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Cimeira vaticana sem soluções

 

27/02/2019

A histórica cimeira do Vaticano convocada pelo Papa Francisco para lutar contra a pedofilia e os abusos infantis na Igreja Católica tem acabado com frases altissonantes e {compungidas} mas com muito poucas medidas efetivas, uma solução que era previsível e que gerou críticas em muitos sectores, especialmente entre as vítimas. A reunião de 190 representantes da hierarquia, entre eles os presidentes das Conferências Episcopais, gerou um grande alvoroço porque era a primeira vez que a Igreja se {conjuraba} de maneira {colegial} contra um flagelo que afeta profundamente à credibilidade da instituição. A celebração do encontro pontifício vinha acompanhada de um enorme desdobre mediático e da presença, nas sessões e fuera do quadro vaticano, de numerosos testemunhos de umas práticas {execrables}, repetidas em todo o mundo e a maioria das vezes silenciadas pela própria Igreja. Ao começar a cimeira, o Papa Francisco anunciou solenemente que «não se espera de nós simples e óbvias condenações mas todas as medidas concretas e eficazes que se requeiram». Ao mesmo tempo, no entanto, também advertiu sobre/em relação a a geração de excessivas expectativas.

Finalmente, a cimeira terá servido para «transformar o mau em oportunidade de purificação», como disse o Pontífice no seu discurso de encerramento/encerra. Isto é, uma espécie de exercício espiritual de {contrición} mas sem mais resoluções que vagas referências a futuros decretos ou instruções às diocese.

Os prelados mais ativos contra a pedofilia e o encobrimento advogavam pela rendição de contas, por abolir o secreto pontifício, os juízos opacos e as normas processuais que deixam indefesas às vítimas, por acabar com o abuso de poder, por uma tolerância zero e por obrigar a os bispos a denunciar os casos à justiça ordinária. Como disse o arcebispo {Coleridge}, de {Brisbane}, «as vítimas têm que estar no centro da Igreja e não ao revés».

Não foi assim. Mais além do anúncio de umas diretrizes a concretizar, do acompanhamento às pessoas e de críticas genéricas a um pecado universal, instigado pelo diabo, ou de {proclamas} contra a pornografia e o turismo sexual, o resumem da cimeira se cifra num vago «mudança de mentalidade». Completamente insuficiente perante o oceano de casos nos que se vê envolvida a Igreja.