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«O {VAR} interrompe o espírito selvagem próprio do futebol»

 

«O {VAR} interrompe o espírito selvagem próprio do futebol» - JORDI COTRINA

IOSU DE LA TORRE
15/02/2020

Los artigos de Manuel Vázquez Montalbán mudaram a maneira de ver o futebol de Jorge Valdano. Muitos adeptos afinaram o olhar com aquele avançado/ponta de lança argentino aterrado na españa de la Transición, hoy escritor e guru, analista em diários/jornais, televisões e rádios. Três décadas depois de/após aquele {big} {bang}, Valdano recebe o prémio com o que o Barcelona contribui a que não se esqueça ao escritor, romancista e ensaísta falecido faz 16 anos.

–Que curioso receber/acolher o prémio com o nome do autor que melhorou seu destino.

–Descobrir a Vázquez Montalbán me permitiu ver o futebol desde/a partir de um lugar diferente. É o que significou para mim. Desde que o {leí}, para mim, jogar a futebol foi uma coisas diferente. Até esse momento era uma expressão musculada, festiva, superagradável porque o associava ao prazer mas não tão representativa.

–E um dia se conheceram.

–Era para uma entrevista. Eu estava {impresionadísimo}, lhe tinha uma grande veneração. Sempre digo que a bola foi uma espécie de veículo, me tirou primeiro de meu povo/vila, de meu país, me deu a possibilidade de conhecer a Vázquez Montalbán, Vargas Llosa, García Marquez, Mario Benedetti, pessoas à que lhe tinha uma admiração tremenda e não posso mais que agradecer-lhe ao futebol que estendesse esses pontes.

–E agora, prémio com um Manolo.

–Me faz ilusão/motivação vendo quem o ganhou antes e vendo ao júri. É o que se chama reinventar-se. Sempre disse que olhava pela fechadura do mundo do futebol até a sociedade e tinha muito pouca companhia. E, no entanto, do outro lado da fechadura tinha um monte de escritores que sim olhavam até dentro do mundo do futebol. Juan Villoro, Vázquez Montalbán, {Osvaldo} {Soriano}... São um número importante de pessoas. mas desde/a partir de o futebol não há tantos. Entre os premiados estão Michael Robinson e {Tostao}, que por certo escreve muito bem.

–Dois universos {confluyentes}.

–Saber que no passado com a bexiga duma vaca se jogava ao futebol não te ajuda para cabecear um {corner}, mas também não te prejudica. Para mim o futebol sem a palavra é poucas coisa. {Nací} num povo/vila relativamente pequeno, muito longe do {profesionalismo}. Vi meu primeiro jogo/partido entre profissionais com 16 anos e joguei meu primeiro jogo/partido entre profissionais aos 17 anos. Até esse momento o futebol só/sozinho me tinha entrado pela voz apaixonada da rádio e pela revesta Gráfico que melhorava os partidos. Era uma revesta fantástica.

–¿Quantas capas ocupou?

–Não tantas porque {vine} muito cedo a Espanha, mas com a seleção, com o Mundial sobretudo, as que me deixou Maradona.

–Há um ‘método Valdano’ para escrever, comunicar.

–Não. Simplesmente deixar-me levar. Acredito/acho muito na autenticidade. Não sou nada metodológico. Nem para isto nem para nada.

–Definiu o futebol de {Romario} como o de um desenho animado.

–Antes de um {Tenerife}-Barcelona, alguém me encostou um microfone no aeroporto. Falando saiu essa frase que lhe fazia justiça a um jogador diferente. Logo tive o privilégio de treiná-lo em Valência mas a má sorte de que só/sozinho o pude usufruir na pré-época. Se lesionou, o tiraram em maca e nessa maca também ia eu porque ao terceiro jogo/partido me {echaron}.

–E se reinventou.

–Agora a palavra «reinventar-se» está no centro da questão laboral. Eu sou uma pessoa curiosa, me tem ajudado sempre para adaptar-me. Se me reconhecem muitas coisas menos a mais importante, tenho muita vontade. Sou uma pessoa que quando se propõe algo vai detrás de isso e o consegue.

–Fê-lo como futebolista, como treinador, diretor desportivo...

–Sim, de futebolista temos de {recordar} que estive quatro anos em Segunda Divisão, me {metí} nesse poço e {llegué} a pensar que não sairia dali. Logo no Zaragoza tive a possibilidade de mostrar-me ao futebol grande e no fim de minha corrida/curso, com o Madrid e a seleção, {alcancé} os privilégios maiores/ancianidade.

–Fala de um época muito diferente à atual. A pré-história também se vive lendo a biografia de {Kempes}, um tempo muito duro, primeiros 70 em América latina, com uma digressão inumana por {Bolivia}. A de {Kempes} é um olhar romântica, heroica, face ao futebol de hoy, uma indústria, puro negócio.

–Aquela seleção de {Kempes} se chamava a seleção fantasma porque efetivamente a formavam jogadores duma seleção B que foi a {Bolivia} a adaptar-se à altitude. Estiveram 20 dias só/sozinho para jogar esse jogo/partido frente a {Bolivia}. A seleção A jogava os partidos normais.

–Valdano, na A.

–{Nooo}, se {Kempes} estava na B eu estava na C. Eu sempre estava um degrau abaixo de Mario. Eu fiz outra digressão com Mario da que lembrança uma curiosidade que diz muito que significava o futebol e que significava Mario já naquela época. Jogávamos a Copa América. {Viajábamos} a Peru, Venezuela e Brasil. O último treino fizemo-lo na campo/pista de Rosário Central, onde jogava Mario. E a mim me ficou a imagem de Mario assomado à janela do autocarro, com as mãos fora, fazendo uma espécie de tigela que se encheu de anéis, cadeias de Orellana / Orelhana, tudo o que lhe davam as amadoras ao grande ídolo de Rosário Central. Eu jogava em {Newell}’s, a equipa contrária, em Rosário, esse clássico feroz.

–¿Como foi sua viagem a Espanha?

–Tinha 19 anos, me tinha comprometido a aceitar a primeira oferta que me viesse do estrangeiro, nem sequer de Espanha. O futebol argentino estava no meio duma tremenda desorganização. Quando me chegou a oferta do {Alavés} eu estava concentrado com a seleção enquanto o futebol argentino estava em greve, pelo que, estando concentrados, o treinador, que era {Menotti}, não nos podia treinar, porque estávamos em greve. Estando na seleção {entrenábamos} sem treinador. Era uma dinâmica até normal/simples. Saíamos de Rosário para jogar em Buenos Aires e a metade de caminho nos diziam que se tinha suspendido o jogo/partido por causas insólitas e tinha que dar a volta. Tudo aquilo me espantava. eu era um profissional rigoroso.

–Sem representante.

–Não tinha um gerente. Não, não, vinho José María Zárraga, que foi capitão do Madrid das cinco taças de Europa e era gerente do {Alavés}, falou com {Griffa}, que tinha sido jogador do Atlético, e tinham uma boa relação. {Griffa} lhe convenceu de que {apostara} por mim, e depois {Griffa} me convenceu a mim porque necessitaria dinheiro certamente. Eu, que não tinha pai desde/a partir de os 4 anos, tive que tomar a decisão sem ter demasiada informação de fundo. E pensando que mudava de estreitamente como tanta pessoas.

–Foi muito valente.

–Era decidido. Quando um toma uma decisão assim não só/sozinho muda de estreitamente, muda de país, de vida e a partir de ali a cadeia de consequências termina sendo infinita. Imediatamente me {enamoré} duma {vitoriana}, minha vida começou a dar voltas...

–Como mudou tudo.

–Ao futebol o muda a indústria. Com a indústria do lazer o futebol muda de status. Estive em Manchester visitando as instalações e vendo o modo de vida dos atuais jogadores do {City}. Vivem e desenvolvem a profissão num hotel de cinco estrelas e estão cuidados duma maneira quase de ciência-ficção. Há três nutricionistas, cinco cozinheiros, não sei quantos {fisios}...

–O avanço tecnológico é também tremendo.

–Há tudo uma equipa de espionagem que controla aos futebolistas próprios e adversários. Sempre e quando as estatísticas não se {apoderen} do futebol, me parece bem. Sou amigo das palavras e isto se está convertendo numa conversa entre contabilistas. Todas as questões que medem se não as {pones} em contexto têm muito pouca capacidade para explicar-nos o jogo.

–¿Los treinadores estão preparados para este alto nível?

–Começa a ser imprescindível ter grupo de ajudantes e dados o suficientemente importantes como para analisar a fundo o jogo. Lembrança que teve um momento em que o Milão era o proprietário do futebol, tinha pessoas que mandava a ver partidos aos sítios mais remotos e assim contratava a jogadores que só/sozinho conheciam eles. Quando chegou a decadência do Milão diziam que já não iam a ver partidos ao vivo mas os viam em vídeo e aquilo parecia que reduzia a capacidade de análise. Agora passámos do vídeo ao {big} data. Nos {alejamos} cada vez mais da essência do jogo, do olho clínico que te diz muitas mais coisas das que te contam os números.

–¿Que vislumbra no horizonte?

–Começam a desnaturalizar o futebol. Entrando na modernidade eu sempre tenho acreditado que o futebol contenta ao animal que há na traseiras da loja do homem. Um jogo primitivo, filho de seu tempo, e que dalguma maneira ajuda contentar as baixas paixões. Agora com o {VAR}, por exemplo, {entramos} numa dinâmica diferente. Temos de ter cuidado com a tecnologia porque quando se {apodera} das coisas termina sequestrando-les.

–¿Que acha do {VAR}?

–Não gosto, interrompe, polui o espírito selvagem que tem caraterizado sempre ao futebol.

–¿E dos {hinchas}?

–Los jovens terminarão mudando o jogo. São os que mais contribuem a este estado de coisas. A tecnologia faz parte de suas vidas e como disse Pablo Aymar somos a última geração que veremos os partidos completos. Uma má notícia.

–¿Que classe de espectador de um jogo/partido de futebol é você?

–Vou a ver que me conta o jogo/partido. Tentativa não ir muito condicionado pela sobreinformação. Esse é outro dos perigos, a sobreinformação faz com que um se entretenha muito em detalhes insignificantes, que às vezes podem decidir um jogo/partido, mas em geral são as questões essenciais as que ajudam a ganhar ou perder. Por isso {admiro} a Zidane, é um exemplo de simplificação, acredita no talento, sabe quem é melhor e quem é pior, lhes dá confiança, os anima a jogar e sem tanta sofisticação tática termina conseguindo o que se propõe.

–Zidane não é visto no {barcelonismo} como um inimigo a odiar, é o {Butragueño} ou Valdano de agora.

–O futebol está para construir pontes. Não é necessário odiar ao inimigo mas fortalecer a ideia própria que um tem em relação a seu plantel/elenco.

–No documentário A Quinta do Abutre você lamenta que ninguém lhe perguntasse que sentiu quando como treinador afastou a {Butragueño}. ¿Que sentiu?

–Isso é o futebol, paga em numerário. Emilio era um amigo no pessoal, lhe {llegué} a ter muita admiração no futebolístico. Sabia que se não tomava a decisão estava consagrando uma injustiça e eu tenho muito sentido da justiça. Me custou muito estreitamente tomar a decisão.

–¿Lhe retirou o sono/sonho?

–Claro, nesse documentário digo, e o digo sinceramente, que foi um período intenso de minha vida, {llegué} num momento complicado, era a primeira vez que o Barcelona tinha ganho quatro títulos seguidos/continuados. Fizemos coisas importantes, ganhar-lhe 5-0 ao Barça de Cruyff, saiu Raúl, saiu Guti, todos motivos de orgulho. No entanto, ter jubilado a Quinta quase não me compensa as alegrias. Um cada vez ouve mais aos treinadores dizer que a desapontamento duma derrota é muito mais intensa que a ilusão/motivação pelo triunfo.

–Hoy, o Real Madrid não tem diretor desportivo.

–¿Como que não? Se chama Florentino Pérez.

–¿Compreensível no futebol atual?

–Se o treinador tem voz e voto o grupo pode funcionar perfeitamente com uma estrutura que seguro tem altos níveis de informação, com batedores e profissionais que sem ostentar o cargo de diretor desportivo sim ajudam a imaginar-se o futuro.

–Agora mandam os agentes.

–Há alguns, não muito numerosos, que ostentam nada menos que o poder/conseguir, num mundo onde há mais dinheiro que talento em circulação/trânsito, eles manejam aos melhores e movem o mercado com cifras que começam a ser astronómicas, mas estou vendo a um grupo de representantes que têm sentido pedagógico, que antes de pensar em ganhar dinheiro tentam gerir a seus jogadores fazendo-lhes escalar pelos equipas justas. Às vezes chegar ao Barça ou ao Madrid demasiado cedo é uma má ideia.

–E se contratam desconhecidos, como agora o Barça com {Trincao}.

–Como o Madrid contratou a {Vinicius} por 40 e a {Rodrygo} por {treitaytantos}... O mercado agora te obriga a adivinhar o futuro. Estes jogadores, se confirmam o que prometem, dentro de quatro anos estarão acima dos 100 milhões. Assumem o risco de pagar 40 um pouco antes.

–As cifras são insultantes.

–Sim, o são. Aqueles jogadores de mais de 100 milhões começam a ter muitas competências, sobretudo na Premier, onde a equipa que menos ganha por direitos de televisão ganha o mesmo que Madrid e Barcelona. Temos de proteger-se e tratar de adiantar-se ao mercado.

–¿Que diria Vázquez Montalbán?

–Seguro que teria ideias originalíssimas. Eu sei a quem lhe {echaría} a culpa: ¡ao neoliberalismo!

–¿É você mais de aqui ou de lá?

–Tenho vivido aqui mais do dobro do que vivi em Argentina. Sinto que estou jogo/partido pela metade, meu {papá} e minha mamã.

–Não há nenhuma imagem de Jorge Valdano tomando mate, como agora a há de Messi, Suárez...

–Não a {encontrarás}. Nunca fui de mate. Me trouxe nalgum momento de minha vida a minha mãe que era {matera}, mas nunca me entreguei ao mate. Fui estudante em Argentina onde entre os universitários o mate é quase obrigatório, mas nunca fui {matero}. {Estudié} primeiro de Direito, me interessava mais o mundo universitário que o estudo, mas já me {vine} a Vitória onde nessa altura não tinha universidade.

–Há uma lenda sobre/em relação a as sete vidas de Valdano. Quando se {estrelló} o helicóptero de {Kobe} {Bryant} reviveu seu acidente no México.

–Eu sou muito bom para dar volta de página. Sou dos que acreditam que a vida está ali adiante, mas sim foi um lembrete. Se deram casualidades que me puseram à beira de a tragédia e saí ileso. Fui contratado pelo Zaragoza o dia que se queimou o hotel Coroa de Aragão. Teve 90 mortos. Tinha um quarto reservado, mas como estava em rebeldia com o {Alavés} me neguei a ir essa noite. Fui no dia seguinte às sete da manhã e me {encontré} com o desastre. Há outros episódios que tenho ido salvando. A isso não se lhe chama sorte, mais sorte é não subir-te a um helicóptero.

–¿E como passa a página?

–Olhando para diante. Sou muito mau para as incertezas e muito bom para os factos consumados. Se me dizem ‘{tienes} tudo o entercosto quebrado e vais a sofrerlo como um condenado’, bom, sei que isso é o que toca. Cada dia tem seu afã, como dizia santa Teresa.