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Cáceres tem que respeitar a seus mortos

 

MIGUEL ÁNGEL SFlbMuñoz
15/02/2020

Antonio trabalhava num campo-santo de América Latina. À revesta ‘{Vice}’ lhe explicava: «Eu me encomenda básicamente de sepultar à maioria dos corpos que chegam a este cemitério, é um estreitamente de muita responsabilidade porque tenho os restos de familiares de toda a cidade em minhas mãos, e por isso os trato como se fossem meus. Não suporto exumar aos cadáveres. Às vezes estão cheios de água e o cheiro é impossível de suportar. Em minha casa, quando {llego} de trabalhar, minha mulher me incomoda dizendo: ‘Chegou a morte’ porque diz que sempre {huelo} a morto».

De pequeno, Jesús Pérez quis ser médico/ doutor. Como os seus pais não tinham meios para pagar-lhe a corrida/curso, nessa altura se dedicou a cuidar pessoas, mas quando já tinha falecido. É bonito, e justo, mimar aos mortos. Eles fazem parte do dormido relato de mais de dois séculos da história de Cáceres de extraordinária beleza, que começaram no ano 1843 quando se inaugurou o bonito campo-santo da nossa cidade.

Panteões, {mausoleos}, {nichos} e campas, algumas sem nome nem lembrança, porque mesmo na hora de morrer não somos todos iguais. No chão, os pobres; nos {nichos}, a classe média/meia-alta; em panteões e {mausoleos}, as famílias mais endinheiradas.

Aqui estão os marqueses de Castro-Serna; aquela adolescente de 15 anos morta durante o bombardeamento de 1937; Juana Elguezabal Leguinazabal, promotora do teatro Variedades, que albergou o primeiro {cinematógrafo} de Cáceres e acolheu comícios políticos, ou Juan Durán de Figueroa e Isabel Vaca; fundadores do convento da Concepción, que foram os primeiros cacerenhos em ser enterrados neste espaço cheio de milhões de energias e cuja lápida ainda se conserva a escassos metros da bilhete. Se teus passos são curiosos te levarão, inevitavelmente, ao ‘{limbo}’,  

onde repousam os meninos recém-nascidos e que não chegaram a ver a luz mais de um dia.

No entanto, está passando em Cáceres, desde há anos, que a Câmara Municipal não cuida como deve o campo-santo. Sempre digo que desde que {Pope}, Joaquín Rumbo e Miguel López deixaram de ser vereadores de Obras isto vai a encosta abaixo e sem travões. Faz uns dias {leí} um escrito/documento da cacerenha Guadalupe Domínguez Muñoz que me impactou. Dizia isto: «Ontem {enterramos} a minha sogra e, para além do momento tristíssimo que supõe, quando nos levaram ao lugar onde se depositou o ataúde, era a zona mais antiga do cemitério. Nos levamos esta desagradável impressão: paredes descascadas, degraus quebrados... pior que numa filme de terror. Depois de/após informar-nos de que tudo dependia da Câmara Municipal, esta manhã nos temos apresentado no mesmo para falar com o vereador de revezo. Não nos tem podido receber/acolher. ¡Viva essa campanha de proximidade! Que podia ser verdade, mas nos podia pegar/apanhar nota e receber/acolher-nos noutro momento. Bom, meu pobre sogro, para além de sua perda, quase se desmaia ao ver o lugar onde se depositam os restos de sua mulher depois de/após 63 anos juntos. Por favor, que também não é tão difícil arrumar isto nem subida tanto/golo dinheiro».

Eu, sinceramente, não sei se subida mais ou menos arranjar o cemitério. Mas acredito/acho que há prioridades que devem estar à frente de qualquer outra coisa. Sempre {tendemos} a pensar que o nosso é o mais importante e que os políticos utilizam o dinheiro (nosso dinheiro) em coisas que em ocasiões podem esperar.

A mim me parece muito bem tudo o assunto da {procesionaria} (têm limpado mais de 200 árvores na cidade, com uma média/meia de quinze ninhos em cada um), e tudo o de pintar a sinalização do ciclovia (que por certo tem tardado em apagar-se dois dias) e o de pôr em ativo a fonte da praça/vaga Maior/velho. Que todas estas medidas são estupendas, mas o que me parece uma verdadeira vergonha é que o cemitério da cidade se encontre em tão penosas condições e que, além disso, isso tenha provocado uma briga de {gallitos} entre os vereadores do PSOE e do PP. Em lugar de atirar-se os tralha à cabeça, deveriam atuar e fazer algo no campo-santo, porque essas imagens difundidas por Guadalupe Domínguez são diretamente inadmissíveis.

A viagem

Eu lhes convidaria a estes vereadores da Câmara Municipal que nos governam a que se dêem um passeio pelos cemitérios mais bonitos do mundo. {Comencemos}: O de {Chiclana} da Fronteira, em Cádiz, tem 42 hectares e espantam seus enterramentos em pradarias, ao mais estilo tradicional estado-unidense. Lhe segue/continua o de Aspas, em Cantabria, de arquitetura contemporânea e linhas retas revestidas de materiais que nascem da mesma terra. A ele se acrescenta o cemitério de O {Masnou}, em Barcelona, um autêntico museu ao ar livre desenhado em 1860 pelo arquiteto municipal {Miquel} {Garriga} i Penhasco,

O pequeno e recolhido cemitério de {Fuentespalda}, em {Teruel}, destaca pela recuperação por parte da Câmara Municipal de um magnífico conjunto/clube de esteiras funerárias {discoideas} que presidiram as campas do antigo recinto e que, apesar de ter só/sozinho dois séculos de antiguidade, mantêm a tradição simbólica medieval destas lápidas tão específicas de Aragão.

O cemitério de {Torrero}, em Zaragoza, é o maior de Aragão. Está situado a 280 metros do nível do mar e todas as culturas e religiões são acolhidas para dar sepultura a seus falecidos. E, como não, o cemitério alemão de Cuacos de Yuste, um campo-santo militar localizado nas proximidades do mosteiro da região cacerenha de La Vera no qual estão enterrados muitos dos soldados, aviadores e marinhos alemães da Primeira e Segunda Guerra Mundial que chegaram às costas e terras espanholas devido a naufrágios ou ao demolição de seus aviões.

Agora nos temos inteirado de que as obras de alargamento do cemitério de Cáceres levam dois meses paralisadas e que o antigo se cai a pedaços. {Miremos} a Grécia, a Roma, a nossas antigas civilizações, onde o enterro digno dos defuntos era um dos pilares fundamentais das crenças familiares. Lembrança, faz já muitos anos, à mãe duma jovem de Almendralejo à que tinham assassinado. Diariamente, com seu cama de rede, ia ao campo-santo. Procurava refúgio, explicações à barbárie que lhe tinha arrebatado a sua filha. Quando trata-se de mortos ¿não acreditam que deveríamos ser um pouquinho mais humanos?