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Risco de um dobro bloqueio

 

07/11/2019

Desde que em 1960 Richard Nixon e John F. Kennedy mudaram a história da televisão e a política com o primeiro duelo transmitido de dois candidatos à presidência de EUA, os debates eleitorais tornaram-se num formato pouco/bocado propensa às surpresas, no qual os protagonistas tentam acima de tudo evitar os erros e se dirigem sobretudo aos convencidos. O debate a cinco do passado segunda-feira entre Pedro Sánchez, Pablo Casado, {Albert} Ribeiro, Pablo Iglesias e Santiago Abascal foi fiel a este guião: mais que um contraste de {pareceres} e de propostas dos candidatos/candidatas à presidência do Governo tratou-se de cinco solilóquios ao serviço das estratégias eleitorais de cada candidato. Em campanha prima o {tacticismo} acima de qualquer outra consideração. ninguém quer arriscar-se.

Por este motivo, as conclusões que deixa o debate não são muito {ilusionantes}. A julgar pelos vistos e o dito, e se as sondagens {aciertan}, não se {otea} saída ao bloqueio político que levou a repetir as eleições. Só/sozinho Ribeiro, que braceja em queda/redução livre nas sondagens, se tem movido relativamente às anteriores eleições, embora à diferênça de Abril esta vez seus assentos parlamentares podem ser insuficientes para um pacto com o PSOE. Iglesias tratou em vão de construir pontes com Sánchez, que evidenciou com sua fria relação que as cicatrizes da passada investidura seguem/continuam abertas. Casado, por seu lado, anunciou que não pactuasse com Sánchez, por isso o cenário é muito similar ao do 28-A: se a direita soma, pactuará; se a esquerda soma, o acordo será muito complicado. E na cultura política espanhola, a grande coalizão continua a ser uma quimera para os partidos implicados, que não vêem forma de justificar-la perante um eleitorado muito polarizado.

O debate atirou outro risco de bloqueio: o da crise política em Catalunha. Sánchez, que procura pescar no banco de pesca de {Cs}, endureceu seu tom. Propôs uma reforma do Código Penal (penalizar de novo a convocatória de referendo ilegal, uma velha ideia de PP e {Cs}) e ações no âmbito dos meios de comunicação públicos e educação. A {bravata} de garantir que trará a {Puigdemont} a Espanha cabe atribuí-la ao fragor do choque dialético, pois trata-se de um assunto judicial que se dirimirá nos tribunais.

Abascal se sentiu cómodo. Foi contraproducente que os outros candidatos decidissem não neutralizar seus argumentos, baseados muito a miúdo em cifras e {asunciones} falsas. Aplicar o cordão sanitário à extrema direita não supõe deixar sem refutar falsidades evidentes. Um dos piores efeitos da repetição eleitoral é que tudo indica que a extrema direita cresce. Uma péssima notícia, pois seu discurso xenófobo, machista e ultranacionalista em nada contribuem a melhorar a vida dos espanhóis. Numa situação de bloqueio, se a direita soma {Vox} pode ser chave na nova legislatura. Seria uma péssima notícia.