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Ato de Estado democrático

A história é terrível naquela coluna de {Yagüe} que arrasou Extremadura

 

Ato de Estado democrático -

JOSÉ L. Aroca
27/10/2019

A extração do corpo de Franco, e seu {inhumación} posterior num cemitério ordinário, é uma normalização democrática, tardia entre outras coisas porque ninguém atreveu-se a abordar-la com anterioridade, mas muito valiosa porque se derruba uma das irregularidades com surdina que nos conetam com décadas tristonhas e inapresentáveis duma Espanha que recuou na história enquanto o resto da Europa e do mundo se recuperavam moral, democrática e sobretudo economicamente das sequelas da depressão dos anos 30 e a catástrofe dos fascismos no velho continente.

Não se lhe têm rendido honras, como alguns disseram, honras lhe rendeu o regime {autocrático} em seu dia quando morreu, aquilo foi um funeral de Estado, com a capa sinistra de {Pinochet} fazendo sombra na praça/vaga de Oriente de Madrid num começo de outono, como o de agora, mas faz já 44 anos.

Não me {importuna}, e inclusivamente me {agrada}, que possa o de agora ter sido um ato de Estado, mas um ato de Estado democrático, uma das muitas dívidas pendentes que por fim se tem saldado, só/sozinho um símbolo pequeno ao lado dos milhares de assassinados sem nome, os vencidos, que ainda andam espalhados por valetas, poços mineiros e outras valas comuns. Sim, um Estado moderno e democrático tem tudo o direito a oficializar e {solemnizar} este ato de justiça e normalidade que dá com os ossos do ditador no lugar privado no qual sempre deveu estar.

{Malamente} se lhe poderiam render honras, e não se fez em absoluto, ao professor dos horrores. Sem ir mais longe, e dentro da nossa fronteira regional, um livro sobre/em relação a a Guerra Civil em Mérida, publicado faz um par de anos, estima, segundo testemunho do filho do médico que assinava as atas de defunção após os fuzilamentos na mura do cemitério, entre cinco mil e seis mil as fichas individuais que {consignaban} nome, idade, procedência, profissão, e o facto/feito da morte.

A história é terrível naquela coluna de {Yagüe} que arrasou Extremadura desde {Sevilla} e recebeu ordens do quartel-general de Franco de não deixar não um inimigo, mas nenhum suspeito de sê-lo, ou simplesmente {desafecto}, na retaguarda, uma vez tomadas as povoações e seguida/continuada sua marcha até Madrid as colunas rebeldes, às que se uniu em Mérida o núcleo de rebelião {triunfante} contra a República que foi Cáceres capital.

Nem se fez justiça com as vítimas, desde o ponto de vista de suas mortes, e também não desde o ponto de vista de bens confiscados ou diretamente roubados. São muitas as cadeiras, e muito fortes, pendentes de aprovar embora seja com um cinco raspado. Portanto a vergonha dos restos do ditador sepultados de forma sagrada num lugar público e monumental, é uma ínfima embora simbólica vitória da democracia, e uma limpa de consciencializa de Espanha com seu passado.

Algo deveriam dizer, e sobretudo fazer, 44 anos depois, o Rei emérito e o atual rei sobre/em relação a a {pervivencia} de um título nobiliário como é o Ducado de Franco. ¿Resistiriam Alemanha ou Itália a existência de um ducado de Hitler, ou de Mussolini?

A esquerda espanhola, {concedamos}, poderá ser sectária, infantil; mas a direita –deixemos à parte a extrema direita atual {rampante}, {vocinglera}, {bravucona} e quase brigão, que não vem mas a sustentar seu novo quiosque- perdeu outra oportunidade para provar ser democrática, ao não apoiar, aprovar e normalizar um facto/feito como a exumação de Franco, e assim diminuirle à ação de Pedro Sánchez qualquer tinja de eleitoralismo, porque teria sido um conquista e triunfo de todos.

Que me digam como vai ser possível uma estabilidade para o futuro governo, um acordo imprescindível sobre/em relação a pensões, política laboral, etc., no qual as principais forças de esquerda e direita sejam colunas, se esta última {deserta} de algo que noutros países, também latino-americanos, têm superado como é o enterro em todos os sentidos de seus ditadores.

* Jornalista