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¿{A-43}? Deixá-lo correr

Fomento opta porque Extremadura e Castela-A Mancha se ponham de acordo antes de decidir o traçado da Autoestrada de Levante

 

¿{A-43}? Deixá-lo correr -

ANTONIO Cid de Rivera
27/10/2019

Quando era pequeno tinha que partilhar muitas coisas com meu irmão. Por isso, ambos sabiamos de antemão que antes de ir a pedir-los algo a nossos pais devíamos chegar com o assunto acordado. Se eu pedia ‘A’ e meu irmão ‘B’, meus pais o tinham claro: não faziam nada até que nos puséssemos de acordo. Era uma estratégia perfeita para a {inacción} e a poupança de dinheiro. No fim, um dos dois sempre cedia, caso contrário o desejo morria no sono/sonho dos justos até dissipar-se da nossa imaginação. Pois bem, esta maneira de proceder, a qual não deixa de ser uma curiosidade infantil, é a que decidiu adotar o governo ou mais nomeadamente o Ministério de Fomento em relação à futura Autoestrada de Levante: que Extremadura e Castela-A Mancha se ponham de acordo sobre/em relação a o traçado que querem. Caso contrário, os trâmites sobre/em relação a o estudo informativo nem darão começo, a dormir o sono/sonho dos justos.

Governar implica tomar decisões. Esta frase tão óbvia às vezes se esquece, sobretudo quando os administrados resultam da mesma corda ou o mesmo partido político e não há maneira de pô-los de acordo.

A autoestrada de Levante ou a {A-43}, no que diz respeito ao troço compreendido entre Mérida e Ciudad Real, está nos papéis, isto é, nos Orçamentos Gerais do Estado, desde 1996. No entanto, 23 anos depois, continua na mesma que nessa altura, sem nem um só/sozinho quilómetro desdobrado. Pode que tivesse outras prioridades, como a Autoestrada da Prata, por exemplo, que se completou em 2008, mas chama a atenção que, após diferentes governos e de diferente signo político, não se tenha facto/feito apenas nada e agora que parece que alguém toca arrebate, resulta que também não até que as duas comunidades se ponham de acordo.

A batata quente do governo difícil de digerir e, por isso, o deriva ao entendimento dos dois territórios, mas o papel da Junta de Extremadura é bastante mais complicado.

CASTELA-A MANCHA o tem claro: quer o denominado traçado sul para que a futura autoestrada passe por {Puertollano} e {Almadén}, dois de suas cidades mais povoadas. No entanto, Extremadura o tem mais difícil ao ver-se obrigado a optar entre dois de seus territórios: o norte (a zona da {Siberia}, onde houve até mobilizações dada a alta sinistralidade da atual estrada N-430), ou o sul (na Serena, onde há um {porrón} de municípios como Castuera ou Cabeza del Buey que o demandam ao ver-se primados em sua conexão com Valência ou Lisboa).

O governo regional extremenho decidiu calar por enquanto. Agora não toca, assinalou. Há eleições à volta da esquina e não se trata de enfrentar a dois territórios governados maioritariamente pelo mesmo jogo/partido, o PSOE. Digamos que este tempo não é propício para decidir e muito menos se isso leva preparado contentar a uma parte mas zangar seguro à outra.

Mas devem esquecer-se de que governar à carta é impossível. Nunca se pode atuar seguindo/continuando o ritual de {Poncio} {Pilatos} de lavar-se as mãos e deixar que o povo/vila decida para salvar seu consciencializa. Devem aplicar-se critérios técnicos e operacionais e depois atuar. Com todas as consequências. Caso contrário, se abrirá um conflito de interesses impossível de solucionar.

Se se ouvem os raciocínios ou argumentos de ambos traçados, os dois têm parte de razão. No entanto, na parte norte existe um problema acrescentado é que esta estrada suporta um trânsito de 4.500 automóveis e 800 veículos pesados cada dia, ao mesmo tempo que é cenário de diferentes acidentes mortais cada ano, bem como saídas de via e acidentes de menor envergadura praticamente todas as semanas. Com isso quero dizer que se se optasse pelo sul para atender, por exemplo, a um critério de população e de passagem contentar a Castela-A Mancha e assim sair do atoleiro que apresenta Fomento, teria que dar-lhe algum tipo de solução ao norte. Um desdobramento extra ou um traçado novo. Caso contrário, teríamos uma maravilhosa autoestrada pelo sul, mas um problema de intenso trânsito e sinistralidade pelo norte. Em resumidas contas, um pão como uns bolos.

Me {temo} que vamos seguir assim, à espera, muito tempo. Primeiro porque não há governo estável para tomar decisões e muito menos se estas devem ser firmes e não populares. E segundo porque, como com o comboio, até que não tenha uma exigência unânime e regional em torno de uma questão, o governo se despista e mira para outro lado. Não digo nada se, em cima, estão implicados dois territórios onde governa o mesmo jogo/partido e um deles já escolheu e facto/feito pública sua opção. O melhor: apresentar um cenário de debate, de busca de consenso e deixá-lo correr. Total, assim levamos 23 anos desde que a alguém se ocorreu-lhe incluir a obra nos Orçamentos Gerais do Estado.