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Curiosidades de Isabel a Católica

 

SANTOS BENÍTEZ Cronista oficial de Cáceres
08/05/2019

A reina Isabel “a Católica” visitou a Villa de Cáceres em duas ocasiões: a primeira em 1477 e a segunda em 1479, esta vez acompanhada de seu esposo, Fernando «o Católico», alojando's em ambas ocasiões no palácio dos {Golfines} de Abaixo, situado perto de a Igreja de Santa María. Durante sua estadia deixou várias curiosidades.

Era costume na época que os Reis antes de entrar numa Cidade ou Villa deviam de jurar os forais e privilégios que as regiam. Por isso o 30 de Junho de 1477, a reina Isabel «a Católica» antes de entrar em Cáceres pela Porta Nova (hoje Arco da Estrella), acompanhada de um grande séquito entre o que estava o Cardeal Mendoza e um numeroso grupo de cavalheiros, escudeiros, oficiais e homens bons de Cáceres, jurou sobre/em relação a os Santos Evangelios conservar e defender os forais, privilégios e liberdades da Villa.

Testemunha de isso foi o ensino secundário {Hernando} de Monte quem, ajoelhado diante da Reina lhe apresentou o missal e lhe disse: «jura defender e acatar os forais, privilégios, bons usos e costumes da vila de Cáceres que foram dados por Alfonso IX, rei de León e da Galiza», e dona Isabel, com sua mão direita no livro sagrado, {majestuosamente} lhe respondeu: «sim juro e amém».

A visita fazia parte de um programa de submissão dos senhores à autoridade real. Cáceres era uma vila de {realengo}, segundo o estabelecido no foral outorgado à cidade pelo rei Alfonso IX de León, mas os nobres faziam e desfaziam a seu antojo, o que dava lugar a contínuas confrontações entre os integrantes dum e outro bando, principalmente pelo controlo do governo municipal.

Os Reis tinham enviado um {Corregidor} em 1476 com a ordem/disposição de admoestar aos proprietários das torres existentes na cidade para que eliminassem os elementos ofendidos e defensivos ({arqueras}, {saeteras}, {troneras} e almeias) e reduzissem sua altura à da casa à que pertenciam. Esta última ação é a que se conhece como o «{desmoche}»; mesmo lhes ameaçava com derrubar a torre inteira se persistiam em sua atitude belicosa.

Como não responderam ao requerimento do {corregidor}, a Reina lhes fez jurar que acatariam e cumpririam essas normas, mudando deste modo a fisionomia arquitetónica da Villa. Dito juramento foi realizado por 96 cavalheiros e escudeiros.

{Asímismo}, promulgou as ordenanças municipais que estabeleciam a forma de provisão dos cargos da organização política do concelho {cacerense}, doze regedores, sorteando'ls por metade entre os integrantes dos dois bandos («os de em cima» e «os de abaixo») declarando-os vitalícios e perpétuos. No {linaje} de abaixo estavam fundamentalmente os cavalheiros leoneses e no de em cima os castelhano-leoneses, galegos, {astures}, etc. Se sortearam além disso os cargos de escrivão do concelho, solicitador do concelho, quatro fiéis, um solicitador do comum, etc.

{Dª} Isabel, em seus bocados de lazer, gostava de passear pelos arredores da Villa, sobretudo pelas hortas que tinha na Ribera del Marco. Um dos dias encontrou-se com um hortelão trabalhando a terra e o camponês, sem saber quem era, lhe deu uma maçã. A Reina perante o grande detalhe do lavrador lhe disse que era a Reina e que lhe outorgava o favor de pedirle qualquer coisa que desejasse.

O camponês lhe respondeu que o único que desejava era ter água para poder/conseguir regar o horto. E assim se o concedeu, desde esse momento e para o futuro, teria o privilégio de que as terras fossem regadas e ainda hoje se mantém esta graça; por isso é conhecida como a «{Huerta} da Mercê». (Continuará....).