+
Accede a tu cuenta

 

O accede con tus datos de Usuario El Periódico Extremadura:

Recordarme

Puedes recuperar tu contraseña o registrarte

 
 
 

‘{Phubbing}’ e convivência social

Vivemos numa sociedade na qual existem regras nascidas do uso social

 

‘{Phubbing}’ e convivência social -

JOSÉ ANTONIO Vega Vega
01/07/2019

Em apenas uma década nos temos fundido com as novas tecnologias. Todas as pessoas, sobretudo os jovens, estão em situação de desenvolver uma perigosa dependência da internet e de tudo o que significam as redes sociais. Se sustentou, num {acertado} similar, que os dispositivos inteligentes são a nova cocaína eletrónica, já que, para além da dependencia, propiciam estados de euforia seguidos/continuados de outros de depressão, como qualquer droga estimulante.

O esclarecimento destas dependências tem muito que ver com a sociedade competitiva na qual vivemos, já que estes instrumentos telemáticos costumam proporcionar-nos grandes expectativas de recompensa social ou financeira e de êxito profissional a curto prazo. Afirmam os especialistas que, de facto, cada chamada de alerta que recebemos em nosso telemóvel nos proporciona uma pequena doses de dopamina no cérebro. E em verdade, quando alguém recebe um sinal que anuncia a entrada de um nova mensagem no telefone inteligente se lhe ilumina a imaginação e faz-lhe abrigar esperanças de estar perante uma nova oportunidade social, económica, profissional ou mesmo sexual.

Uma destas más práticas é o {phubbing}, vocábulo formado a partir das palavras inglesas {phone} e {snub} (desaire). Os novos dispositivos telemáticos, que permitem uma contínua conexão a internet, tornaram-se já, não numa necessidade, mas numa obsessão, o que leva a muitos usuários a desenvolver a conduta antisocial (quando não doença psicótica) de ignorar a seus acompanhantes para concentrar-se em seu dispositivo eletrónico.

Vivemos numa sociedade na qual, para além das normas jurídicas que nos impõem certas obrigações com nossos concidadãos para manter, se não a convivência, pelo menos a coexistência pacífica, existem outras regras nascidas do uso social às que costumam denominar-se normas de cortesia ou de urbanidade. Entre estas normas podemos citar as de protocolo e em geral as que encarnam os hábitos da «boa educação». Estas regras não são obrigatórias. Seu não cumprimento não implica nenhuma sanção jurídica. Mas não cabe dúvida de que são necessárias se queremos manter um adequado nível de convivência humana. Pois bem, a conduta dos {phubbers} supõe uma transgressão destas normas mínimas de convivência ou coexistência pacífica.

O {phubbing} é, portanto, um descortês hábito que despreza (quando não humilha) a nossos acompanhantes, daí que se tenham criado já plataformas encaminhadas a combater estas práticas. Ainda não se considera uma desvio da conduta; só/sozinho um gesto de má educação. Mas poderíamos afirmar que o {phubbing} está aparentado com outros transtornos {conductuales}, como a {nomofobia} (não-{mobile}-{phone}), terror a sair de casa sem telefone, ou o síndrome {FOMO} ({acrónimo} de {Fear} {Of} {Missing} {Out}), medo a ficar fuera do mundo tecnológico.

O {phubbing} se volta extremo quando se pratica de forma coletiva. Essas reuniões familiares, de casais, de amigos, de empresas, nas que todos, sentados no lar ou na mesa de um restaurante para celebrar algo, começam a ficar mudos e a consultar ao uníssono seus telefones inteligentes já não são unicamente amostras de falta de educação, constituem simplesmente uma evasão massiva ou, como disse com medida certa Peter Whybrow, uma criação de mundos paralelos, um prelúdio da incomunicação.

Podemos sentir-nos tentados a perder a disponibilidade do nosso tempo para os demais; podemos desejar conhecer outros mundos ou outras realidades virtuais, mas nunca devêssemos renunciar a usufruir das nossas experiências vitalistas/vitais. Ou, dito com outras palavras, a renunciar a viver nossas próprias vidas.

* Catedrático de universidade