+
Accede a tu cuenta

 

O accede con tus datos de Usuario El Periódico Extremadura:

Recordarme

Puedes recuperar tu contraseña o registrarte

 
 
 

2019: o ano da eclosão

As soluções que se aplicaram no ano 2008 já não cabem porque não há margem

 

ALBERTO Hernández Lopo
04/01/2019

Quando há dois anos e meio {empecé} a ler análise sobre/em relação a a recessão que vinha (e o tipo de crise que ia a acarretar), minha primeira reação foi de incredulidade. Bastou entender que os mecanismos que motivariam esta crise eram os mesmos que tinham funcionado como solução à anterior para, simplesmente, render-me à evidencia. Vinha uma gigantesca onda em forma de turbulência financeira. A única questão era quando.

Enquanto, o que era leitura para iniciados se fez, em certa forma, de comum conhecimento. Para que os que leiam habitual (ou {circunstancialmente}) esta coluna não lhes será tão estranho: há dois anos que se relatou que estávamos imersos no final do ciclo económico de crescimento. Mas o certo é que, como me passou a mim num primeiro momento, em Espanha apenas se assumiu esta ideia.

Na verdade, era uma postura lógica. Estamos «desenhados» para entender melhor o curto prazo, e não se avistava um paralisação no crescimento do país em 2-3 anos. Por outro lado, {tendemos} a confiar sempre numa melhoria das condições, especialmente quando os sinais são todas positivas ou nos afetam diretamente. Subida acreditar/achar-nos que vai haver um giro/gracioso, porque o entusiasmo e a confiança não se transferem, mas se contagiam.

Mas se {echamos} um vista de olhos às grandes recessões do último século (o {crack} de 29, a grande crise de 2008) o panorama é justo como o atual: ninguém atendia especialmente aos (crescentes) problemas económicos porque tudo «vai bem». Assim se formam as borbulhas e se {acrecienta} a intensidade duma recessão.

Mas, claro, tinha que pôr-lhe o {cascabel} ao gato. ¿Quando começaria? Falta saber exatamente o momento (complicado, já que no {detonante} sempre intervém o aleatório fator «humano». Apostem ao último trimestre do ano), mas 2019 é o ano da eclosão.

Risco político. {Tendemos} em excesso a relacionar a economia com a política. Obviamente há {correlación}, mas em economias sem capacidade monetária como a nossa (se decide pelo BCE), seu influencia é menor. Também (e é algo difícil de entender depois de/após 2008) {minusvaloramos} as consequências da interligação da economia a nível global. Mais facilmente nos danifica um decrescimento na investimento exterior chinesa que uma decisão de política fiscal pátria.

As cifras «{macro}» costumam ter este efeito: «premeiam» as inércias da economia mais que antecipam o que está por vir. Melhores indicativos são o comportamento dos mercados bolsistas e o ritmo de criação de emprego. Vivemos agora mesmo contínuos sobressaltos nos mercados (a {volatibilidad} tem vindo para ficar). Nos avisam de que o emprego não sazonal está praticamente paralisado. Mas, claro, o crescimento esperado para o 19 volta a ser superior a 2%. ¿De veras não lhes recorda tudo isto --{estremecedoramente}-- a 2007?

Trump, {Bolsonaro}, {brexit}, Catalunha. É atrativo pôr o foco neles, e certamente têm sua relevância económica. O risco político pode servir como detonador, mas não será causa. Em Espanha, o que poderíamos pedir é adequar as políticas fiscais a um ambiente futuro de menor crescimento, mesmo se não quer assumir-se nas projeções uma recessão. Mas já vêem: maior despesa e exigências desde o próprio sector público (comunidades autónomas). Com mais impostos, naturalmente. Esgotando a margem de atuação do governo e dos contribuintes quando não nos seja tão fácil seguir/continuar financiando'ns externamente.

¡É a dívida, estúpido! Se vocês {prestaran} um dinheiro a alguém, ¿quando acreditam que teria mais risco, se lhes devolve o dinheiro num par de semanas ou lhes diz que será num par de anos? Obviamente, a segunda opção. Se isto se investe é porque algo lhes indica que o risco é igual ao curto prazo: não se fiam. Pois isto esta passando em Estados Unidos com a curva de taxas de juro (mede a relação da dívida pública a 2 anos comparada com a de 10 anos).

A solução à grande crise de 2008 foi a injeção global duma enorme quantidade/quantia de «dinheiro», criado artificialmente pelos bancos centrais. Para esterilizar na economia estas quantidades/quantias (que não se convertam numa desvalorização nos preços simplesmente porque a moeda «vale» menos) se necessitam crescimentos estáveis acima de 3%, aumento do emprego e a produtividade. E reduzir a dívida que esse dinheiro.

¿Acreditam que tudo isso ocurreu? Nem sequer os bancos centrais foram capazes de contrair seus balanços (em resumo, o dinheiro em forma de dívida que têm injetado). Isto é, que a solução que aplicaram em 2008 já não cabe porque não há margem. A eclosão.

*Advogado. Especialista em finanças.