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Franco, o fim duma ignomínia

 

25/10/2019

Francisco Franco, o ditador que submeteu ao país durante 40 anos a um regime ignominioso, sanguinário desde o primeiro ao último dia, já não descansa no Vale/cerque dos Mortos, o faraónico {mausoleo} que edificaram milhares de presos políticos e comuns para honrar às vítimas do bando vencedor da guerra civil e em última instância para homenagear ao chamado «Caudilho de Espanha pela graça de Deus». Os restos estão já no cemitério de {Mingorrubio}, num lugar mais adequado, que não tem as características de bem público, embora o panteão tenha sido financiado pelo Estado.

Acabam assim 44 anos de «anomalia democrática» e de «{afrenta} moral», como os descreveu Pedro Sánchez numa declaração institucional. Às palavras do presidente em funções não se lhes pode recriminar nada, embora toda a oposição/concurso público, incluído Pablo Iglesias, tem aproveitado a ocasião para acusarle de «eleitoralismo», a duas semanas das eleições de 10 de Novembro. Acusações sem base porque se a exumação se tem atrasado relativamente a os planos do Governo foi pelo persistente obstrucionismo da família do ditador. Rejeitados todos os recursos judiciais posteriores à autorização do Tribunal Supremo tomada por unanimidade, da que passaram quase dois meses, e vencida a oposição/concurso público do prior do mosteiro, o transferência dos restos se tem executado com discrição e respeitando a intimidade duns familiares que, embora estivessem em seu direito, não têm cessado de obstaculizar decisões democráticas dos três poderes do Estado: legislativo, executivo e judicial. Se a exumação tornou-se em «um circo mediático», como denunciou a família, foi mais bem por suas petições/pedidos extemporâneas e pela protesto de um mão-cheia de franquistas {irredentos} encabeçados pelo golpista Antonio Tejero.

O único lamentável da exumação é que não se tivesse produzido muitos anos antes. Se fez 44 anos depois da morte do ditador, 12 anos depois de/após aprovar-se a lei de memória histórica e um ano depois da validação no Congresso do decreto que permitia o transferência, uma votação na qual PP e Ciudadanos abstiveram-se, que, em casos como estes, equivale praticamente a um voto contra. A tibieza da direita e o desejo posterior à Transição de não remexer o passado, mesmo com governos socialistas, têm grande responsabilidade neste atraso.

A exumação fecha o maior franja pendente da Transição, mas ainda ficam coisas por fazer para que a reconciliação seja completa. Uma delas é o destino do Vale/cerque dos Mortos, onde repousam agora 33.000 cadáveres dos dois bandos. Como propõem alguns historiadores, deveria converter-se num lugar de memória à maneira de {Auschwitz} e outros campos nazis. Outra questão pendente é a reiniciação, com dinheiro público, das escavações de valas da guerra civil, paralisadas durante a etapa de governo de Rajoy. Sánchez prometeu que impulsionará os trabalhos, uma decisão que servirá para fazer justiça e recuperar a dignidade.