As miolos em {ingravidez} podiam danificar alguma equipa. Foi um episódio tão soado que uma cópia/copia daquele {emparedado}, conservada em metacrilato, se exibe num museu próximo a {Indianápolis} em memória de {Grissom}, falecido no {Apollo} 1.

o {cáliz} de prata

A questão é que com o {Eagle} já {alunizado}, {Aldrin} abriu o bolso situado na parte alta do coxa e tirou um minúsculo {cáliz} de prata, uma via médico cheio de vinho e uma obreia de pão. O teclado do computador fez as vezes de altar. {Neil} {Armstrong}, como homem de gelo que era, permaneceu calado.

Antes de despedir esta primeira crónica {lunática}, toca cumprir com a palavra. {Urión}. Os menus espaciais se concebiam para que gerassem o mínimo número de resíduos. O {pavo} vinha {deshuesado}. Lógico. Mas outra questão eram os resíduos que gera o corpo humano. Para não {indigestarle} a ninguém esta leitura, melhor não entrar em excessivos detalhes sobre/em relação a o {zurullo} {ingrávido} do {Apollo} 10, do qual nenhum dos três astronautas a bordo, {Cernan}, {Stafford} e {Youg}, admitiam a paternidade. A cómica conversa que mantiveram sobre/em relação a a questão levou o selo de «confidencial» durante um tempo. Por isso talvez seja melhor contar só/sozinho uma curiosidade sobre/em relação a {micciones}.

A urina se expulsava da nave através de um conduto. Quando saía ao exterior se congelava. Aquele gelo acompanhava um bocado à nave. Desde as escotilhas se podia ver o brilho desses vidros como umas estrelas mais no firmamento. A alguém se ocorreu-lhe batizar aquilo como a {constelación} de {Urión}. Assim se a chama ainda.