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Moncloa

Restaurante-autoservicio. Avenida Porta de Ferro s/n Madrid

 

Vista geral do autosserviço do complexo de La Moncloa. - EL PERIÓDICO

Feijões ou {judiones} estufados. - EL PERIÓDICO

FERNANDO Valbuena
11/01/2019

Tive de resistir-me. Meus amáveis anfitriões tinham na {canana} cartuchos de mais {copete}. ¡E bem que {resistí}! Muito me enalteceram as cogumelos que servem em O Cisne Azul de Chueca (e me tremeram as carnes). Mas {aguanté}. Nem a menção de um asturiano {postinero} me dobrou o ânimo. Ocasião terá de pegar/apanhar o que está à mão, mas mau seria perder a oportunidade de comer em Moncloa.

Comer em Moncloa não é comer o que come o presidente, claro está. Ou não o é em meu caso. Comer em Moncloa é comer no autosserviço de Moncloa. E, estando em palácio, essa era minha intenção. Comer ali e poder/conseguir contá-lo. A vocês, naturalmente. ¿Onde escreve você?, me perguntou uma {monclovita}. É para lerle, disse. Enquanto soube que me {atrevería} a comer na {cantina} com outros humanos {desperté} nela um especial interesse/juro. Segundo a {monclovita} ali não se come bem; prefere levar-se a comida/almoço de casa. Manifestação capaz de abater os espíritos mais ousados e que, no entanto, não causou diminui alguma minha determinação.

Moncloa são muitos palácios e centenas de {palaciegos} em permanente dança. E para eles se fez o autosserviço. Uma contrata que lhe dizem e que, evidentemente, pressagia trovoadas culinárias. Provavelmente nada a ver com o que Julio González de Buitrago cozinhava para a abelha reina. O presidente e sua família têm serviço de cozinha próprio. Das francesas de Suárez aos gaspachos de melancia de Zapatero. Do {steak} {tartar} de Careca {Sotelo} ao gelado de café de Aznar. {Dime} o que {comes} e te direi quem {eres}.

OS JARDINS // Fiz tempo passeando pelos jardins, advertindo na distância, o ir e voltar de gentes a pé e em carroça, civis e militares. Às treze trinta abriram o autosserviço. Linda com o bunker; facto/feito espantoso, pelo menos a meus olhos de cidadão sem {mili}. ¡A ultraderruba do bunker a dois passos de algo tão {mondo} e {lirondo} como um restaurante em regime de autosserviço linear! Nestes pensamentos estava quando, nada mais entrar, uma bandeira espanhola com propaganda de {Iberitos} me recebeu; e Moncloa se me antojou, por um instante, a traseiras da loja {endomingada} de Santa {Amalia}. E pudesse ser salvo pela muitas pessoas {encorbatada}, pelas acreditações pendurando nos peitos e pelo ar {capitalino} dos que aguardavam seu revezo,…

Não mais de cinquenta pessoas num espaço capaz de acolher a centenas. O sala de jantar já conhecida resulta mais bem {feúcho}, tendente a limpo e frio. Mas se come. ¿Melhor ou pior que no bunker? Não sei como andará de saída de fumos o bunker, mas {barrunto} que provavelmente no bunker se coma melhor (ainda em caso de ataque nuclear). Não é que se coma mau no autosserviço, se come tristonho. Três primeiros, três segundos,… mas escangalhados. Enquanto comia as feijões, pomposamente anunciadas como {judiones} estufados, me acordava de meu atenta funcionária, de seu tupperware e de sua bem-intencionada advertência. Tem motivos para atirar de tupperware. Comer na {cantina}, dia após dia, pode resultar um tanto/golo castanha. Das {albóndigas} não tenho queixa; estavam boas. Ou quase. Não lhes pedi os papéis, mas vinham saborosas. Ou quase. O arroz doce, {puritita} batalha; insípido e, como em geral tudo, tristonho. O melhor o preço: seis euros com sessenta e cinco cêntimos.

Está claro que a abelha reina não come com as {obreras} (nem com os {zánganos}). Mas não por isso, comer na {cantina} deixa de ser uma opção para os que não querem carregar com tupperwares. Sem dúvida, tenho comido em universidades e hospitais, pelo menos nalguns deles, muito melhor que na Moncloa, mas também não me cabe dúvida de que mereceu a pena. Fui feliz. Pela muito agradável {compaña}. Pela acalma em que comi e pelo que a ocasião tinha de única. Não {eché} em falta as cogumelos do Cisne Azul. Aí lhes deixo as fotos.