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Com o ego pela frente/por diante

 

MARIO Martín Gijón
23/11/2019

O regresso de Luis Enrique como selecionador de Espanha, para recolher os frutos do trabalho de Robert Moreno, põe de novo sobre/em relação a o pano o que é, a meu juízo, um dos piores defeitos espanhóis e de outros povos/povoações latinos (excetuando, se calhar, aos portugueses): o personalismo desmesurado, que põe a muitos {anteojeras} e lhes faz cuspir sobre/em relação a o interesse/juro geral ou das ideias que supostamente professam.

Todos nos {conmovimos} com a tragédia vivida por Luis Enrique, a mais dura que pode viver um ser humano. Como dizia o romancista {Menéndez} Salmão em Meninos no tempo, {llamamos} «órfão» a quem perdeu a os seus pais, mas nem em espanhol nem na maioria de idiomas existe um termo para designar a quem perdeu ao filho: as palavras se revelam impotentes para designar o que contravem a principal das leis da natureza.

Por isso se aceitou que deixasse a seleção, e o erro, claro, foi deixar-lhe a porta aberta para que {regresara} quando quisesse. Curiosamente superou o duelo justo quando a seleção dirigida por Moreno acabava-se de classificar para a Eurocopa. O presidente da Federação, Luis Rubiales, tratou a Moreno com o mesmo desprezo que a Fernando Hierro, com o agravante de que o segundo, embora tentou tirar as castanhas do fogo, fracassou no Mundial. O mas dos nossos futebolistas é estar dirigidos por egoístas, e se esquece que seus maiores/ancianidade triunfos os obteve com Vicente del Bosque, um homem cujo carácter era bem pelo contrário, como o Real Madrid obteve mais triunfos (e esperemos que os siga/continue conseguindo) com o simples Zidane que com o narcisista Mourinho.

Em todas partes {cuecen} favas, certamente, mas aqui parece que se {cuecen} mais. Não por nada o caciquismo em Espanha, e o {caudillismo} em Hispano América, são flagelos endémicos, e aqui, ao contrário que noutros sítios, quase ninguém demite-se salvo caso extremo (e ainda há aqueles que elogiam a Ribeiro por fazê-lo: ¿lhe ficava outra?). As lutas de egos substituem ao debate sobre/em relação a questões objetivas e agora Casado começa a deixar cair que apoiaria ao PSOE se lhe entrega a cabeça de Sánchez, como na altura própria a {CUP} (os catalães, quanto a carácter, são iguais ao resto de espanhóis) pediu a cabeça de Artur Mas. Disso trata-se, não de debater políticas, mas de cortar/fechar cabeças e ficar em cima do outro. Assim se vingaria de que o outro lhe tem derrotado largamente duas vezes seguidas/continuadas. Naturalmente, oferecer sua cabeça o líder do PP, em interesse/juro do seu partido, ou mesmo de seu país, nem se lhe passa pelas {mientes}, como também não, quando pedem que o PSOE não governe com partidos nacionalistas em Navarra ou a Assembleia provincial de Barcelona, se apresentam eles deixar de governar com a extrema-direita em Madrid, Múrcia ou Andaluzia.

No mundo laboral, também o personalismo {campa} por seus respeitos. Já nos gostaria que nas universidades se discutissem questões {bizantinas}: mais bem são questões de com {Fulanito} ou com {Menganito}, e de demonstrar quem manda. Lembrança entranhável o desses catedráticos checos ou alemães que iam à faculdade em bicicleta e tentavam que se decidisse tudo por consenso. Aqui, vão em {cochazos} e velam pela hierarquia. Se dão cenas de prepotência dantesca, como a de um professor titular que arrebatou a cadeira que levava anos dando um colega porque lhe apetecia dá-la a ele, pondo seu ego (por não dizer outra coisa) em cima da mesa. Após dá-la um curso se cansou, e passou a fazer-lhe a {jugarreta} a outro colega, um pobre associado.

Proponho, portanto, a criação de um novo título superior: o {MEMO}, ou Master Espanhol em Modéstia, de estudo obrigado para trabalhamos/trabalhámos na esfera pública: políticos, literatos, desportistas e pessoas da {farándula}. O difícil será encontrar aos professores.

*Escritor.