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Mais sós que a uma

 

RAFAEL Angulo
08/04/2019

Leo no magnífico {Magnificat} ({justísima} redundância) que em Japão alguns anciãos {delinquen} para ser encarcerados e não estar sós. Uma mulher, após seu primeiro roubo, explicava a amabilidade com que a tinha tratado a polícia em esquadra. Se surpreendeu que não {callaran} e se encolhessem de ombros, que não a ignorassem. Já é triste que esqueçamos os começos do Génese quando disse {Jehová} Deus: «Não é bom que o homem esteja só/sozinho». Sempre é preferível estar bem acompanhado. Como se não bastasse, no que fica de Inglaterra a extinta primeira ministra ia a criar um Ministério da Soledad. ¡Eles, que estão a ficar sós! Estas coisas acontecem em tempos de conexão total entre internet e redes sociais mas, quando {apagas} a ecrã te {quedas} a escuras e só/sozinho.

Faz muito tempo que vou ao Hospicio (não precisamente os dias 28 e de passagem) e vejo os esforços titânicos das {Hermanitas} dos Anciãos Desamparados por paliar a solidão dos maiores/ancianidade, como se esforçam calada e discretamente nesse oásis de solidariedade que é o Hospicio. Ali não te esquecem nem descobrem teu ausência por faturas {impagadas} ou mau cheiro; ali se constata que, se necessitamos a outros para sobreviver, mais quando pintam cãs, olhando a teu lado te {encontrarás} tranquilamente a alguém que se calhar te recorde o «efeito bairro», isto é: como o trato cara a cara pode fazer-te melhor, mais são e feliz; porque ajuda a não sentir-se isolado socialmente.

No Hospicio sempre há uma porta aberta. A companhia, o sítio, a luz, {atemperan} o medo, dissipam o horror e o horror e te consolam ou te ouvem. Ter pessoas por volta de, às pessoas correntes, lhes produz um efeito agradável enquanto sentir-se só/sozinho é mau. Sentir-se só/sozinho é adoecer. Tentativa escrever-lhes a {columnita} sobre/em relação a a solidão e a companhia, não sobre/em relação a sentir-se só/sozinho, que é outra coisa. Há pessoas que estão na tribuna do Romana ou um terça-feira de feira e se sentem sós, mais vencidas, desbaratadas e sós que a uma. Isso, é outra coisa, pode ser a amargura duma vida que não decorre como se esperava, o que pôde ser e não foi. Para eles soa como uma imprecação: ¡Deus meu, que sós ficam os mortos!