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Um mundo sem alma

Nos tempos eleitorais é difícil pôr o foco em questões referidas a pessoas anónimas

 

Um mundo sem alma -

AMADOR Rivera
07/11/2019

A situação de Catalunha, com ser muito grave e preocupante, nos está cegando o conhecimento e análise de acontecimentos da vida quotidiana aos que, em minha humilde opinião, deveríamos emprestar mais atenção. Sou consciente de que, nos tempos eleitorais que {transitamos} desde há tanto tempo, é muito difícil pôr o foco em questões que têm que ver com a vida, ou a morte, de pessoas anónimas. Por isso, nas seguintes linhas me vou a esquecer da questão catalã para refletir sobre/em relação a algumas notícias que temos conhecido estes dias, das que qualquer de nós poderíamos ser protagonistas, e que não têm suscitado a atenção que mereciam.

A primeira é o aparecimento, em Madrid, do cadáver duma mulher de 78 anos. A notícia em si mesma tivesse passado despercebida se não fora porque levava 15 anos morta em sua própria habitação e, ao que parece, ninguém a tinha {echado} de menos em tudo esse tempo. Como digo, uma morte anónima duma pessoa igualmente anónima que, no entanto, deveria fazer-nos refletir sobre/em relação a o tipo de sociedade na qual vivemos. Porque, ¿como é possível que nenhum familiar a {echara} de menos em 15 anos? Porque a mulher tinha família, por muito estranho que possa parecer. E se calhar não o seja tanto/golo.

O problema é que, sobretudo nas grandes cidades, embora não só/sozinho, estamos tão ocupados em nossos assuntos do dia-a-dia que não emprestamos atenção a aqueles que nos rodeiam: mesmo aos familiares neste caso. É verdade que, ao início, os vizinhos/moradores se preocuparam ao não ver à mulher, mas isso foi tudo. Pelo que sabemos, sua família tem tardado 15 anos em ir a seu casa; fechada por dentro. Não sei se minha idade me faz mais sensível a este assunto, mas o certo é que o acontecimento nos mostra muito às claras a desumanização desta sociedade nossa e, também, a falta de resposta das autoridades ao problema dos maiores/ancianidade. Uma falta de resposta que se faz mais grave se temos em conta o envelhecimento da população espanhola. Um assunto, cuja solução não aparece destacado nos programas eleitorais.

A segunda notícia que queria comentar, que nos pode resultar mais distante, foi mais comentada e difundida que a anterior, se calhar pelo componente {amarillista} que se lhe pode aplicar. E que se lhe tem aplicado nas televisões. Trata-se de a morte de 39 jovens migrantes vietnamitas que têm morto asfixiados no interior de um camião; em Inglaterra. Um acontecimento este que deu muito jogo nos meios, que até nos mostraram o última mensagem que uma das jovens falecidas lhe enviou a a sua mãe pouco antes de morrer, ou os lamentos do pai de outro jovem que era transportado, pior que o ganho, no mesmo camião. A verdade é que ambos mensagens gelam o coração de qualquer que tenha um mínimo de sensibilidade mas, ao mesmo tempo, nos volta a mostrar a falta de humanidade do nosso mundo.

Porque este acontecimento tremendo se explica por sim mesmo e nos oferece algumas chaves para conhecer a realidade que vivemos: em primeiro lugar, as graves desigualdades que existem em muitos lugares do mundo; e dentro do que {llamamos} mundo desenvolvido. Em segundo lugar, que algumas pessoas estão dispostas a saltar todas as normas, legais e morais, em troca de dinheiro. Mais preocupante ainda é que, em nosso ambiente, alguns partidos políticos se empenhem em convencer-nos dos {males} da imigração, sem distinguir entre vítimas e verdugos ou, dito por outras palavras, entre necessitados e aproveitados. O pior é que ainda tenha pessoas que lhes compra a mensagem. E lhes vota precisamente por isso.

E já por terminar, uma notícia que não tem tido toda lhe relevância que merece e que, embora pareça o contrário, tem muito que ver com as duas que comentava: desde que estourou a crise económica, se têm multiplicado o número de milionários e o de pobres. Neste caso concreto estamos a falar de Espanha.

*Jornalista.