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Espanha {despunta} em consumo de prostituição pela lassidão política

Uma legislação vácua com os proxenetismos e a pornografia estimulam esta indústria. A falta de consenso sobre/em relação a se regular/orientar ou abolir o sexo de pagamento impulsionam a procura

 

Dois prostitutas na Rambla de Barcelona, uma das zonas onde se oferecem serviços de prostituição. - {FERRAN} {NADEU}

PATRICIA MARTÍN
27/02/2019

O consumo de prostituição em Espanha é um dos mais elevados do mundo. Segundo alguns estudos, este poderia ser o terceiro país com maior número de clientes, só/sozinho por detrás de Tailândia e Porto Rico, embora dado que a compra e venda de um corpo para praticar sexo é ilegal em muitos estados, não há dados fiáveis. Também não em Espanha se fez uma investigação a fundo. Em qualquer caso, começando pelo Governo, continuando pelo Conselho Geral do Poder Judicial e seguindo/continuando pela maioria dos especialistas, há consenso em torno de que a indústria do sexo em Espanha é das mais {boyantes} do mundo. Apesar de isso, as discrepâncias, incluído no âmbito feminismo, sobre/em relação a se convem regular/orientar a prostituição ou abolir-la, para assim garantir melhor os direitos das mulheres, são constantes e se têm {acrecentado} agora que se aproxima o 8-M, Dia Internacional da mulher Trabalhadora.

De facto, a coordenadora da segunda greve feminista deixou de lado o tema e tem incluído entre os motivos para parar de novo e tomar as ruas o 8 de Março o que sim se une ao feminismo: a luta contra a trata com fins de exploração sexual. Os estudos indicam que até ao 90% das prostitutas exercem esta atividade de forma forçada e de seus corpos se lucram, portanto, as máfias e os proxenetismos.

OS PARTIDOS / A falta de um consenso em torno de que fazer com a prostituição é um dos motivos que explicam, precisamente, o auge do sexo de pagamento, segundo Sara Vicente, especialista na matéria da {oenegé} Comissão para a Investigação dos Maus-tratos. Salvo o PSOE e IU, que se declaram abolicionistas -mas o primeiro, estando no Governo, não chegou a alumiar nenhuma medida tendenciosa a esta solução-, o resto dos partidos se movem entre a indefinição do PP, o debate interno de Podemos e a aposta de Ciudadanos por regular/orientar esta prática. «Os políticos só/sozinho abundam na normalização do fenómeno e na {culpabilización} das mulheres que exercem a prostituição, com o discurso de que estão aí porque querem, pelo que se merecem o que lhes passe», acha. Vicente se queixa de que, ao contrário de o que aconteceu com a luta contra a escravidão, agora os abolicionistas são «riscados de não respeitar os direitos das mulheres», baixo/sob/debaixo de o discurso de que proibir a atividade pode {sumir} às vítimas numa maior desproteção se cabe.

À indefinição política se une uma sociedade que tolera e normaliza o pagamento por sexo. Poucas pessoas vêem com maus olhos que um homem ou vários numa despedida de solteiro vão a um prostíbulo, como sim acontece noutros países. É que Espanha tem, ainda hoje, uma sociedade muito {patriarcal} na qual persiste o modelo de {masculinidad} de «{vividor}-{follador}», em palavras de {Águeda} {Gómez}, socióloga e {coautora} do livro O {putero} espanhol (Os Livros da Catarata). Estes homens vão aos lugares de alterne, para além de para satisfazer seu desejo sexual, para «demonstrar seu {masculinidad}, que são supermachos e não homossexuais, como se se tratasse de um ato de reafirmação em masa e do {patriarcado}». Na sua opinião, isto liga com uma mudança no paradigma afetivo-sexual. No Maio do 68, sustenta, o sexo era maioritariamente «um ato de comunicação, {hedonista} e democrático», enquanto agora «predomina a lógica {materialista}, onde o dinheiro o rege tudo. Eles pagam e mandam, e elas dizem faço o que quero com meu corpo».

Neste contexto, muitos meios de comunicação «apoiam a indústria do sexo», beneficiam-se da inserção de publicidade e mostram «imagens de putas felizes», que contribuem a normalizar a prostituição, denúncia. Além disso, a falta duma educação afetivo-sexual nas escolas faz com que muitos jovens aprendam no porno o que não lhes ensinam nos institutos ou em casa. E a pornografia predominante «{cosifica} à mulher e fomenta a cultura da violação, dando a mensagem de que, embora as mulheres digam que não, querem praticar sexo», acrescenta.

A tudo isso se une a legislação espanhola, que só/sozinho penaliza a prostituição forçada e não introduziu o delito de trata com fins de exploração sexual até ao ano 2010. O paradigma legislativo deu uma reviravolta, segundo denúncia Sara Vicente, quando em 1995 o nessa altura Governo socialista {despenalizó} o proxenetismo lucrativo, o que originou a {multiplicación} de lugares de alterne. «Antes da entrada em vigor da mudança legal, a prostituição era algo residual, exercida por espanholas sem recursos. A lei originou um trânsito de pensamento e atuação ao permitir a um terceiro organizar um negócio onde se pode explorar às mulheres», explica, o que tem multiplicado o número de prostíbulos e, para dotá-los de mão de obra, as redes que traficam e trazem a Espanha mulheres de todo o mundo. Apesar de isso, diversas operações anticorrupção têm posto de manifesto que muitos políticos fecham negócios corruptos em prostíbulos. «A conivência entre autoridades e a indústria sexual existe», sublinha {Águeda} {Gómez}.

PESSOAS VULNERÁVEIS / A isso soma-se que as poucas mulheres que atrevem-se a denunciar que foram vítimas de um negociante têm que demonstrá-lo. «É sua palavra contra a do proxeneta, é muito difícil demonstrar o delito», explica Vicente. E o corrobora a Procuradoria de Estraneidade, que num recente relatório/informe atribuiu as dificuldades de perseguição a que «as redes de crime organizado convertem às vítimas em pessoas muito vulneráveis» que, devido ao medo, não costumam denunciar. A falta de perseguição penal faz com que os delinquentes prefiram optar pela indústria do sexo a outros negócios ilícitos. Além disso, a prostituição «move muito dinheiro e costuma ocupar o segundo ou terceiro posto das economias ilícitas», que se vêem beneficiadas «por estruturas que fazem possível que o dinheiro negro possa ser branqueado», segundo as investigações de Rosa Cobo, autora de A prostituição no coração do capitalismo (Os Livros da Catarata).