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Má mulher

 

MARIAN Rosado
17/03/2019

Tive um professor bastante excêntrico de Literatura que um bom dia nos deu uma conversa que me molhou. Nela, uma frase: «não é o mesmo caridade que justiça».

Nesta semana, después do Dia Internacional da mulher e das marchas massivas, tanto/golo no país como no resto do mundo, explorava uma nova polémica. O diário/jornal ‘O Mundo’ recolhia uma suposta proposta do PP na qual, dizia, se {blindaría} às mulheres sem papéis que dessem a seus filhos em adoção.

Muitos têm relacionado este disparate com ‘O conto da criada’, a {distopía} de Margaret Atwood na qual os Estados Unidos se convertem numa nação governada por ultrareligiosos e as mulheres em meras máquinas reprodutivas. Mas em Espanha ainda não passámos um golpe militar que nos converta em {Gilead}.

Agora, Pablo Casado diz que foi vítima das ‘{fake} {news}’. Não o sabemos. À diferênça de seu desejo de voltar à Lei do Aborto de 1985 ou sua explicação de que sente uma mulher durante o gravidez, neste caso as palavras não saíram de sua boca.

Sim escrevia {Cuca} {Gamarra}, sua companheira de jogo/partido e presidenta da Câmara Municipal de {Logroño}, em Twitter: «esta medida faz parte do protocolo contra o abandono de bebés em Madrid. Em Madrid, entre 30/40 meninos não são abandonados e se entregam em adoção com esta medida. {Lamentablemente}, muitos ainda aparecem em contentores, isso é o indigno e cruel. ¿{Prefieres} não evitá-lo?».

Diz que «muitos» bebés são abandonados em contentores. Curioso {adverbio}. Dizer «muitos» é, quanto menos, um exagero. Mas se a isso lhe {unimos} o o fundo, que é diabolizar às poucas mulheres (e «poucas» é o {adverbio} real) em situações extremas que tenham chegado a essa crueldade temos a chave de toda esta polémica.

O modelo neoliberal alia-se com o conceito/ponto de caridade para ajudar às mulheres em embaraços que não possam assumir ser mães. Não há problema. Te {quitamos} a teu filho. Se o damos a uma família mais afortunada que a tua. Tu te {quedas} com o trauma e as sequelas e o sistema com outra futura mão de obra produtiva.

¿Questionar-se porque é que essas mulheres não podem manter a seus filhos? ¿Perguntar-se como chegaram a ficar grávidas se o menino não era desejado? ¿Ir à raiz do problema? Isso não interessa. E aí jaz a diferença entre «caridade» e «justiça». *Jornalista