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Muitos mortos

 

MANUEL Campo Vidal
10/05/2020

Há frases que ilustram, outras que inquietam e alguma que gela o sangue. De tudo isso teve na rica entrevista com José Borrell, vice-presidente da UE e Alto Representante de Negócios Estrangeiros e Política de Segurança. Numerosos comunicativos de entre mais de dois mil que a seguiram/continuaram através da web {nexteducación}.com destacaram quanto tinham aprendido. Borrell, catedrático de Matemáticas em Engenharia Aeronáutica e médico/ doutor em Economia, explica Europa e o mundo com uma capacidade didática que tanto/golo se {añora} em política.

Algumas amostras: para destacar a excessiva dependência de China, Borrell advertiu que «na Europa não se fabrica nem um grama de {paracetamol}» porque, como acontece com outros produtos, «só/sozinho se valoriza o preço e não seu valor estratégico». Assim nos foi. Chega uma crise e, se fazem falta toneladas de medicamentos, de máscaras, batas e luvas, primeiro se abastece ao mercado local produtor e os demais nos {quedamos} improvisando defesas com sacos de lixo, como lhes passou a médicos e enfermeiras. Vamos ver se {aprendemos}.

Borrell tem cunhado o termo «guerra de narrativas» em torno de esta crise. Nessa batalha China acusa a EUA de gerar o vírus e ao revés; no segundo capítulo da série, China vende que é o país que mais ajuda ao resto; e no terceiro defende seu modelo político como o mais eficaz. O vice-presidente europeu dá alguns dados relevantes: quando começou a infeção, a UE, sem crise, ajudou a China com material sanitário, mas não se soube; e depois Alemanha enviou toneladas de máscaras a Itália. A notícia não abriu telejornais, que sim destacaram depois que chegava ajuda de China, Rússia ou médicos cubanos. Atentos a isto: «¿Porque é que agora temos reservas de petróleo? Porque teve uma guerra do petróleo. Depois de/após esta crise, a saúde passa a ser questão de segurança e terá que constituir reservas estratégicas de medicamentos e material sanitário». O mundo será diferente, mesmo nas prioridades governamentais.

Após confirmar que só/sozinho o Governo espanhol apresentou um plano sério para a reconstrução de Europa, Borrell admitiu que as relações com EUA vinham deteriorando-se desde/a partir de a chegada de Trump; e que não cabe esperar um novo Plano {Marshall}, como o que ajudou a recuperar Europa após a segunda Guerra Mundial. Mas nos estremeceu quando, ao responder uma pergunta desde/a partir de a {FAO} em Roma, revelou que «o gerente desse organismo que atende a agricultura e a alimentação no mundo, me expressou seu temor de que nesta crise termine tendo mais mortos por fome que pelo vírus». Demolidor. E reclamou atenção para América Latina, em especial para Haiti, {Centroamérica} e os países que recebem o impacto dos que fogem da situação venezuelana. Surpreendeu ao revelar que na Europa há ajuda disponível mas que o fecho de aeroportos impede sua distribuição em África e outras áreas do mundo.

Tranquiliza ter alguns personagens de alto nível no posto de comando. Ouvi-los permite compensar outros impactos dececionantes. Há sessões no Congresso que melhor que tenham pouca audiência. Poupar em deceções é bom para a saúde pública. A ansiedade também se combate com palavras claras e inteligentes.

*Jornalista.