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«Há médicos que me contaram histórias mais dramáticas que a minha»

 

«Há médicos que me contaram histórias mais dramáticas que a minha» - TONI GUDIEL

R. CANTERO region@extremadura.elperiodico.com CÁCERES
27/10/2019

Hace nove anos que seu dia-a-dia como médico rural em dois povos/povoações da Extremadura se lhe começou a fazer subida em cima e faz já quatro que tocou fundo, em forma de depressão ou {burnout} (o síndrome do trabalhador queimado). O que passou a partir desse momento deu pé ao livro Quando já não podes mais. Viagem interior de um médico, no qual Enrique Gavilán (Málaga, 1972) faz um exercício de catarse pessoal e retrata através de sua história problemas da saúde pública «em qualquer centro de saúde de Espanha». {Afincado} na Extremadura desde há 14 anos (diz que já é um pouco/bocado de {Extrelucía}) voltou a apaixonasse da medicina rural em Mirabel. E é feliz.

--Diz em sua biografia que é médico por acidente e de vocação tardia. Não parece o habitual...

--É que não tive claro que queria estudar Medicina até que fiz a prova de acesso ao ensino superior e me vi na situação de ter que tomar uma decisão. Logo queria ser médico, mas não tinha clara que especialidade escolher. Fui aos poucos, até que {descubrí} que queria dedicar-me a ser médico de família.

--O livro fala de sua particular descida/desmpromoção aos infernos com o ‘{burnout}’ ¿quando detetou que algo não ia bem?

--Chegava a casa exausto, ia a trabalhamos/trabalhámos com angustia, dormia mau... {Empecé} a apresentar-me que tudo isso não era stress passageiro, mas era algo mais sério. E pedi ajuda, porque me via transbordado. Falei com meu médico de família e me pus em suas mãos para que me guiasse.

--¿Mas foi uma reação imediata ou passou um tempo entre que viu os primeiros sintomas e disse esse «Já não posso mais» que dá título a sua obra?

--Não, não foi de um dia para o outro. Teve muitos meses assim e primeiro {traté} de resolvê-lo eu só/sozinho. {Intenté} algumas mudanças em minha vida como fazer mais exercício, procurar mais momentos de descontração, e inclusivamente {empecé} a praticar yoga. Mas vi que tudo isso falhava, que só/sozinho não ia a consegui-lo.

--¿Como era nessa altura uma jornada normal/simples?

--Incluía ver a 30 ou 40 pacientes repartidos em dois povos/povoações. Ao primeiro chegava às oito da manhã e às dez e média/meia pegava o carro e me ia ao outro povo/vila. Quando chegava tinha a sala de espera cheia de pessoas. E assim até as duas ou as três. Cada dia. E salpicado de urgências, de atender a pacientes de não eram meus, porque faltava seu médico e não se tinha coberto sua ausência. Esse era meu dia-a-dia; mas estou convencido de que minhas condições de trabalho não eram piores que as de muitos companheiros. Este é o dia-a-dia de muitos centros de saúde de toda Espanha.

--Dizem que quando alguém é capaz de pedir ajuda para enfrentar um problema já começou a resolvê-lo. ¿O sentiu assim ou nesse momento o via como uma derrota?

--Um pouco/bocado ambas coisas. No momento no qual te {das} conta de que {necesitas} ajuda doutra pessoa é porque já {has} queimado muitos cartuchos tu só/sozinho. Nessa altura te {liberas} porque {compartes} a carga/carrega, mas é inevitável a sensação de derrota, porque o {has} tentado e não {has} podido.

--E a partir de aí, o médico tornou-se em paciente.

--Estive quatro ou cinco anos metido nesse inferno e dois deles em psicoterapia. Mas {seguí} trabalhando até ao momento final, no qual {exploté} e o deixei tudo.

--¿E acredita que seguir/continuar {retroalimentando} o problema foi o {acertado}?

--Se calhar o poderia ter deixado antes, mas nessa altura não se me ofereceu a oportunidade.

--¿Que foi o que mais lhe surpreendeu desse viagem interior que diz que plasma no livro?

--{Descubrí} algumas coisas de mim que não me gostaram, mas também muitas partes positivas. Não podia enfrentar essa situação se não encontrava as virtudes.

--E tem seguido/continuado como médico rural depois de/após aquilo ¿Não tivesse sido mais fácil provar a medicina num ambiente diferente?

--Teve um momento no qual se me passaram mil coisas pela cabeça, entre elas deixar a medicina e dedicar-me a outra coisa. Foi nesse quebra, quando deixei de trabalhamos/trabalhámos porque a relação com os pacientes também se tinha deteriorado e eles não o mereciam. {Corté} como se curta com uma relação.

--Mas no fim voltou.

--Porque se deixava a medicina atirava pela {borda} a metade de minha vida e não queria.

--Num momento do livro diz: «Sim, os médicos também choram»

--Eu não tenho chorado muito, mas sim tenho tido muitos momentos de muito desânimo, momentos nos que enquanto um paciente me contava suas problemas eu pensava nos meus.

--¿E em que momento de tudo isso se cruza o livro em sua vida?

--Nesse momento no qual deixei o trabalho, me {paré} e pude ordenar todas minhas ideias. Sempre me tem gostado a literatura e escrever, mas este livro o escrevi por necessidade de dar saída a todos os problemas. Fi-lo do puxão, com a ideia de pôr ordem/disposição a minha vida. E foi logo quando me dei conta de que esse relato podia ser o relato de muitos companheiros, que podiam ver-se refletidos.

--¿Os problemas que aborda em seu livro são problemas sem resolver da saúde pública?

--Hace muito tempo que os médicos de família pedimos que se abordem esses problemas, mas é a administração quem deve decidir se os aborda e como. Eu, como médico, só/sozinho posso abordar os problemas de meus pacientes.

--¿Houve companheiros que lhe tenham comentado que se viam refletidos em sua história?

--A raiz do livro, muitos companheiros médicos que me disseram que se sentiam identificados e me contaram histórias mais dramáticas que as minhas. Mas não {pretendo} que seja um livro de autoajuda. Não dou receitas a ninguém. Esta é minha história e isto é o que a mim me a funcionado e no que eu tenho fracassado.

--¿E como é sua vida como médico rural após essa catarse?

--Mudaram muitas coisas. Estou só/sozinho num povo/vila, lhe posso dedicar tempo a cada paciente, se vou a um domicílio o faço com tranquilidade. Posso fazer meu trabalho e meu trabalho gosto, por isso sou feliz.

--¿Depois da experiência, repetirá nessa faceta como escritor?

--Diz minha mãe que escrevo muito bem, mas que não volte a fazer um livro como este. Continuo/sigo escrevendo, porque gosto. Agora estou recolhendo histórias que me contam meus pacientes, porque {aprendo} muito deles. Quando {llego} a casa após as consultas, me sinto a escrever. Por isso, não sei, igual um dia...