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Enquanto dure a guerra

 

PILAR Galán
24/10/2019

{Unamuno} era um vermelho, afirma um jovem depois de/após ver Enquanto dure a guerra, a última de Amenábar, um filme que deveria ser vista por todos os estudantes. Não, não era um vermelho, era de direitas, ¿Não {has} especialista/conhecedor que apoiou a Franco? -lhe responde outro. Poucos são os que descobrem a um homem sábio cheio de contradições, que soube levar a sua vida e a sua obra o paradoxo de enganar-se e ter razão ao mesmo tempo. Não se calava nada, diz outro. E meteu-se com o rei, com Franco, e com o da legião. E eu vejo-os discutir sobre/em relação a essa parte da história de Espanha que apenas se ensinava em meus tempos, e penso que pelo menos tem merecido a pena. Apesar das críticas, acima do enorme trabalho de {Karra} {Elejalde}, e dos vazios narrativos e as lacunas/lagoas históricas, se o cinema serve para que os estudantes falem de {Unamuno}, bem-vindo seja. O que está claro é que não funciona sublinhar o livro e anotar que escrevia {nivolas}, e dar-lhes Nevoeiro a pau seco, para que façam um trabalho de dois folhas com seus personagens, seu estrutura e uma opinião pessoal de dez linhas na qual quase todos respondem se sem acento à pergunta de se lhes tem gostado o livro, mais que nada porque quase nenhum atreve-se a dizer que não. Poucos manuais são capazes de apresentar a um intelectual derrotado, maior, cansado que sobrevive com suas contradições e sua perplexidade num mundo que já não entende. Levar aos jovens ao cinema, dar-lhes de ler, deixar que leiam o que escolham, explicar-lhes história, não datas e dados, é um antídoto face ao doutrinamento. Todos nos levámos as mãos à cabeça quando temos lido que nalguns congressos se dizia que Colón e Cervantes eram catalães. Todos, {reconozcámoslo}, nos temos rido. Agora que o doutrinamento e a falsificação e desconhecimento da história tem enchido as ruas de vândalos, nos faz bastante menos graça. Educar como medicina preventiva. Saber, conhecer, descobrir que se pode ser sábio e cair em contradições e enganar-se, e até retificar. Logo se disse {venceréis} mas não {convenceréis} ou algo parecido, é o de menos. É um filme, não um livro de texto, mas pode ajudar a que os alunos saibam algo mais. Isso nunca é mau. Levantar a voz e protestar também não o é, só/sozinho que temos de fazê-lo com conhecimento de causa, não com a mesma força bruta que criticava {Unamuno}; mas eu não queria falar de Catalunha, mas do filme de Amenábar. Uma coisa me levou à outra, realidade e ficção, como sempre, neste caso as duas caras duma mesma barbárie.

*Professora e escritora.