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Desigualdade e pobreza na Espanha atual

 

15/02/2020

Duas semanas em Espanha lhe bastaram ao {relator} da ONU de pobreza severa, Philip Alston, para detetar o que faz muito tempo vêm denunciando as entidades sociais. Seu relatório/informe é um contundente revés à gestão política dos últimos anos. Um país «quebrado» que «preferiu fazer políticas para os ricos antes que para os pobres», em palavras do próprio Alston.

Na última década, a exclusão social tem crescido em Espanha seis pontos, enquanto as classes mais altas se têm enriquecido e pagam a metade de impostos. «Se tem governado para os mais ricos», enfatiza o relatório/informe. Espanha está «à cauda» de Europa em redistribuição da riqueza. Um país rico no qual uma percentagem inusual de população tem dificuldades para sobreviver. Um país que se recupera da recessão sem restaurar os serviços públicos recortados. A lista dos problemas é longa: pobreza generalizada, alto nível de desemprego, crise de habitação, inadequado sistema de proteção social, fiscalidade que ampara aos mais ricos, alta taxa de abandono escolar prematuro (o pior da União Europeia)... Ao fim, uma política que durante anos esqueceu-se do bem-estar das pessoas. Os números são ilustrativos. No 2018, o 26,1% da população em Espanha --o 29,5% dos meninos-- encontrava-se em risco de pobreza ou exclusão social. Por coletivos, o relatório/informe destaca a desatenção aos imigrantes, as mulheres, os habitantes em zonas rurais, as trabalhadoras domésticas e as pessoas com deficiência. Especialmente alarmante são as condições dalguns acampamentos de imigrantes, que sobrevivem em condições «muito piores que um acampamento de refugiados».

Alston indica algumas medidas para combater a desigualdade, como intervir o mercado dos alugueres, fazer extensível o regulamento que já aplicam algumas regiões para impedir cortes de luz, criar uma rendimento mínima única em todo o Estado e melhorar o mercado laboral.

O relatório/informe é duma grande dureza, mas não revela nada que não tenha sido denunciado por muitos. O {relator} centra sua esperança no novo Governo e seu acordo/compromisso com as políticas sociais. A gravidade da situação deveria ser suficiente para conseguir os apoios necessários para reverter-la.