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Campos de barracas

Umas 700 pessoas vivem mal de forma permanente em acampamentos em municípios agrícolas de Huelva

 

Um homem contempla desde/a partir de um alto um acampamento de barracas em {Lepe}. - JUAN LUIS ROD

JULIA CAMACHO
15/02/2020

La próspera industria agrícola que cerca el espacio natural de {Doñana} se sostiene en parte desde gigantes barrios obreros en las afueras de pueblos como {Lepe}, {Lucena} do Porto ou Paus da Fronteira, onde se ouvem acentos diversos e as cadeiras se acumulam às portas das casas esperando os bocados de tertúlia ao entardecer. Um paisagem habitual nas periferias dos núcleos económicos de qualquer ponto do país, salvo pelo detalhe de que, aqui, as ruas são de terra e o plástico e o papelão tomam o lugar das paredes.

«Eles são os afortunados, porque pelo menos têm um teto; pior é dormir na rua só/sozinho com um papelão e um cobertor», conta {Lamine}, {maliense} {afincado} desde há anos em {Lepe}. «Igual pensam que estamos a gosto nas barracas -ironiza-, mas é que não temos outra alternativa».

Os colonatos de barracas de Huelva têm {abochornado} ao {relator} da ONU sobre/em relação a a pobreza extrema, Philip Alston, para quem as condições nas que vivem, ou vivem mal, centenas de imigrantes são «simplesmente inumanas», como expressou no seu relatório. Menos diplomática mostrou-se Pilar Vizcaíno, diretora de Cáritas Huelva, dias antes, ao não poder/conseguir conter que «vivem em condições de verdadeira merda».

{Lamine}, que também viveu uma época nessas barracas, descreve o panorama que pôde observar o representante da ONU, esse que segundo Alston muitos espanhóis não reconheceriam como parte de seu país. La única luz vem de engates a baterias, e a água para assear-se ou limpar está numa fonte a seis quilómetros de distância. Os colchões se acumulam em diminutivos espaços sem ventilação onde se armazenam as malas com suas pertenenças numa esquina e uma {hornilla} de gás na outra. La classe privilegiada se localiza em pequenas construções, estas sim de tijolo, mas em troca pelas janelas se coa o frio e a água. Nem falar de banho onde assear-se. Em suas ruas se repartem subsaarianos e marroquinos, também do centro da Europa e nos últimos tempos se somam alguns espanhóis. Quase todos homens, embora também começam a aparecer mulheres.

NÃO RECLAMAM MUITO / «São trabalhadores, não animais, e simplesmente querem, ao terminar sua jornada laboral, poder/conseguir ter um sítio onde dar-se um duche quente, jantar algo vendo a televisão e meter-se na cama para voltar a trabalhar no dia seguinte», explica {Amadou}, um dos porta-vozes do Coletivo de Trabalhadores Africanos. La associação se {gestó} a finais do passado mês de Outubro, após o devastador incêndio que acabou com La {Urba}, o maior/velho colonato morador de bairros de lata de {Lepe}. Não ficou nada, e o terreno foi cercado para impedir que voltassem a instalar-se ali. «Agora, quando eu saio com o camião pelas noites, se me saltam as lágrimas, porque vejo-os a todos escondidos em qualquer canto tentando esquivar o frio», prossegue {Amadou}.

Após esse desastre, os imigrantes levantaram a voz para pôr luz sobre/em relação a uma incómoda realidade: não reclamam casa gratuito; estão dispostos a pagá-la porque têm dinheiro, alguns ganham mesmo o salário mínimo, e sustentam a indústria agrícola. Mas os mesmos aos que enriquecem não lhes querem alugar as habitações/casas/vivendas. Enquanto detetam o acento africano, explicam, já não há casa disponível. E também não encontram amparo nas administrações públicas.

Os colonatos moradores de bairros de lata de imigrantes {temporeros} começaram a surgir a finais do século passado. {Lepe}, e toda a região {onubense}, começou a prosperar com a morango e mais tarde os frutos vermelhos. Um estreitamente que requer uma habilidade manual e delicadeza que não supre a maquinaria agrícola, e muitos vizinhos/moradores não estavam dispostos a jornadas de sol a sol para ganhar modestos ordenados. Primeiro chegaram as mulheres do centro da Europa, mas o rumor de que tinha estreitamente, legal ou ilegal, chegou aos imigrantes africanos. E enquanto elas se estabeleciam e se casavam com os nativos, eles eram vistos com receio. Tanto/golo que, como alertavam os sindicatos já por nessa altura, era impossível que conseguissem alugar sequer um quarto.

viver amontoados / Essa dificuldade, unida à escassez de habitação na zona, provocou que começassem a viver amontoados e, mais tarde, diretamente em barracas. «Ao início teve uns módulos, mas se os levaram e não nos ficou nada», relembra {Amadou}. Os colonatos se repetem por todos os núcleos agrícolas de Huelva.

As entidades sociais que trabalham na zona estimam que na trintena de acampamentos se reparte uma população estável próxima às 700 pessoas, embora as cifras se disparam nos momentos ponta das campanhas agrícolas da morango ou os frutos vermelhos e, segundo o Coletivo de Trabalhadores Africanos, superariam as 6.000 pessoas. Cáritas o reduz a 2.000.