+
Accede a tu cuenta

 

O accede con tus datos de Usuario El Periódico Extremadura:

Recordarme

Puedes recuperar tu contraseña o registrarte

 
 
 

De campanhas e outras mentiras comerciais

Os cidadãos não deixámos de ser uns ingénuos clientes dispostos a deixar-se enganar por umas mais ou menos sofisticadas técnicas de ‘merchandising’

 

De campanhas e outras mentiras comerciais -

JUAN Fernández Sánchez
22/08/2019

Imersos como estamos numa incessante campanha eleitoral, não está de mais {recordar}, para compreender as sinuosas táticas dos candidatos, o sucedido em 1934, no estado da Califórnia. Mais nomeadamente, o duelo eleitoral entre o candidato republicano, George Hatfield, e o democrata, {Upton} {Sinclair}. Contra tudo prognóstico, este último, procedente das filas do socialismo, tinha ganho as primárias do Jogo/partido Democrata e se tinha convertido num perigoso rival para a {plutocracia} californiana. Com só/sozinho dois meses pela frente/por diante, antes da votação, os republicanos tiveram que improvisar uma estratégia para conseguir o triunfo de seu líder.

Pela primeira vez na história das campanhas eleitorais, uma consultoria política, {Campaigns}, {Inc}., fundada só/sozinho um ano antes por {Clem} {Whitaker} e {Leone} {Baxter}, recebeu o encomenda de assumir o controlo de toda a máquina eleitoral, que incluía o {pergeño} da estratégia, a organização de eventos, a publicidade e a supervisão financeira. Dispunham de um generoso orçamento para isso e a fé que o usaram a consciencializa. Seu manual de instruções era do mais saboroso. Tratava-se de conseguir um eixo temático sobre/em relação a o que girasse toda a campanha e de seguir/continuar uns conselhos básicos: lançar mensagens simples, não dar explicações, repetir {machaconamente} uma ideia, evitar a complexidade e personalizar os ataques. ¿Lhes soa?

Também lhes soarão estas outras artimanhas, já usadas nessa altura: o uso da {hipérbole}, o estigma, a {caricaturización} do adversário, a exploração dos medos primários e os preconceitos. Uma última estratagema se nos vem à mente ao ouvir a alguns candidatos do panorama nacional falar do {sanchismo}: {Whitaker} e {Baxter} aconselharam ao seu cliente que não mencionasse nos seus discursos ao Jogo/partido Democrata como tal, mas falasse do {sincliarism}.

Esta pioneira consultoria política, foi também contratada com sucesso pela Associação Médica Californiana, primeiro, e a Associação Médica Americana, mais tarde, para opor-se a {sendos} projetos do governador {Warren} e do presidente {Truman} para implantar um sistema sanitário de Segurança Social. Desnecessário esclarecer que ambas propostas foram finalmente derrotadas, apesar do entusiasmo inicial com que foram acolhidas pelo eleitorado.

Tudo isso confirma que a política faz tempo que tornou-se numa mercadoria e que os cidadãos não deixámos de ser uns ingénuos clientes dispostos a deixar-se enganar por umas mais ou menos sofisticadas técnicas de merchandising, nas que uns candidatos com um aspeto impecável de chefe de planta de centro comercial, se esforçam com {denuedo} por convencer-nos das maldades do competidor mais que por vender-nos as bondades de sua própria mercadoria, muitas vezes intercambiável.

Como se não bastasse, contam para seus objetivos com as novas tecnologias. A omnipresente e todo-poderosa televisão, junto à rádio e a imprensa escrita, tem ido perdendo inteiros nos últimos anos, para dar lugar a meios muito mais imediatos e herméticos que se escapam ao controlo e a fiscalização das instituições públicas. Em relação a isto, foi especialmente rentável para seus interesses o uso de Facebook por Donald Trump nas últimas eleições americanas: conseguiu que uns milhares de potenciais votantes democratas se ficassem em suas casas. Essa foi a chave.

*Escritor.