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Uma cineasta fuera do guião

 

Uma cineasta fuera do guião - FRANCIS VILLEGAS

POR GEMA GUERRA
26/10/2019

María

Sánchez Testón

Acción. Um saco/sacola/bolsa digressão e digressão. Dá voltas, sem rumo. Se {mece} com o vento, acompanhada da música. «Era um desses dias nos que estava prestes a nevar e o ar está carregado de eletricidade. Essa saco/sacola/bolsa estava dançando comigo. Durante quinze minutos. É o dia no qual {descubrí} que existe vida baixo/sob/debaixo de as coisas». O cinema é isso. Conseguir que uma câmara seguindo/continuando o movimento duma simples saco/sacola/bolsa se converta numa estampa icónica. Transformar em belo o quotidiano, o simples, o banal. Os que tenham visto essa cena não voltarão a olhar um saco/sacola/bolsa da mesma maneira. María Sánchez Testón (Cáceres, 1984) também viu {American} {Beauty} na altura própria. E já não foi capaz de olhar um saco/sacola/bolsa da mesma maneira. O certo é que ela teve sempre outro olhar. Lhe vinha de série. Vive fora de guião embora viva num constante. Escreve e roda. É realizadora e guionista. Se dedica a partilhar na ecrã grande histórias que mais tarde se convertem nas histórias de outros.

María não acredita no destino por isso não tem muito claro se foi ela a que decidiu dedicar-se ao cinema ou se o cinema a escolheu a ela. «Tudo me foi levando». Sim recorda que a sua mãe a levava a ver filmes não só/sozinho infantis. Daquilo guarda um medo oficial a E.T. e uma obsessão inconsciente pelos musicais. Bebeu de todos, de Almodóvar, de Berlanga, de {Fellini} e de {Haneke}. Deles deveu herdar a cor e os olhares. Até ao momento não lhe tinha dado importância e nessa altura chegou. Foi tardio embora dizem que nunca é tarde. E se não que se o digam a Vão {Gogh}, que começou a pintar aos 27 ou {Penelope} {Fitzgerald} que escreveu seu primeiro livro aos 60. Em seu caso, estudou Comunicação Audiovisual e foi em 2010 quando conseguiu uma bolsa para estudar em Cuba. Ali sentiu que encaixavam todas suas peças. Ali lhe ensinaram que «a fazer cinema se aprende fazendo cinema». «É muito diferente ao método de Espanha, te apresentam uma pergunta e tu {creas}, te {equivocas}, te corrigem e {sigues}, tu {descubres} o caminho». E bem descobriu a cacerenha o seu porque quando regressou deu forma a seu primeiro curto, Pela flor da {canela}, um trabalho que às portas ficou do Goya. Este primeiro era um documentário que percorria as canções da violência sexista da história, o seguinte serviu de homenagem a seus avós. «Estava obcecada com fazer-lhes um filme». Assim nasceu Cefaléia. Ainda recorda a rodagem, que foi num povo/vila de Gata. «Foi surrealista». Quase tanto como o argumento: «dois avós que lutam por sua liberdade. Um neto que luta por seu amor. Um capacete que se mete no meio». O texto de Encarna viva também não fica atrás com sua carne, suas três mulheres, seu talhante e seu filho. A todos os {parió}, os chama seus filhos, no tempo que sobra. Concilia os rodagens com seu trabalho de realizadora para uma empresa de Madrid e o seu trabalho de professora num curso de guião. «{Aprovecho} as férias para filmar».

Estas últimas as tem dedicado a dar vida a {TQ}, uma fita sobre/em relação a o amor, um tema universal. «A todos nos toca». Embora não o pareça a simples vista, a cacerenha reconhece que todas as histórias que conta «são vivências pessoais». «Me {nutro} do que vejo». Nesta ocasião, este amor conta com uma particularidade, está {ambientado} na era virtual. Amor em tempos de {clic}. Assegura que é o trabalho mais ambicioso no qual se tem embarcado. «Me enfrentava a uma besta, a um dragão, não era consciente do projeto mas me {metí} em cheio, sem olhar atrás». No cinema não se pode olhar atrás. Agora já está na última fase e prestes a que veja a luz, previsivelmente a princípios de 2020. Para isso se rodeou de um elenco e de um plantel/elenco extremenho. Os selecionou com um sentido. «Queria que para além de ser bons profissionais fossem boas pessoas». Parece que o conseguiu porque se desfaz em elogios até eles e não é para menos porque até 23 horas durou o último dia dos quatro de rodagem, também em Cáceres. «É tudo tão intenso que se cria/acredite uma família, quando acaba-se tudo, te {sientes} vazio». É o que lhe ficará, vazio até que algo lhe inspire outro guião, embora agora não tem tempo para pensarlo e se consola até que chegue esse momento. «¿Onde estaremos dentro de cinco anos?» Quem sabe. Não acreditar/achar no destino é o que tem.