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A leitura, receita

 

PILAR Galán
09/05/2019

A leitura, já o tenho dito muitas vezes, sou cansativa, deveria receitar-se nos ambulatórios (já não sei se se chamam assim, e isso que é uma denominação linda), e nos centros de saúde, e sobretudo nas consultas de psiquiatria.

Menos {ansiolíticos} e mais livros, poderia ser o mote. Ou pega um livro e {échate} à rua a ler, a sentar-te num banco de um parque qualquer e deixar passar o tempo. Respira. Detenha. Ou em teu própria casa. Deixa de fazer coisas, {céntrate} um pouco/bocado e dedica meia hora à leitura.

Provavelmente no famoso prazo dos vinte e cinco dias te {acostumbras} e o {has} convertido num hábito, como comer são ou lançar-te ao desporto.

A leitura tem mesmo mais benefícios, e é mais barata. Se não {quieres} passar-te pelas livrarias, essas ilhas de resistência, podes aproximar-te às bibliotecas, refúgio seguro. Ou apontar-te a um clube de leitura, a cimeira da dissidência contra a ignorância.

Lê a receita e segue/continua as instruções. Farmácias há por toda a parte, já as tenho enumerado quase todas. E além disso ler apenas tem efeitos secundários, embora isso sim, os que produz costumam ser duradouros e importantes. Não te provocará nenhuma erupção cutânea, nem {picores}, mas sim pode alterar teu visão do mundo.

Também não te provocará transtornos intestinais, embora sim pode que se te remexam as tripas perante algumas páginas, que te {sonrojes}, te {avergüences}, te {enamores} e te {conmuevas} até esse ponto do estômago no qual vais a enterrar a angustia que antes {apaciguabas} com pilulas, e agora {calmarás} com palavras, benditas sejam. ¿E que livros poderão mandar-se? Os que sejam, não vamos a pôr-nos deliciosos com as primeiras doses, se admite tudo tipo de genéricos, já chegarão os medicamentos específicos.

Não esqueçamos também não que para as dores e as alegrias continuam a funcionar os clássicos, os de toda a vida, os que têm eficácia provada.

Para outros, terá que consultar ao farmacêutico, e inclusivamente não está proibido automedicar-se.

Existe um livro para cada sintoma, às vezes, muitos mais.

Entre tantos remédios, terá algum que te salve de ti mesmo, ou do mundo em que {vives}, e que te leve a outros possíveis, diferentes, irrepetíveis, que não podem dissolver-se em água, se tomam antes ou depois das refeições, se usufruem também com o estômago vazio, e te nutrem doutras vidas que não necessitam em absoluto nenhuma maquinaria pesada, a exceção duns olhos, um lugar mais ou menos tranquilo, boa luz e o alma em pousio.

* Professora