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¡Não passarão!

O ‘tsunami» catalão, longe de ser «democrático», é uma {invocación} à via de escape

 

¡Não passarão! -

VÍCTOR Bermúdez
23/10/2019

Mais que tristeza é melancolia. A inspiram esses adolescentes independentistas gritando indignados. Não têm nem {repajolera} ideia das ideias que têm, nem do que lhes fazem fazer, mas dá igual: o importante é estar aí, correndo diante da polícia, furiosamente vivos e livres (de toda dúvida) na crista da onda do grito e a bandeira comum. ¿Quem não se deixou levar alguma vez por estes tsunamis de romantismo político?

Agora, uma coisa é que nos {compadezcamos} desses jovens (depois de/após encerrar aos aprendizes de guerrilheiro que os {pastorean}), e outra que não saibamos ver como adultos o verdadeiro carácter desse «tsunami» que, longe de ser «democrático», não é mas uma {invocación} à via de escape (ou a cortina de fumo com que escapar) mais {fascistoide} do malfadado ‘{procés}’.

Que o independentismo mais desesperado e grotesco –mistura intergeracional do nacional-catolicismo catalanista de toda-a-vida e de (seus filhos {pijos}) os revolucionários das {CUP}– tenha tomado momentaneamente as rédeas exagera certamente esses traços fascistas. Mas estes estavam já aí. Não é em vão a «luta de libertação» de Catalunha é cumprimentada desde há anos pelos partidos da extrema-direita nacionalista europeia, que a vêem como um marco mais no caminho até a Europa dos Povos/povoações no qual andam empenhados.

A alusão constante à Vontade de poder/conseguir do Povo/vila para tomar as ruas e passar-se o Estado de direito pela {bocamanga}, a insistente {vindicación} do «facto/feito diferencial» calcado pelos inimigos da Pátria, a queixa invariável perante o espólio económico ao que lhes submete a «potencia ocupante», e a bela promessa de que –libertados desse lastre que somos nós– lhes espera um porvir de prosperidade generalizada (ou de revolução social para os mais crédulos), representam a série completa de relatos legitimadores do fascismo. Só/sozinho falta a gota de violência –um só/sozinho e grave erro policial, um primeiro morto– para encher o copo das desculpas. Não é fácil imaginar a personagens tão {patéticos} como {Torra} e {Puigdemont} fundando uma República catalã, mas coisas mais extravagantes –e terríveis– têm visto os séculos.

Perante esta ameaça, ainda vaga mas certa do fascismo, não só/sozinho em Catalunha, mas noutros lugares de Europa, todos, e especialmente as pessoas de esquerda, devemos persistir em defender o que sempre temos defendido, a saber:

O Estado plurinacional em que vivemos frente a regimes nacionalistas baseados em «factos/feitos diferenciais» e uniformidades culturais e linguísticas excludentes. Nossos princípios (igualdade, solidariedade…) e nossa luta não admitem fronteiras.

A negativa a «dialogar» enquanto não se dêem as mínimas condições democráticas: a rejeição à violência e o {acatamiento} da lei comum. Não se premeia ao violento que quebra as normas e ameaça com seguir/continuar fazendo-o até que se lhe faça caso. Às birras de um menino (consentido, {ay}, durante anos) só/sozinho cabe responder com firmeza. A lei –o único que nos protege face aos {tejemanejes} da oligarquia– está acima da força, incluindo a da desobediência civil-induzida-desde-o-poder/conseguir que, em democracia, só/sozinho é legítima se o desobediente acata a sanção legal como mostra de respeito às normas que nos amparam a todos –{obedezcamos} o que {obedezcamos}–.

Não mais concessões nem privilégios (algum ficará por dar a Catalunha). Bem pelo contrário: desde a esquerda {exigimos} uma maior redistribuição fiscal da riqueza das regiões mais ricas (Madrid, Catalunha, País Basco), conseguida graças a privilégios históricos e políticos (e a mão de obra barata do resto do país), até as zonas mais marginadas e atrasadas do Estado.

Direito a decidir. Catalunha é de todos. Por isso, um referendo de autodeterminação tem que contar com a {anuencia} da maioria dos representantes da cidadania reunidos no Parlamento. Os independentistas só/sozinho podem e devem fazer uma coisa: ir a essa assembleia comum e {persuadirnos}. O resto é vencer sem convencer. Emoção sem razão. Simples vontade de poder/conseguir. Isto é: fascismo puro e duro. E perante essa ameaça não podemos permanecer nem um dia mais indiferentes.

* Professor de Filosofia