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Dinheiro nos bolsos

Com que estado mental e monetário vai sair as pessoas amanhã à rua

 

Dinheiro nos bolsos -

ARACELI R. Robustillo
10/05/2020

Nos abrem as portas. Não de par em par, mas é tanta o ânsia de liberdade que tudo parece possível de novo. E como estamos em Maio e o ar cheira a primavera, o que mais e o que menos o tem tudo pronto/inteligente/esperto para sair amanhã à rua a comer-se o mundo. Extremadura estreia esta segunda-feira a fase 1 de {desescalada} e com isso recupera, embora de forma diminuída e ‘monitorizada’, atividades sociais, culturais, desportivas e até turísticas que durante semanas foram uma pura quimera.

Conseguidos os objetivos a nível sanitário, graças a um respeitado esforço da maioria, o confinamento toca a seu fim e parecesse que nos tivesse tocado a lotaria. Mas não nos {engañemos}, porque esta saída, que em muitos casos será debandada, não é gratuita, tem como principal objetivo tentar reativar uma economia que também está em cuidados intensivos.

O que não tenho muito claro é se alguém se tem desempregado/parado a pensar em que estado mental e monetário vai sair as pessoas à rua. As redes sociais estão cheias de mensagens que nos convidam a consumir produtos espanhóis, priorizar os negócios do nosso bairro ou viajar e dormir em terra pátria para aliviar a desastre causada pelo coronavirus. Mas para isso faz falta a alegria de um bolso cheio e uma confiança no futuro que hoje ninguém nos tem conseguido vender.

Nos temos cansado de ouvir que pintam {bastos} e a estas alturas da tragédia, todos somos conscientes de que de esta não nos vamos a recuperar cedo. Não somente perdemos um {irremplazable} capital humano de quase 30.000 almas, milhares de negócios têm fechado e com eles seus empregados se ficaram sem estreitamente. Os refeitórios sociais se têm enchido de pessoas que antes se considerava classe média acomodada e a realidade é que ninguém sabe como vamos dar-lhe a volta à omeleta.

Que de imediato {volvamos} a poder/conseguir sair a tomar uma cana a um terraço que tem autorizada somente o 50% da ocupação não vai a resolver nada. Faz falta liquidez. Dinheiro nos bolsos que nos faça pensar aquilo de ‘um dia é um dia’ e já veremos o que é que se passa amanhã...

Em Irlanda, o primeiro-ministro em funções (não se conseguiu formar Governo desde/a partir de as passadas eleições de 8 de Fevereiro) aprovou na altura própria um pacote de ajudas por valor de 3,7 {billones} de euros num quadro temporal de 12 semanas, para paliar os efeitos do coronavirus na economia. A ajuda permite que todos aqueles que tenham perdido seu emprego por esta causa, também os trabalhadores independentes, recebam uma ajuda de 350 euros à semana livres de impostos.

De maneira que na ilha esmeralda, a população espera com ânsia e os bolsos cheios de euros a abertura de bares e restaurantes, lojas e não digamos o aeroporto. Alguns ganham mais agora que quando trabalhavam. ¿Como vai ser o mesmo? As penas com pão som menos. Que tomem nota nossos políticos.

*Jornalista.