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O valor de um emprego

 

RICARDO VIVAS Economista
04/01/2019

O mercado laboral extremenho comporta-se de forma cíclica em relação ao emprego. Nos anos prévios à crise, de 2002 a 2008, o PIB na região aumentou uma média/meia anual do 3,3% e se criaram uns 55.000 empregos alcançando o máximo de 419.000 ocupados no terceiro trimestre de 2007. Durante a crise, de 2009 a 2014, o crescimento do PIB foi negativo e se destruiu grande parte do emprego criado no período anterior, o número de ocupados desceu a 355.000 em 2014 e aumentou o número de desempregados/parados em 64.000, mais que o número de empregos perdidos, que evidencia a incorporação de novos trabalhadores que o mercado não consegue colocar. É a partir de 2014, com o crescimento do PIB acima de 2% meio anual, quando se começa a criar emprego com 388.000 ocupados no terceiro trimestre de 2018 mas sem recuperar o máximo de 2007.

A situação atual é uma economia regional com um desemprego de 22% no terceiro trimestre de 2018, o mais alto depois de/após Andaluzia, Ceuta e Melilla, e que apresenta uma taxa de atividade do 55% (relaciona a população ocupada ou no desemprego, com a população em idade de trabalhamos/trabalhámos) inferior à média/meia nacional, variável que condiciona o crescimento económico de longo prazo duma economia.

Além disso, comporta-se ao revés do esperado, aumentou durante a crise atrasando a reforma de muitos trabalhadores ao ter algum membro da família no desemprego, como pode ver-se no aumento da população ativa maior de 55 anos numas 22.000 pessoas, e desceu durante a recuperação, em particular, a população ativa entre 16 e 24 anos desceu umas 9.000 pessoas possivelmente para formar-se melhor e a de entre 25 e 54 anos numas 21.000 pela possível migração. Igualmente, existem outros fatores estruturais como é o desemprego tecnológico pela automatização da nossa indústria, se ganha competitividade, mas expulsa a trabalhadores, como se vê no aumento dos desempregados/parados de longa duração de 23.000 desempregados/parados antes da crise até 87.000 em 2014, descendo aos 67.000 nos anos seguintes à crise, ou a alta temporalidade que apresenta a região que gera precariedade, perda de produtividade e aumento do desemprego. Durante a crise, a média anual de contratos temporários foi de 469.000 e durante a recuperação, longe de reduzir-se ao melhorar a economia, aumentou até os 643.000 contratos temporários em 2017.

Estes fatores demonstram que a economia regional é vulnerável aos {shocks} impedindo que em suas fases expansivas consiga criar emprego a maior ritmo que o destruído durante as fases {recesivas}. A taxa de desemprego regional deveria convergir até a nacional de 15% e para isso necessitaria uns 74.000 empregos. A convergência real, primeiro, diminuiria a fuga de trabalhadores até comunidades autónomas com taxas de desemprego inferior à média/meia nacional, estas suprem o défice de trabalhadores com o aumento da produtividade, que provoca o aumento do salário, convertendo-se em pólos de atração de mão de obra de regiões com elevadas taxas de desemprego como é o caso da Extremadura. E segundo, paliaria o problema demográfico da comunidade que, juntamente com um saldo vegetativo negativo e umas projeções de população não muito promissoras (segundo o INE o crescimento demográfico será negativo de um 7% para o período 2018-2033, com menos do milhão de habitantes), impede que {alcancemos} uma massa crítica de população que atraia investimentos.

Se {comparamos} ocupados e PIB regional em 2017, um emprego equivale a 50.000 euros, agora se o pomos em relação com as importações interregionais e exteriores nesse mesmo ano, quase 6.500 milhões de euros, vemos que na região se perdem 130.000 empregos que se criam/acreditem noutras comunidades e países. Em base a isto, uma opção de política económica para criar emprego seria analisar que bens e serviços {compramos} doutras regiões e países para examinar a conveniência de aproximar uma política de substituição de importações, com incentivos fiscais e de outros tipos, para fomentar o desenvolvimento de indústrias locais destes bens. Se bem esta política tem seus riscos, ao provocar o aumento dos preços regionais e perda de competitividade, vale a pena refletir o que vale um emprego na região.