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Leiam, agora, mais que nunca

 

PILAR Galán Rodríguez
07/05/2020

Leiam, agora, mais que nunca. Não leiam A peste de {Camus} para que lhes conte o que está passando, mas porque é {Camus}, e é uma obra que deveria ser lida. Não leiam livros para escapar da realidade, porque na leitura, não se cumpre o de que quem procura, encontra, mas acontece ao revés, é o livro o que decide conceder-nos ou não um pausa. Não digam estou lendo agora tudo o que não tenho podido durante estes meses, porque nessa altura demostrarão até que ponto lhes importa pouco/bocado a leitura. Os {libroadictos} necessitam seu doses cada dia, e se não podem tê-la, andam chateados e {cariacontecidos}, esperando o ar fresco da porta aberta de umas linhas.

Pode ser que agora tenhamos mais tempo, mas provavelmente menos sossego, ou não {valoramos} esse bocado dedicado às páginas como deveríamos. Não digam, estou aproveitando para reler o Idealista, como se fora necessária uma quarentena para voltar ao único livro que parecem conhecer muitos dos nossos políticos. Leiam o que queiram. {Echen} de menos as bibliotecas, agora sim, esse luxo que não temos sabido valorizar nunca. Pensem em todos esses livros ali guardados, nos prateleiras cheias de vazios de todos os empréstimos que temos em nossas casas, nos corredores vazios de estudantes e silenciosos sem o rumor maravilhoso de folhas que se passam com cuidado.

Pensem também nas livrarias, nos tesouros que ainda podem comprar por internet nalgumas delas, para não afundar mais um barco bastante tocado. Leiam sem pudor, o primeiro que peguem, o que esteve na moda e não se atreveram, o que nunca vai a estarlo, {desempolven} seus velhos livros da corrida/curso, Sábio, por exemplo, é uma opção magnífica, embora também não tenha que pôr-se estupendo.

Usufruam de Guillermo o travesso, tentem (já se o digo eu, sem êxito algum) partilhá-lo com os seus filhos, ou façam ao revés, leiam o que estão lendo eles. Fujam de sim mesmos durante umas linhas. Se o livro é bom, a viagem será mais longo/comprido, mas às vezes, até uma volta ao corredor serve para esquecer a opressão do angústia. Leiam. Me dá igual que livro escolham. Em todos surge agora mesmo uma convite a usufruir de um mundo paralelo a anos luz da ficção que era nossa realidade não faz tanto tempo.

*Professora e escritora.