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O via-sacra de Telma

A mãe de Anael confia em que a Junta lhes adjudique uma habitação social

 

Na sua casa 8 {Telma} com Álvaro, seu casal/par, seu filho pequeno e Das Heras. - ANDRÉS RODRÍGUEZ

A. M. ROMASANTA
27/02/2019

Anael e os seus irmãos não voltaram a jogar ao parque de a Viña. Outros meninos do ambiente também não se atrevem-. O 4 de Junho do ano passado, Anael, com 13 anos, sofreu uma descarga elétrica numa tenda de alta tensão e ainda se está tratando das sequelas. Aquele dia marcou um antes e um depois para esta família, cuja vida já era complicada no bairro de As Oitocentas, onde ocupa uma habitação.

A mãe, Telma Dá Fonseca, teve a Anael sendo ainda uma menina. Com 27 anos tem cinco filhos, o mais pequeno de ano e meio. Ainda diz que gostaria de ter mais se a sua situação económica se o permitisse. Anael é o maior dos cinco irmãos e ia habitualmente com eles ao parque do Pai Eugenio, como outros meninos da zona. Quando aconteceu a tragédia, a Câmara Municipal anunciou que o arranjaria. Mas salvo a colocação duma chapa na tenda para evitar que alguém possa aceder, não se fez nada mais, segundo Fernando de las Heras, que acompanha a esta família e se faz eco das suas necessidades, agora e quando era vereador de Podemos Recuperar Badajoz (renunciou faz um mês).

Telma perdeu a conta das operações que tem sofrido o seu filho. «Seis ou sete vezes já», comenta. Agora está pendente de novas intervenções de cirurgia plasticidade para suavizar as suas cicatrizes. Em Março voltará ao hospital de La Paz em Madrid para ser operado da garganta e os pés, onde sofreu queimaduras. Anael vai ao instituto  São José e sai com os seus amigos, «mas quando está em casa eu vejo que está triste, já não se faz fotos da face como antes». Também não  superou emocionalmente o que lhe ocorreu, nem os seus irmãos, que estavam com ele. «Jaime não quer dormir junto a um tomada porque lhe dá medo», conta a mãe.

Os últimos meses foram «uma corrida de obstáculos, um após outro» para Telma, segundo Das Heras. Quando a família estava em Madrid para que operassem a Anael pela primeira vez, o banco proprietário da habitação que ocupam desde há um ano na rua Guadiana, tentou murar-la aproveitando que não tinha ninguém. Os vizinhos o impediram. «O pouco que tenho está nesta casa e se a tivessem murado nos ficam sem nada e na rua»,  lamenta se Telma. Decidiram entrar nesta habitação porque era insustentável continuar partilhando a de os seus pais em A Luneta, onde também estava a sua irmã com o seu casal e seus três filhos. Quando viajam a Madrid com Anael, o resto dos seus meninos ficam com os seus sogros e outros familiares. A casa que ocupam não reúne as melhores condições, apesar dos arranjos que eles fizeram. Durante um tempo a água saía pelo chão do banho e a cozinha devido a um entupimento. O arranjaram mas há humidade.

Outro frente aberto encontraram nos tribunais com o advogado de ofício. A denúncia que interpôs o cunhado de Telma para determinar a responsabilidade do acidente  arquivou se em pouco tempo, segundo conta Das Heras. A jovem assegura que antes de que acontecesse já tinham avisado do mau estado em que se encontrava a tenda do parque, onde não existia uma chapa que impedisse o acesso, «mas até que não passam as coisas não têm vindo a pô-la, e não é a adequada». A família conseguiu depois um advogado para que se ocupasse do despejo, que não tem seguido adiante. Superado este obstáculo surgiu o da habitação social solicitada à Junta. Telma conta que a pediu faz 13 anos e insistiu quando Anael teve o acidente. A Junta lhe concedeu uma em Os Colorines, mas era um terceiro apartamento e o seu filho não podia subir escadas. Houve outro oferecimento que também não se adequava às necessidades da família. Finalmente, na reunião que mantiveram faz duas semanas com a secretária geral de Habitação, Maribel Moreno, esta comprometeu-se a atribuirle uma que se adapte a sua situação.

Das Heras confia plenamente em que este compromisso se cumpra. «Acredito que este obstáculo duma habitação adequada está salvo», aponta. O único filho que já sabe que vão a mudar-se a uma casa melhor é Anael «e está muito contente», segundo a sua mãe, mas os demais ainda não, «porque lhes quero dar a surpresa». Telma está iludida com esta porta que se abre, pela que entra algo de luz. Do que ocorreu-lhe a Anael será difícil que passem página. Quando Telma vai com os seus filhos a casa da avó têm que dar um rodeio para evitar passar pelo parque de La Viña, ao que se negam a voltar.