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«O problema não é da sanidade, é nosso, e vamos estragá la por ignorantes»

Após ser operado de um aneurisma, doença com uma alta mortalidade, um paciente cacerenho protestou ao receber o alta porque tinha estado muitos dias partilhando quarto. O cirurgião que lhe atendeu queixou se da sua atitude em Facebook e a história se fez viral

 

«O problema não é da sanidade, é nosso, e vamos estragá la por ignorantes» -

SIRA RUMBO caceres@extremadura.elperiodico.com CÁCERES
27/02/2019

«O caso é real. É meu», começa a publicação que o cirurgião vascular, Ángel Martínez Monsalve, partilhou faz uns dias no seu muro de Facebook. Era o início duma queixa pelo comentário que fez um dos seus pacientes, ao que salvou a vida, após receber o alta médica. O doente protestou por ter estado ingressado num quarto partilhado. O que o médico pretendia mostrar só entre os seus amigos tem terminado convertendo-se em viral.

Aconteceu no passado 19 de Fevereiro, quando um paciente cacerenho ingressou no hospital Infanta Cristina de Badajoz, onde este especialista trabalha faz seis anos, aqueixado de um aneurisma abdominal quebrado, uma doença com o 100% de mortalidade se não se trata de forma imediata. Chegou em helicóptero, já que os minutos são chaves nesta doença, «a sua vida estava em jogo». Ali, tal como o mesmo cirurgião explica, «tudo o pessoal de Urgências» estava preparado para subi-lo a sala de operações e «em dois minutos de relógio estava pronto para ser intervindo».

Foi operado de urgência por dois cirurgiões vasculares numa sala de operações assistindo por dois anestesistas, dois enfermeiras, um auxiliar treinador de enfermaria e um auxiliar. A operação foi um êxito e após ela passou três dias na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI), onde intensivistas e enfermeiros especializados «continuarão a lutar pela sua vida». Depois esteve uma semana ingressado em planta, «o que requer 21 turnos de enfermaria, auxiliares e ajudantes de enfermaria, para além de um cirurgião pendente 24 horas ao dia esses sete dias».

Custou 676.000 euros

Martínez Monsalve quis detalhar na sua publicação o custo de tudo este tempo no hospital, para justificar a sua queixa: «Se emprega para salvá-lo uma próteses de alta tecnologia que subida 21.000 euros ao todo, usando um arco radiológico e uma mesa especial com um custo de 600.000 euros», ao que temos de somar o tempo em UCI (55.000 euros) e em planta (7.300 euros); ao todo mais de 676.000 euros. Por outro lado, após dar-lhe o alta ao seu paciente recebeu uma queixa que lhe incomodou. «Independentemente da curiosidade económica, o resumem é que o paciente chega morrendo num helicóptero à porta de urgências e sai caminhando pelo seu próprio pé uma semana depois. O seu comentário ao ser dado de alta foi: graças senhores, mas com o que pagamos em impostos é vergonhoso que tenhamos que partilhar quarto com outros doentes».

Surpreendido

O cirurgião ficou perplexo. «Chegou numas condições quase clínicamente de morte e se lhe fez uma intervenção para colocar-lhe uma endopróteses, que é um procedimento mais rápido e efetivo e graças a ele diminui a mortalidade, mas é um tratamento muito caro. Quando lhe dei o alta (ele também lhe operou)  queixou se de que tinha estado muitos dias partilhando quarto com outra pessoa. Não têm que dar-me as graças porque é meu trabalho mas também não merece despedir-se assim», assinala. «Não se me passou pela cabeça dizer-lhe nada nesse momento», recorda. Mas horas depois decidiu partilhar a história em Facebook. «Não contestei, nem o farei no futuro, não vale a pena. O que sim se tenho claro é que o problema principal neste assunto e neste país não o tem a saúde, o temos nós. Vamos a estragá-la  por ignorantes. É o que há. O tempo nos porá em nosso lugar, espero», termina a sua publicação na rede social.

O que num princípio tinha escrito para que o vissem os 200 amigos que tem nesta rede social deu a volta ao mundo.partilhou se  52.000 vezes, tem 42.000 reações e quase 10.000 comentários (recebeu também quase um milhar de comentários privados), e subindo. «Não me esperava uma resposta assim, mas alegro me da repercussão», assinala. A maioria dos comentários partilham a sua opinião: «Parece que as pessoas estão  começando a despertar um pouco. Temos que começar a valorizar mais o que temos», adverte o cirurgião.