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{Isabella} {Stewart} {Gardner}

 

ROSALÍA Perera
23/10/2019

{Isabella} poderia ter-se chamado {Allegra}. Um desses bonitos nomes italianos tão cheios de faísca como um gelado de limão. Às portas do {Palazzo} {Barbaro}, a pintou {Anders} {Zorn}, com seu vestido branco, um longo/comprido colar e os olhos acesos que tanto/golo {perturbaban} à sociedade vitoriana. É a imagem do vêem. A convite. O dança interrompido para dizer passa. Avança desde o tela segurando-se no vão da porta para não {tambalearse}, bêbeda de beleza. Nunca completamente imune ao síndrome de {Stendhal}, explorou Europa e Oriente e Ásia, percorrendo's e descobrindo's. Insólita. Inquieta. Curiosa. Voraz. A mulher do retrato é um {mascarón} de proa que se contém para não escapar, e quebrar as águas e chegar a portos distantes. Gostava de a {compañia} dos artistas, ver, tocar, provar, aprender. Viajar, viajar. Lendo a {Dante} se lhe despertou o afã de busca, e percorreu Itália e suas livrarias, bibliotecas, oficinas, estudos, igrejas. E já não pôde parar. Tomava o chá no número 152 da rua {Beacon}, dando uma vista de olhos livros de botânico e imaginando um jardim frondoso, um lar para os lírios de {Botticelli} e a cor-de-rosa de {Filippo} {Lippi}. Passeava sem distraer o olhar, concentrada em encontrar {retazos} de beleza nalgum ponto do trajeto. Quando visitava a igreja do {Adviento}, ao pé da colina, a música a levava longe onde o sol brilhava e a cor se derramava desde as telas, as cerâmicas, os frescos, aquecendo sua face, suas mãos, sua alma, tão {desangelada} como aquele Boston de final de século. Por isso se trouxe tudo o que pôde consigo. Se propôs levar a seus compatriotas um pedaço de esplendor de outro tempo, que {alumbrara} em metade da nevoeiro. Seu casa foi enchendo's de Veneza e do azul ultramar, carmim, púrpuras, verde {Verona}, amarelo de Nápoles...e de pintores, de escultores, de viajantes. Nunca mais foi só/sozinho sua. Mas um museu com jardim, um reduto de arte inspirada, transbordante, que não só/sozinho chegou de outros países mas te transporta de volta a eles. Agora se percorre imaginando que abre suas salas e alguém toca o piano e há risos e passos de danças apressados para esconder-se, que {Sargent} deixa sobre/em relação a a mesa uma taça de vinho, sorri, baixo/sob/debaixo de o bigode e a admira, de longe, enquanto ela nos explica como encontrou o primeiro {Vermeer}. E se detém perante os quadros/Marcos, viúvos. Muda perante as marcas que deixaram os quadros roubados. As cortinas pesadas apenas deixam passar algo do dia, húmido. Não há visitantes, nem chega ruído da rua, nem o rumor das fontes do pátio. Quase nem se intui a {Rembrandt}. Juntos, se nos perde o olhar, fixa na ausência.