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Educar

 

PILAR Galán
22/08/2019

Ninguém te diz que educar a um filho valida quarto de filologia trilingue e um master de aeronáutica, sem passar pela {casilla} de saída. Ninguém te adverte de que tens que educá-lo para o mundo e contra o mundo, num difícil equilíbrio que se parece mais por volta das um faca que a uma corda frouxa.

{Debes} ensinar-lhe habilidades sociais, empatia, a comer sem fazer ruído e sem falar com a boca cheia, a lavar-se os dentes, a cozinhar e desenvolver-se só/sozinho, a preencher uma matrícula, um exame, a partilhar um livro, um filme, um tipo de música que às vezes parece que vos separa, a não fazer mal e não deixar que se o façam, a ser respeitoso, a ouvir aos maiores/ancianidade, aos débeis, a fazer-se a cama, preparar-se uma mochila, recolher os pratos, não fumar, ceder a passagem, a diferença entre o vermelho e o verde dos semáforos, as letras {picudas}, a não sair-se nos desenhos nem deixar vazios brancos, {ventanitas} e {bigoteras}, que tivesse dito minha mãe, e diz agora sua professora.

A lista das coisas que devem ensinar-se para que aprenda a convivir esgota, mas esgota muito mais o esforço de pôr-lhe a salvo desse mesmo mundo no qual deve saber relacionar-se. Não te {dejes} convencer, argumenta, não passa nada se {has} engordado ou {adelgazas} ou {llevas} óculos ou {cojeas}. Não é um crime gaguejar, nem ser mais lento, nem não ser o primeiro da classe. As notas às vezes não refletem o que um vale nem o são tudo na vida. O aspeto físico não deve condicionar teu opinião sobre/em relação a os demais. Ninguém é ilegal, nem mais que outros.

Roubar continua a ser um delito embora se trate do dinheiro público. Mentir, também. Não é não, e o que é válido para os homens também o é para as mulheres. Ninguém vem de fora a retirar-te o trabalho. Todos os nacionalismos se curam lendo e viajando, que além disso são atividades com outros muitos efeitos secundários, todos benéficos. As fronteiras são sempre arbitrárias, até as mais íntimas. E tudo isto, esta {diminuta} lista, não te garante nada.

{Educas} para o mundo e contra o mundo, para convivir e para distanciar-se, e apesar de tudo, sempre fica a dúvida. Menos mal que ninguém te fala disto, nem te o adverte, nem te o aconselha, não sei se por um acordo tácito, ou porque no fim culminar uma tarefa como esta leva também implícitos um certo reconhecimento, algo parecido à felicidade do trabalho bem facto/feito, e sobretudo, uma dose considerável do benfeitor esqueço.

* Professora