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{Nubarrones} alemães

 

MARIO Martín Gijón
15/02/2020

Esta segunda-feira, {Annegret} {Kramp}-{Karrenbauer}, presidenta da CDU, designada sucessora de Angela Merkel, apresentou a renúncia a seu cargo e, com isso, a tomar o substituição de seu {mentora}. «Domina, {non} {sum} digna», deveu pensar, após a desastre de sua imagem por não ter evitado que o seu partido votasse da mão da de extrema-direita Alternativa para Alemanha no pequeno estado federal de {Turingia}, para nomear presidente a um político do {FDP} (direita liberal) que tinha obtido o 5% dos votos, retirandole assim o governo ao jogo/partido A Esquerda que tinha ganho claramente as eleições.

Que há de mau em isso, pensarão alguns, pois em Espanha, o PP estaria encantado de votar com Vox a um candidato de Ciudadanos para evitar que governasse Podemos. Mas Alemanha, desde há muito, é como o famoso anjo de Paul Klee interpretado por {Walter} {Benjamin}, que enquanto é propulsado até o futuro pelo vendaval da História, tem o rosto voltado até o passado. E o passado diz que precisamente {Turingia} foi o primeiro {land} governado pelos nazis, em 1930, e preparou o caminho à conquista de Berlín por Hitler, três anos depois.

Durante anos a fio, nos têm posto a Alemanha como à aluna modelo, como fazia no instituto/liceu meu professor de História com um aluno, {Bernardino} ({Berna} para os amigos), cujos exames nos lia em voz alta para ensinar-nos como se devem fazer as coisas. E o pior destes casos é que, no fim, o aluno se o acaba acreditando, pensa que o tem tudo ganho, e não se adapta às situações mudáveis. Lembrança a outra companheira, que obtinha sempre salientes, e que fracassou na Prova de acesso ao ensino superior, não podendo estudar Medicina, como queria e pensava que lhe correspondia. {Berna}, que começou o doutoramento e até esteve com uma bolsa em EUA, acabou de professor de ensino secundário, o que não está mau, mas também não é para tanto. Por outro lado, como não iam a pôr a Alemanha de modelo, com um desemprego de 3% que em muitas partes do país é inexistente. E com um crescimento que, até que começou a guerra comercial de Trump, se tinha mantido em taxas invejosas durante década e média/meia.

Mas os ricos também choram, embora seja por parvoíces comparadas com os motivos dos pobres. A última vez que estive na Alemanha me surpreendeu que o debate político se {centrara} sobre/em relação a a conveniência ou não de medidas como um imposto sobre/em relação a a carne ou limitar os voos permitidos a cada cidadão a três a cada ano. Claro que até os Verdes terminaram por recuar, prometendo não «retirar aos alemães as férias em Maiorca» nem proibir as salsichas, pois se a um alemão lhe {quitas} a grelha em verão e também não pode ir à praia, para que quer viver já.

A mim, que vivi cinco anos na Alemanha, na época de {Schröder} e seu governo {rojiverde}, esse país me resulta cada vez menos interessante, mais {aburguesado} e com mais medo ao futuro que vontade de encará-lo. E me {temo} que podemos estar diante da acalma que precede a tempestade. Durante 15 anos, Merkel, que não tem filhos, comportou-se como uma grande mãe para os alemães: partidária da energia nuclear e da política exterior norte-americana, se fez detratora de ambas causas quando viu que não eram populares. E, se de portas {afuera} mostrou o rosto da austeridade, no seu país fez uma política quase social-democrata. O SPD, em sua espiral autodestrutiva, não forjou uma alternativa, que surgiu pela extrema direita. Se calhar os Verdes pudessem embandeirar a mudança necessário. O queiramos ou não, por seu peso demográfico e a sua situação geográfica, nenhum país influi tanto/golo no continente europeu como Alemanha. Esta é como uma dessas pessoas aparentemente muito equilibradas mas que, quando perdem os nervos, podem resultar terríveis.

*Escritor.