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Suspenso em desigualdades

 

SONIA Andolz
15/02/2020

Nenhum Estado gosta de ser chamado à atenção por alguém de {afuera} mas é absolutamente imprescindível que existam mecanismos de controlo reconhecidos e estabelecidos. Acontece com a Comissão Europeia ou com qualquer organização internacional da que Espanha seja membro. É o caso da Organização das Nações Unidas da que, a miúdo, a maioria das funções ou ações nos ficam longe e nos parecem destinadas a outros. A «outros países» porque «aqui somos um Estado industrializado, uma democracia consolidada, a {decimotercera} economia do mundo», nos dizemos. Pois bem, resulta que o {relator} especial de Nações Unidas sobre/em relação a pobreza extrema tem realizado um relatório/informe duro e exaustivo sobre/em relação a as desigualdades e focos de pobreza em Espanha.

Após 12 dias visitando o país, Philip Alston sentença que temos graves desigualdades e concentradas em coletivos muito vulneráveis. Isto já o denunciam {oenegés}, ativistas e coletivos a miúdo, mas parece que doa menos à Administração ou a aqueles que não querem ouvir. Por outro lado, que a pessoa encarregada pela ONU decida, em primeiro lugar, visitar Espanha dentro de o seu mandato sobre/em relação a pobreza extrema e, em segundo lugar, que tenha ficado tão negativamente impactado, deveria provocar reações no novo Governo.

Este toque de atenção do {relator} da ONU nos devolve a nosso sítio, que é o de um país industrializado onde as classes média/meia e alta cresceram rápida e {exponencialmente} e pode que em falso. Um país onde a crise económica se {cebó} nos mais vulneráveis, mas também nessa classe média que tinha hipotecado seu futuro acreditandolo certo. Um país onde não deixou nunca de ter ricos mas mais bem ao contrário/pelo contrário/ao invés, os ricos souberam em muitos casos tirar benefício da crise e chegaram outros ricos de outros lugares. Um país onde os cortes afogaram a muitas famílias e deixaram no desamparo a coletivos concretos: migrantes, mulheres, trabalhadores.

Os sucessivos Governos não souberam combinar respostas económicas à crise com o blindagem da cobertura social. Não temos sabido, entre todos, não afastar a vista do qual estava pior enquanto {reclamábamos} o nosso. Agora, no 2020, temos a centenas de pessoas vivendo em infrahabitações/casas/vivendas, milhares em regime de estreitamente abusivo e centenas de milhares baixo/sob/debaixo de pobreza energética. O {relator} da ONU tem apontado prioridades mas é tarefa de todos exigir que assim seja. A forma como uma sociedade trata aos mais vulneráveis a define como tal. Ser educados e respeitosos com quem vem a gastar milhares de euros em nossos comércios não é uma virtude, é interesse/juro. Sê-lo com quem sobrevive numa barraca, com quem vive uns apartamentos mais em cima e não pode pagar a luz ou mesmo com quem trabalha na limpeza dos nossos lares é indispensável mas não suficiente. Para todos eles, para todos nós, devemos priorizar as políticas públicas e assegurar que a redistribuição da riqueza alcança para, pelo menos, vidas dignas para todos. O novo Governo tem muito estreitamente que fazer.

* Professora associada da

Universidade de Barcelona