+
Accede a tu cuenta

 

O accede con tus datos de Usuario El Periódico Extremadura:

Recordarme

Puedes recuperar tu contraseña o registrarte

 
 
 

{Valentina}

 

RAMÓN Gómez Pesado
23/11/2019

{Apesar} das vezes que lhe {aconsejamos} muitos que devia dedicar-se a desenvolver sua atividade profissional no mundo da saúde, ela era uma dessas mulheres que optaram por renunciar a seu trabalho para cuidar e estar ao cargo da sua família e dedicar-se a ela de corpo e alma. É certo que podia ter optado por deixar a seus filhos nas magníficas creches nas que, sem nenhuma dúvida, tinha excelentes profissionais, mas não estava disposta a deixá-los às sete da manhã para recolhê-los às seis da tarde.

Sabia que sua decisão não era do mais moderno e quase parecia ir em contra da definição de mulher moderna e libertada, mas ela dizia que necessitava estar com os seus filhos a maior parte do tempo que pudesse. Se levantava precoce e, antes de que despertassem seus meninos e depois de/após despedir a o seu marido que ia ao trabalho, já tinha dado ela umas poucas de voltas à casa com o escova, pá do lixo e esfregona, enquanto seu lar começava a impregnar-se de deliciosos aromas que procediam da cozinha que anunciavam a elaboração duns de seus maravilhosos guisados que preparava cada dia. Não necessitava muitos ingredientes. Com poucos, mas bem escolhidos por ela, que aprendeu de sua avó e depois de/após a sua mãe, conseguia fazer {salivar} a qualquer que tivesse a sorte de estar perto para captar os eflúvios que cheirabam a glória, acompanhados da música dos «{chups}, {chups}» da cozimento a fogo lento, sempre a fogo lento.

E depois começava a ouvir os sons quotidianos que cada dia esperava ouvir e que procediam da quarto dos meninos. Ao início eram pequenos gemidos de bebé que reclamavam sua atenção imediata. Seus olhos, os dela e os dos seus filhos, se iluminavam quando seus olhares encontravam-se na quarto pela que o sol deixava entrar um luminoso e cálido raio entre os resquícios da persiana. E aí começava, ao mesmo tempo que seguia/continuava cozendo o guisado do dia na cozinha, a primeira lição para aprender a falar que ela lhes explicava a seus filhos como uma grande profissional em pedagogia, apesar de que no que a ela lhe tivesse gostado trabalhamos/trabalhámos fora era no mundo da enfermaria, da atenção e ajuda aos demais e aos doentes e aos que, em definitiva, mais a necessitarão. Essa era sua vocação.

As primeiras palavras de suas lições eram muito breves, mas as repetia muito e lhes dizia, «mamã», «{papá}» e «bom dia, meu amor», e seus filhos, desde pequenos aprendiam a sorrir ouvindo-a. E, apesar de trabalhamos/trabalhámos de limpadora, cuidadora, cozinheira, enfermeira e professora, quando se lhe perguntava por sua profissão, paradoxalmente, e como lhes passava a muitas mulheres, tinha que dizer que não trabalhava. Nos documentos que nas diferentes Administrações de Estado tivesse que apresentar como cidadã, ao lado de seu nome sempre aparecia o eufemismo de «os seus trabalhos».

E efetivamente é certo, eram os seus trabalhos às que ela se dedicava, mas eram trabalhos como as de muitas mulheres de sua geração, dedicadas aos demais, a estruturar e manter unidas às famílias, sem perceber/receber remuneração alguma por esse grande trabalho que sempre realizaram. E o que é pior, sem poder/conseguir conseguir pensão de reforma para a idade da {vejez}. Deveria ser uma cadeira pendente já aprovada para todos os governos do século em que vivemos, reconhecer uma paga aos pais e mães que decidissem dedicar-se à dura lavor/trabalho de trabalhamos/trabalhámos no lar. Tão digno e importante é trabalhamos/trabalhámos como médico, ou como professor, ou cuidador ou jardineiro, que levar o peso dedicando's às tarefas que exige um lar. Devesse ser reconhecido como um trabalho com os mesmos direitos que qualquer outra profissão, tão digna e remunerada como outra qualquer, porque isso também {dignificaría} o trabalho de muitas mulheres que sempre trabalharam em suas famílias sem ser nunca considerado, infelizmente, como um trabalho pela sociedade.

Sempre tenho visto nesta mulher a uma grande profissional. Vejo em seus filhos a umas pessoas extraordinárias porque ela realizou um bom trabalho junto a eles remunerado somente com amor. Tive a enorme sorte de conhecê-la e a quis. Se chamava {Valentina}.

*Ex-diretor do {IES} {Ágora} de Cáceres.