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{SOS} de 50 famílias cacerenhas para que seus filhos tenham material escolar

As doações podem realizar-se em {TodoLibros} e em {Ceres}, de São Blas

 

María Vaquero, em {Todolibros}, na rua Caminho Plano. - ANTONIO MARTÍN

Jacinta Pablo, em {Ceres}, situada na avenida de São Blas. - ANTONIO MARTÍN

MIGUEL ÁNGEL MUÑOZ
22/08/2019

La pobreza infantil castiga em Espanha a uns 2,2 milhões de meninos, um terço do total. La dos maiores/ancianidade de 65 roça o 18 por cento. La Estratégia Nacional contra a Pobreza e a Exclusão acaba de ser aprovada e devia durar até 2023. Entre o 1 de Janeiro de 2003 e o 13 de Julho de 2019, 1.005 mulheres tinham sido assassinadas pelo simples facto/feito de sê-lo. Um em cada quatro homens jovens afirma hoje que os ciúmes são «uma prova de amor». Uns 43.000 migrantes e solicitantes de hospicio chegaram a Europa através do Mediterrâneo ao longo/comprido de 2019. La terceira parte chegou a Espanha, cuja capacidade de acolhimento continua ridiculamente infradotada. Durante a última década, o sistema espanhol de cooperação foi destruído e o nível de ajuda ao desenvolvimento caiu um 66%. La ajuda humanitária praticamente desapareceu, enquanto as necessidades declaradas pela ONU se multiplicavam por quatro».

O diz Gonzalo Fanjul em ‘{Arréglense}, {pendejos}’, um magnífico artigo escrito/documento no diário/jornal ‘El País’ no mês passado e que põe o olho na {llaga} da desigualdade; que a temos aqui ao lado, em Cáceres, e que afeta a nosso vizinho/morador, a nosso primo, aos pais de um amigo... La Rede de Solidariedade Popular sabe muito disto. Em seu registo tem inscritas a 114 famílias em estado de dificuldade reconhecido. Delas, 50 não têm para pagar-lhe o material escolar a seus filhos. Esse indigna lista afeta a dois meninos cacerenhos de até 3 anos e a 31 de entre 3 e 16: 33 alunos que precisam de mochilas, estojos, folhas, lápis, afiadeira, regras... o imprescindível para enfrentar o novo curso com dignidade.

Desde o ano 2014, a Rede desenvolve esta campanha de recolhida de material escolar, um {SOS} das famílias para as que esta ajuda se faz imprescindível. Detrás do coletivo, Manuel García Garzo, Emilio Valle, {Raquel} {Moreno}, José Viera, Pedro Ollero e David Delfín, seis anjos da guarda que empregam seus esforços em assistir aos mais necessitados e cuja sede está na rua Cayetano Polo Polito, embora proximamente se transferirão a Pedro Romero de Mendoza, face ao Restaurante típico Diego, em La Mejostilla, onde estão terminando a obra de adequação de um local que lhes cedeu a Câmara Municipal.

La campanha de material escolar não seria o mesmo sem a Livraria {Todolibros} de Caminho Plano e a Papelaria {Copistería} {Ceres}, na avenida de São Blas. La primeira leva aberta faz 18 anos da mão de María Vaquero; a segunda, 26, com Jacinta Pablo à frente. «Segundo se cheia uma caixa, ponho outra», diz María. «Há muitas necessidades», admite Jacinta. As duas colaboram desinteressadamente na recolhida, conscientes de que Extremadura é a segunda região com uma maior taxa de risco de exclusão social, só/sozinho superada por Canárias (29%), e quase cinco pontos mais que a média nacional, que se situa no 18,4%.

«NÃO O QUER E ESTÁ NOVO» / Às portas dum destes estabelecimentos, uma mãe está prestes a entrar com um estojo na mão. «Está novo, mas como é do curso passado, minha filha já não o quer». ¿Não o quer e está novo? Impacta, quando menos. ¿Como se explica esta reação desde uma perspectiva sociológica? Domingo {Barbolla}, professor da Uex, tem uma resposta que convida à reflexão: «Existe um consumismo em excesso e ainda que o modelo nos leva a isso, gera fórmulas de solidariedade: o que não quero se o dou a outro». O mundo requer que {produzcamos} muito, e barato. Não basta com ter uma t-shirt, temos de ter 15, que não é que fiquem velhas, que vai, é que passam rápido na moda porque a essas 15 lhe vão seguir outras 15, e 15 mais; ou 1.000 se faz falta.

De maneira que há -resume {Barbolla}- «um elemento genial, e é o de que ‘eu me sinto bem ao dá-lo e, assim, não me sinto culpado de tê-lo em excesso’. Isto é, na distribuição desigual da riqueza, o próprio sistema se autocompraz: não se detém em que tenha pobres e ricos mas se enfatiza no que é capaz de dar-lhe aos demais».

O problema é que há pessoas que «se olham ao espelho e se acreditam supersolidárias». Especialmente acontece nas elites, onde {anida} «a contradição em estado puro de sou rico e solidário. Dão, e esse sentido de dar tem uma recompensa individual fascinante».

Se permitimos um planeta no qual há pessoas que tem 60.000 milhões de euros, no qual nos últimos 200 anos produzimos 600 vezes mais do que tinha e no qual 25 famílias têm o 40% dos recursos da Terra, é que algo falha. «O modelo de desenvolvimento capitalista produziu como jamais na história da humanidade, mas na distribuição nos temos ficado curtos», adverte {Barbolla}. Tão curtos que não é de estranhar que hoje 50 famílias de Cáceres lancem um {SOS}. Arrepiante, sem dúvida.