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A Bolo é como a {Coca} Cauda, só/sozinho há uma e é do Casar

Queijarias do Conselho Regulador da Denominação de Origem {casareña} elogiam a última decisão da Escritório Espanhol de Patentes e Marcas, um novo erro que volta a salvá-las dos possíveis {plagiadores}

 

A Torta del Casar em crude nas instalações de Dona Francisca. - ALBERTO MANZANO / EL PERIÓDICO/ {DOP} BOLO DO CASAR

Trabalhadores da queijaria Queijos do Casar em plena produção. - ALBERTO MANZANO / EL PERIÓDICO/ {DOP} BOLO DO CASAR

ALBERTO MANZANO caceres@extremadura.elperiodico.com CASAR DE CÁCERES
27/10/2019

São já vinte anos lutando, apresentando denúncias e ganhando em tribunais regionais, nacionais e internacionais. O último tem a ver com a decisão da Escritório Espanhol de Patentes e Marcas ({OEPM}) que deu a razão ao Conselho Regulador Torta del Casar ao recusar o registo à marca asturiana ‘Bolo do {Cuera}’. Não é o único caso: ao longo/comprido da história da Denominação de Origem Protegida ({DOP}), multiplos competidores quiseram roubar-lhe o nome, mas não o conseguiram. O explica Mario Blasco Rey, proprietário e gerente de Queijos do Casar, uma das empresas com mais tradição da atividade queijeira na Extremadura, fundada em 1985. «O que não pode ser é que alguém se chame {Coca} Cauda e apareça {Coca} Refrescos fazendo bebida de Cauda; olhe, não». Seguindo/continuando com o similar da multinacional estado-unidense, Javier Muñoz Pérez, diretor da {DOP} Torta del Casar, nos recebe na queijaria Os {Casareños} enquanto realiza uma auditoria de controlo, e resume a situação com a frase: «Isto é {Coca} Cauda contra {Coca} {Conga}».

Este último {litigio} faz parte dessa luta constante das sete queijarias da região que compõem a denominação de origem {casareña}, obrigadas a estar sempre em contínua alerta porque outros competidores querem aproveitar-se de seu crédito. «Torta del Casar é uma figura de qualidade diferenciada e protegida pela legislação da União Europeia. É certo que também se utiliza como marca, no sentido de que representa a um produto concreto», explica Muñoz Pérez. «É uma marca reputada, conhecida e de prestígio que tem ido crescendo em conhecimento nestas duas décadas e segundo vai aumentando essa notoriedade vão saindo competidores que querem copiá-la», lamenta.

«O do Casar é um queijo especial, com umas características diferentes, muito apetecível para o mercado, ao ser diferente por sua forma de abrirlo, por sua macia textura… Nessa altura chegam os {plagiadores}, que querem assimilar-se a um produto estabelecido e que funciona. Mas qualquer queijo brando não é Bolo. Nós dizemos que Torta del Casar é uma coisa e o resto são queijos de massa macia», afirma taxativo o diretor da {DOP}.

A recente decisão da {OEPM} arrasta muitos dores de cabeça para os {queseros} desta parte da Extremadura, lhes obriga a estar em permanente vigilância e isso tem um alto custo económico, com profissionais que se dedicam de maneira específica ao rastreio das marcas que se registam nas escritórios de patentes a nível europeu. Juízos, oposições/concurso público, litígios, recursos… Alguns se resolvem muito cedo, outros são demasiado duradouros no tempo. «É estar sempre à que salta, a ver a quem se lhe acontece esta vez. Agora foi à Bolo do {Cuera}, mas faz quatro dias {conseguimos} uma nova decisão a nosso favor do Tribunal Superior de Justicia de Madrid que recusou a marca Bolo de Pinto Extremenha», revela Javier Muñoz.

Nomes nem parecidos

Já não é só/sozinho um direito de marcas, vai mais além, trata-se do direito da proteção que dá a União Europeia às {DO}. «Não se podem utilizar/empregar os mesmos nomes, nem similares, nem parecidos nem que evoquem ao original», insiste o diretor. É que a Denominação de Origem é uma marca que representa a um produto tradicional, elaborado duma forma específica. «Não trata-se simplesmente de comparar um nome com outro nome», sublinha Muñoz. Defender este posicionamento faz com que os empresários devam lidar nos tribunais de justiça. Lhes avalizam multiplas resoluções que disseram sempre o mesmo: «Bolo não é um tipo de queijo, bolo é uma parte do nome do queijo Torta del Casar». Aconteceu em Dezembro de 2017 durante o soado conflito com o Queijo de La Serena. Chegaram ao Tribunal Geral da União Europeia e ganharam depois de/após que este anulasse a resolução de registo da marca Queijo e Bolo de La Serena e indicasse que a Escritório da Propriedade Intelectual da UE omitiu ilegalmente apreciar a questão de se o termo Bolo era uma denominação tradicional não geográfica, o que segundo Muñoz desmontava o argumento de que não existe risco de confusão entre as marcas em conflito e que Bolo é um nome genérico.

Temos de lutar por uma tradição de séculos cujas referências iniciais escritas datam de 1600, quando os {casareños} começaram a elaborar bolos, um processo que culminou em 1994 com as primeiras reuniões de Câmara Municipal, {queseros} e Junta de Extremadura até que a União Europeia reconheceu esta {DO} por seu carácter diferencial. Casar de Cáceres passou de fazer 3.000 quilos em dois ou três queijarias às sete que atualmente tiram ao mercado 350.000 quilos. E tudo isso sem perder seu carácter artesanal, facto/feito a mão e que conseguiu um nome que chega aos cinco continentes. Está em Estados Unidos, México, Marrocos, Países Árabes; 10.000 ou 15.000 quilos podem sair fora embora o principal mercado está em Espanha e na Europa.

Detrás de estes números há trabalhadores e empresários. Ramón Bello é diretor treinador de {Iberqués} Extremadura. «É lógico que saiam imitadores porque Torta del Casar é um produto genuíno, único e excecional, que parte desde o {ordeño}, com ganadarias que estão muito controladas e dão um leite que nos permite fazer uns queijos de grande qualidade». Acha o mesmo o gerente desta empresa, {Aquilino} {Pereira}. «A sentença nos favorece e estou contente/satisfeito porque cada vez vai-se protegendo mais um produto inigualável, internacionalmente conhecido», sustenta. {Pereira} insiste na necessidade de realizar ações comerciais e de marketing nas que se inculca que «a Bolo é do Casar, não há Bolo de Badajoz ou do País Basco». Recém premiado com a melhor Torta del Casar entre as queijarias da denominação, sua empresa leva seis anos no mercado e produz 35.000 quilos anuais.

Este é um negócio que conhece bem Mario Blasco Rey, que foi co-fundador da Denominação de Origem. «De nada servia tentar defender um produto como a Torta del Casar, que era excecional a nível nacional e internacional se o nome Bolo não levava seu apelido, que era do Casar». Segundo o empresário, «os problemas começaram quando desde a própria administração se permitiu acreditar/achar na ideia de que a palavra Bolo se poderia utilizar/empregar em qualquer queijo de massa macia. Sabiamos que a partir da apresentação da Torta del Casar no mercado iam a proliferar um monte de queijos parecidos, com leite de vaca, com leite de cabra, ou com leite de {búfala}, dava igual. Queriam converter a Bolo num genérico e com isso perderia o prestígio e as qualidades diferenciadoras que tem porque apareceriam no mercado outros bolos que não teriam absolutamente nada a ver com a nossa».

Tirar talhada do prestígio

O reconhecido queijeiro o tem mais que claro: «Tudo o que sai después do ano 1999 o que procura é tirar talhada do prestígio e do preço da Torta del Casar, vendendo mais barato um produto parecido, aproveitando-se de toda a publicidade e de toda o investimento que ano após ano {realizamos}». Blasco Rey destaca que não se pode confundir ao cliente, porque quando o fazes, «{generas} um problema de imagem de marca e no fim é difícil posicionar-te». Relata a sua postura: «São {nichos} de mercado. Estamos a falar de mais de 300.000 quilos de um produto como Torta del Casar a nível nacional. Imaginem que vão a um sítio a comprar um produto que lhes disseram que é muito bom e encontram-se quatro bolos, de diferentes tipos de leite e localidades, e uma de Torta del Casar a 25 euros e outra a 15 euros. Isso gera dúvidas no consumidor porque há 10 euros de diferença entre uma e outra».

Por isso, o objetivo comercial é situar a Torta del Casar na gama {Premium} dos queijos e para isso a marca é muito importante. A queijaria Queijos do Casar produz uns 130.000 quilos de bolo; entre vaca e cabra chegam a produzir um milhão de quilos ao ano. Têm dois marcas, Grande Casar e Dona {Engracia}, mas na {DOP} há outras oito ou 10 marcas mais. No entanto, «a maioria dos consumidores não distinguem as marcas próprias, identificam a marca Torta del Casar. Quando sais a Estados Unidos a resenha de marca é ainda mais complicada, mas sim reconhecem Torta del Casar, com o qual se não {defendemos} o produto, seria impossível vender fora aos preços que {vendemos}. Aqui {vendemos} a 25 euros, mas fora, entre taxas, transportes e de mais, a Bolo pode chegar a os 70 dólares o quilo de queijo, e a esse preço tens que ter muito claro o que {estás} comprando porque esse dinheiro não o paga qualquer».

Diego Lindo Muñoz, professor queijeiro e gerente de Dona Francisca, critica o aproveitamento injusto que outros empresários têm realizado da Torta del Casar. «Nos subida muito esforço e dinheiro poder/conseguir manter-nos e continuar a crescer». Elogia a luta da {DOP}: «temos de denunciar para defender nossa imagem de marca». Como o resto de {queseros}, assegura que agora sim se sentem protegidos pela Junta de Extremadura. «O tempo põe à pessoas em seu sítio e temos demonstrado que pecuários e industriais estamos lutando por algo que vale a pena. E aí está a prova, que os tribunais nos dão a razão». 60.000 quilos de bolo cada doze meses e uma vintena de trabalhadores impulsionam este projeto. Diego Lindo não se andor com rodeios na hora de defender este rico manjar e uma das jóias da gastronomia extremenha: «Fazemos o que faz {Coca} Cauda, nem mais nem menos».