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Assassinatos e mortes

Quando um assassinato salta aos meios se costumam produzir desajustes entre os factos/feitos e a maneira de contá-los

 

AMADOR Rivera
28/03/2019

Num tempo tão complexo como este, informativamente falando, as coisas não são sempre o que parecem ou, por dizê-lo melhor, como nos as contam. {Objetivamente}, quando uma pessoa morre a mãos doutra, num primeiro momento só/sozinho saberemos isso, que alguém tem morto; e como. A partir de aí, os Meios nos farão chegar os detalhes; não sempre com o rigor necessário devido às pressas por ser os primeiros em contá-lo. Contra da imediatez que {reclamamos}, será muito mais tarde quando os tribunais de justiça sentenciem se trata-se de um assassinato, um homicídio, um homicídio imprudente; ou um acidente.

No tempo que passa entre os factos/feitos e a sentença, {escucharemos} muitas teorias e notas para o acontecimento em questão. E não sempre inocentes, porque o que se deu em chamar «sentenças de telejornal» dependem, em muitas ocasiões, de quem seja o que mata mas, também, da identidade do morto.

Desde meu ponto de vista, quando um assassinato salta aos Meios de Comunicação se costumam produzir alguns desajustes entre os factos/feitos e a maneira de contá-los. Nuns casos, porque intervêm os interesses de poderes ocultos, que não vemos mas que estão muito presentes. Noutros, por razões mais prosaicas, como as audiências. Também, porque é que não dizê-lo, atendendo a a ideologia de cada um deles, disfarçada de linha editorial.

Para ilustrar o que digo me vou a referir a dois assuntos nos que não costuma ter demasiada neutralidade. O primeiro tem a ver com o que {llamamos} conflito palestiniano israelita. Em meus anos de exercício profissional, e agora como simples recetor de notícias, me chama a atenção que, quando morre um palestiniano por disparos do exército israelita, a maioria dos Meios espanhóis costumam titular que um palestiniano «tem morto», como se lhe tivesse dado um enfarte, enquanto se é um palestiniano o que mata a um israelita, essa morte se qualifica sem mais de assassinato terrorista. Aqui, como noutros assuntos de atualidade digamos global, não costuma ter médias tintas.

Sim as há quando a morte não está relacionada com um conflito tão incrustado como este. Nos casos de assassinato de pessoas anónimas, a linha editorial, ou ideologia como disse, costuma ser determinante na hora de contar e {adjetivar} o acontecido. Sobretudo, porque em assuntos mais domésticos, especialmente se são impactantes, alguns Meios, Televisões sobretudo, convertem os assassinatos em espetáculo. Em muitas ocasiões, ajudados por alguns políticos, que enredam para tentar levar a água ao moinho de seus interesses; para além dos votos dos incautos. Especialmente em períodos eleitorais como o atual.

Sobre/em relação a este assunto, o {manoseo} da dor alheio com fins partidaristas, estive refletindo estes dias, observando alguns contrasentidos evidentes. Como no caso do conflito palestiniano israelita, me indigna que não se trate o mesmo a todas as vítimas; nem a seus assassinos. Sobretudo, se a vítima é uma mulher.

Me chama poderosamente a atenção, mas não me estranha, que quando um indivíduo assassina a uma mulher desconhecida, os apóstolos políticos do castigo exemplar e {ejemplarizante} se {desgañiten} pedindo a prisão permanente {revisable} para o alegado assassino. A nenhum deles lhe tenho ouvido pedir o mesmo castigo para o animal que mata a seu casal/par ou ex casal/par. Nestes casos, demasiados sem dúvida, muitos políticos se limitam a guardar um minuto de silêncio para, seguidamente, negar-se a qualificar esses assassinatos como machistas e, nalguns casos concretos, propor em paralelo a derrogação da Lei de Violência Machista.

Aqui, ao tratar-se de políticos profissionais, entra em cena a ideologia; sem subterfúgios nem fingimentos. Uma ideologia nada respeitável em minha opinião, pois põe ao descoberto o conceito/ponto que muitos têm sobre/em relação a as mulheres. Porque pedir prisão permanente {revisable} (com a que não estou de acordo, nem está na Constituição que estes mesmos dizem defender) para o assassino duma mulher desconhecida e não pedir-la para o assassino de seu casal/par (e mãe dos seus filhos nalguns casos) me leva a afirmar que, aqueles que assim atuam, pensam que quando um homem se {empareja} com uma mulher, esta lhe pertence. Naturalmente, ninguém o admitirá, mas parece bastante claro que assim é.

*Jornalista.