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Finais

 

CARLOS Ortiz Pérez
08/04/2019

Se o ruído não nos deixa ouvir, a sucessão de imagens que aturdem nossos telemóveis e redes sociais contribui a pô-lo ainda mais complicado.

No meio da turbilhão de notícias que colapsam telejornais, jornais e informativos, teve uma que nos tirou na semana passada do letargo pré-eleitoral e o monotema catalão: a detenção desse homem em Madrid que ajudou a morrer a sua esposa, de quem tinha cuidado durante anos, para evitar-lhe maior sofrimento.

Não {entraré} em debates morais sobre/em relação a a defesa ou não acerca do direito a morrer dignamente. Nem sequer em se é necessário uma mudança legal para aqueles que querem decidir sobre/em relação a sua vida quando, chegado o momento, não há mais esperança que a dor do dia-a-dia. ¿Para que viver nessa altura? ¿Para que prolongar uma situação irreversível que aumenta o sofrimento de aqueles que rodeiam ao doente?

Temos a sorte de viver numa sociedade em excesso protetor. {Reclamamos} direitos, tantas vezes, que esquecemos noutras muitas nossas obrigações como cidadãos.

Por isso os melhores são aqueles que atrevem-se a pregar com o exemplo em lugar de protestar para esconder sua mediocridade e conformismo.

Por isso a morte pactuada e transmitida desta mulher se converte numa prova irrefutável de que a sociedade vai à frente de a lei, exemplificada neste homem que se tem atrevido a dar a cara e a demonstrar, mesmo a risco de ser tribunal/réu/julgado, que temos de procurar meios para pôr fim a uma situação insustentável. Nem que dizer tem que a vida é a razão de tudo, mas me assaltam tantas dúvidas quando tenho visto sofrer a pessoas maiores/ancianidade às que não saberia que dizer-lhes se passassem pelo mesmo tranze.

Se nos faz difícil a vida quando vemos imagens tão subida em cima. Às vezes legislar em quente não é o remédio, mas quantos de vocês não terão pensado alguma vez como eu: se o mau deve terminar, que seja o quanto antes. O resto é perder o tempo. O dum mesmo e o dos demais.

* Jornalista