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Questão de Estado

 

JOSÉ ANTONIO Vega Vega
26/10/2019

A manipulação ideológica que sofre Catalunha conseguiu instalar em grandes sectores, especialmente entre os jovens, um sentimento {maniqueo} que pensa que tudo o mau procede do resto de Espanha. Este doutrinamento baseado num facto/feito diferencial inexistente faz com que muitos catalães concebam a independência como uma utopia salvadora. Os líderes separatistas têm chamado a rebate para defender a pretendida legitimidade duma república imaginária. A hábil estratégia seguida/continuada pelo independentismo, sobretudo a nível internacional, conseguiu que em grande parte do mundo se veja com simpatia este insolidário processo.

Se tem entrado num {bucle} que é necessário desativar. Os independentistas têm maioria no parlamento autonómico, e esta maioria faz com que possam nomear governo e, por {ende}, controlar as instituições públicas. Sobretudo, a Finanças. Isto lhes permite continuar administrando as finanças para pôr em prática políticas sectárias e vender fumo desde suas embaixadas.

Catalunha pode continuar a ser governada por uma classe política xenófoba e excludente, sem outra ideologia que a {insolidaridad}. Desde seu exílio em Bélgica, os fugidos da justiça não têm tido uma só palavra para os problemas reais dos cidadãos. Seu único desígnio é tentar-se um regresso vitorioso como heróis ou como {mártires}. Mas sua única saída passa por continuar no desterro ou ingressar em prisão. Entretanto, um {President} irresponsável e sectário segue/continua avivando o fogo da insurreição. A {ulsterizacion} de Catalunha é algo mais que uma possibilidade.

Os partidos constitucionalistas não têm sabido neutralizar esta estratégia. O enfraquecimento do centro direita, sobretudo a causa de os episódios de corrupção, e a falta de um governo estável que permitisse ao jogo/partido socialista exercer uma política de Estado não têm ajudado a que os democratas pudessem construir um relato convincente para defender ao Estado das {insidias} {secesionistas}.

O Regime do 78, com todas as críticas que possam fazer-se, trouxe a Espanha suas maiores/ancianidade cotas de bem-estar e liberdade. No entanto, nenhum Governo tem sabido articular um discurso razoável e raciocinado em seu favor. Nem temos sabido salientar o que significa uma Constituição acordada por todas as forças políticas.

Temos construído um Estado de Direito muito {garantista}. Isto é bom. Mas também deveria ter-se sabido articular uma melhor defesa do próprio Estado. A sentença do chamado juízo do {procès} é um paradigma {clamoroso}. A pena a líderes {sediciosos} -nota da sentença- não tem satisfeito a quase ninguém. Aos próprios acusados e a um grande sector do povo/vila de Catalunha, pela condena em si. Esperavam -vã ilusão/motivação- a absolvição. À extrema direita, pela tibieza na nota do delito e, portanto, pela {levedad} das penas. A um grande número de juristas, pela inconsistência na hora de tipificar os factos/feitos como delito de {sedición}. Se não teve violência e tudo foi uma {ensoñación}, no fim o Tribunal Supremo, indiretamente, deu a razão ao tribunal territorial do Estado federado alemão de {Schleswig}-{Holstein}, que não concedeu a extradição de um fugido porque considerava que não concorria a violência necessária para o delito de rebelião.

Nosso sistema constitucional oferece uma greta mais. Ao ter optado por uma monarquía parlamentar, nosso chefe de Estado -o rei- carece de poder/conseguir político. Suas funções não deixam de ser a de mero notário da atividade política. A «{presidencialización}» num sistema parlamentar tradicional de corte republicano tivesse permitido que a chefatura do Estado {asumiera} um papel mais protagonista na resolução de conflitos políticos, poder que lhe está vedada ao rei.

É, portanto, o Governo e os demais poderes os que devem atuar com firmeza e fazer mais presente o Estado em Catalunha. Descontrair agora a legalidade poderia supor o desabamento da nossa democracia. Se se permite que tudo siga/continue igual, uma parte da nossa nação terá entrado numa deriva de descomposição económica e social que nos arrastará a todos. Só/sozinho a firmeza do Estado através de seus poderes pode desativar este perverso processo.

*Catedrático de Universidade.