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Extremadura em melhoria

¿A que estamos dispostos a renunciar verdadeiramente, não só/sozinho em poses de sala?

 

Extremadura em melhoria -

JESÚS Galavís Reyes
24/10/2019

{Ami} me parece evidente que Extremadura melhorou em sensibilidade até a natureza. Em vez de comer passarinhos fritos nos bares, os {acechamos} para «caçar» seus {trinos}. Até há pouco tempo, nos arroios se pescavam rãs e nos {canchales} se caçavam {lagartos} {ocelados}. Também se cozinhavam como tapas exóticas. Mas felizmente isso já não acontece, passou a ser parte da nossa memória cultural. E há mais: nenhum camponês golpeia o {anca} de um burro com um pau para que aligeire, entre outras coisas porque já {usamos} outros meios para o campo. Se proibiram as brigas de galos --em Cáceres temos a rua {Reñidero} de Galos--, ninguém dispara às cegonhas, se reintroduz o lince e se cura a qualquer ave lesionada no Centro de Recuperação de Sierra de Fuentes.

Parece que {asistimos} a uma Extremadura evoluída, mais respeitosa com seu ambiente. E no entanto, aqui, como em todo o mundo, não {acabamos} de estabelecer claramente uma postura sólida e realista face à produção de energia, à poluição, à alteração do ambiente, a seu {humanización}. Naturalmente, o dilema não é escolher entre mina de {litio} e trabalho, ou desemprego e emigração, mas escolher entre uma economia sustentável que seja capaz de proporcionar trabalhos e outra predadora embora gere trabalhos de forma mais imediata. Mas ¿como? ¿E com que transformações? ¿E com que renúncias? Quanto aos políticos, também não evidenciam uma posição coerente e de longo/comprido percurso/percorrido: o exemplo de {Valdecañas} é o último. Já não é que tenha que derrubar uma condomínio ilegal, mas perguntar-se se aquele lugar tinha os suficientes elementos biológicos e paisagísticos como para declará-la área {protegible}. É imprescindível fomentar debates sensatos, alheios à imediatez política ou às posturas {maximalistas}.

Eu também não o tenho claro. Minha amiga Vitória me comenta que vão a instalar aerogeradores nas serras {hurdanas}. Como precedente, é evidente a deformação estética que supõem estes monstros nos outeiros junto a Plasencia. Também os painéis terrenos são horríveis, e em seu contraste com o sequeiro extremenho, conformam uma imagem surrealista e alheia a nossa conceção dos paisagens próprios. Mas por enquanto, ou isso, ou a nuclear de Almaraz. Ainda não dispomos de umas fontes de energia totalmente limpas, totalmente inócuas e além disso, agradáveis à vista.

Não há espaço mais alterado que as cidades. O meio urbano é uma transformação absoluta do que antes foi natureza. Não obstante, nelas vivemos sem demasiada rejeição, celebrando a beleza de suas praças/vagas, de seus monumentos, a comodidade de seus recém remodeladas ruas, a alegria de suas macrofestas tão sonoras (e tão sujas)… mas ignorando seus poluentes, os {desechos} que {producimos} diariamente. E da mesma maneira, {rechazamos} a mina de {litio} na Montanha, mas parece-nos conveniente construir a autoestrada entre Cáceres e Badajoz: esses quilómetros de novo traçado alterarão um chão que o planeta tem tardado milhões de anos em concluir e ao que nuns meses o asfalto sepultará baixo/sob/debaixo de seu aspeto de lâmina de {chapapote}. Esse é o grande debate, decidir se podemos continuar a crescer com o modelo atual, mantê-lo, ou temos de detê-lo, optar por alternativas como a do «crescimento zero» que não supõe, em princípio, renunciar a tudo o bom que nos proporciona a ciência e a técnica do nosso século.

Da janela de meu casa, em Descargamaría, contemplo a encosta da serra dos Anjos, muito perto de onde se supõe instalarão esses moinhos gigantescos. Trato de imaginar o estrago paisagístico, a rotura/quebra da imagem ancestral que se tem destas montanhas na região. Mas ao mesmo tempo, mantenho a televisão ligada e me dou conta de que está consumindo eletricidade. E a frigorífico, e o termo com a água quente para a duche de amanhã... ¿Que eletricidade estou utilizando, a limpa ou a suja, a boa ou a perversa e poluente? ¿A que estamos dispostos a renunciar verdadeiramente, não só/sozinho em poses de sala? Sou nesses momentos uma mera contradição.

*Catedrático de instituto/liceu jubilado.