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El Periódico Extremadura | Domingo, 18 de agosto de 2019

Umas 400 casais do mesmo sexo se têm casado na região desde 2005

A comunidade {LGTBI} valoriza este registo como «um conquista histórica» e chama a não baixar a guarda. Em geral, contraem casal na Extremadura mais casais de mulheres que de homens

MARIAN ROSADO
21/07/2019

 

E n Julho de 2005, Espanha tornou-se no quarto país do mundo em aprovar o casal entre pessoas do mesmo sexo. Lhe tinham precedido os Países Baixos em 2001, Bélgica em 2003 e {Canadá} em 2005. Hoy assumido com naturalidade, no momento foi um marco marcado pela polémica, com multitudinárias manifestações a favor e contra do casal homossexual.

Com ocasião do 14º aniversário de sua aprovação pelas Cortes Generales, este jornal faz uma radiografia do casal igualitário na região e fala com ativistas e casais homossexuais extremenhas que têm podido formar um lar graças a esta norma.

A lei que permitia as casamentos {gais} em Espanha contou com 187 votos a favor, 147 contra e quatro abstenções no Congresso dos Deputados. Pouco/bocado depois, o Partido Popular a recorreu perante o Tribunal Constitucional, mas o recurso foi rejeitado em 2012 por oito votos a favor, três contra e uma abstenção.

Nestes 14 anos o número de ligações entre pessoas do mesmo sexo tem crescido {exponencialmente} na Extremadura: dos 11 celebrados em 2005, o ano de aprovação da lei, aos 56 selados em 2017, último ano do qual o Instituto/liceu Nacional de Estatística tem registo.

Este último ano 2017 foi o ano com o maior número de casamentos celebrados, seguido/continuado por 2012, quando se celebraram 50.

Também chama a atenção que são mais as casamentos celebrados entre mulheres que entre homens, ao contrário de a tendência nacional. Assim, na Extremadura, pelo menos 213 casais de lesbianas contraíram núpcias -155 em Badajoz e 58 em Cáceres- face aos 197 casais entre casais de homens -134 em Badajoz e 63 em Cáceres-.

No conjunto/clube de Espanha, são 25.816 as casais masculinos que têm contraído casal, em contraste com as 18.464 casais de mulheres.

Voltando à região, por províncias, se celebraram mais ligações homossexuais na de Badajoz (289) que na de Cáceres (121).

«As mudanças foram espetaculares», afirma Silvia Tostado, presidenta da Fundação Triângulo Extremadura. Tostado qualifica a Lei 13/2005 que reformava o Código Civil como «motor de mudança social».

Para Tostado «as portas dos armários abriram-se de par em par». Tal como explica, a lei fez que «um tema que não estava {visibilizado}, se pusesse sobre/em relação a a mesa».

«Foi histórico, é algo que não nos {imaginábamos} nunca», assegura Tostado.

Falam as casais

E nem em sonhos se o poderiam ter imaginado {Encarnita} Quinta e {Paulina} Blanco, apaixonadas desde 1972.

Este casal/par se conheceu na localidade de Zorita, numa época na qual nem sequer tinha modo de pôr nome ao que nasceu entre elas.

«Um clarão». Assim o denomina {Paulina}, natural de El Torno, no Valle del Jerte, quem relembra como conheceu a {Encarnita} ao ser destinada como professora à localidade de Badajoz.

«Eu ia todos os domingos a chamar a minha família, porque naquela época não todas as casas tinham telefone, e {Encarnita} era telefonista», conta {Paulina}.

Além disso, acontece que viviam na mesma rua, «quase uma em frente da outra». Assim nasceu uma amizade que desembocaria em algo mais: «{Nosotras} {quedábamos} com o mesmo grupo de amigas, mas nos fomos dando conta de que nos gostava estar sós. O problema é que naquela época não tínhamos nenhum referente, mas sim estava esse clarão», relembra {Paulina}.

Com 23 e 21 anos respetivamente viveram seu primeiro rejeição por parte da chefe de {Encarnita}, quem falou com a família de esta ao ver como {Paulina} a recolhia todas as noites ao voltar da escola: «{Nosotras} sabiamos que o nosso não era uma relação ao uso, éramos uma raridade», detalha.

Por isso, recorda esse época como de «absoluta solidão. Sempre tínhamos o temor a que nos descobrissem, mentindo e vivendo às escondidas», lamenta.

Mas a história tem final feliz. Onze anos depois, «após muitas rotas», ambas se mudaram a Barcelona, onde iniciaram uma vida em comum, embora não seria até ao anúncio da lei quando a casal/par sairia definitivamente do armário.

«As duas somos católicas e praticantes e {formábamos} parte de um grupo paroquial. As pessoas muitas vezes nos perguntava se éramos irmãs, {nosotras} passávamos por gratificações. Até que quando se anunciou a lei, em 2004, em nosso grupo de {catequesis}, o {jesuíta}, porque era uma paróquia {jesuíta}, propôs um debate sobre/em relação a o casal homossexual. Nessa altura fizemos um trabalho e o {defendíamos} no grupo. Vinho um sobrinho do {jesuíta} que é parte da federação de {gais} católicos de Catalunha e esse foi o empurre definitivo para {nosotras}», recorda {Paulina}.

Assim as coisas, {Paulina} e {Encarnita} contraíram casal nada mais aprovar-se a lei, em 2005. E naturalmente, o religioso {jesuíta} foi ao ligação.

«Para {nosotras} foi uma mudança muito grande. Passámos de ser associais, doentes e {pecadoras} a ter nossos direitos restituídos», afirma {Paulina}. Mas avisa: «As pessoas jovem tem que estar alerta. Os direitos nunca são para sempre se não se defendem».

A história desta veterano casal/par contrasta totalmente com a de Álvaro Peraita e Javier Barroso, que contraíram casal faz apenas dois meses em Cáceres.

Para a casal/par, que já tem uma relação de mais de oito anos juntos e uma filha em comum, seu casamento foi uma maneira de selar e celebrar seu amor: «A mim me apetecia ter um casamento tradicional, fazer um dia de celebração porque nos queremos, com nossa família e amigos», conta Peraita.

Ele estava na universidade quando se aprovou a lei do casal homossexual: «Embora tivesse movimentos contra, vendo a evolução da sociedade, eu tinha claro que ia a aprovar sim ou sim. Todos sabiamos que ia a sair adiante», relembra.

Peraita e seu casal/par levaram sempre sua relação com total normalidade: «É verdade que quando sais do armário, quando {eres} visível, as pessoas se curta na hora de fazer certos comentários {hirientes} em minha presença ou a de meu pessoas», assegura Peraita.

Mesma aceitação encontraram {Bea} Giestal e Teresa Santos, aqueles que têm previsto casar o próximo 24 de Agosto no Palácio da Ilha de Cáceres.

A casal/par sela assim sete anos de relação que têm vivido com «total normalidade, como qualquer casal/par heterosexual».

Giestal recorda que a aprovação do casal homossexual foi um «conquista conseguida por muitas pessoas que lutaram antes que {nosotras}».

«Nesse momento eu não sabia se me ia a casar, mas foi dar-nos o direito. Antes éramos pessoas de segunda classe», afirma.

Agora, o casal supõe para elas o assegurar uma série de direitos como casal/par. Quanto a formar uma família, ainda não se apresentam ter filhos: «Por enquanto, estamos contentes de ser tias», ri.

¿Direito adquirido?

Mas estas dois casais jovens não perdem de vista o auge da extrema direita e outros movimentos que poderiam pôr em perigo seus direitos.

«Há um auge mundial de um movimento {anti}-direitos. ¿Que se pode voltar para atrás? Sim. Saímos há/faz pouco duma ditadura. Por isso temos de lutar cada dia», afirma Giestal.

«Este tipo de movimentos estão surgindo a nível mundial. Eu tentativa não ter medo. Não seria tanto/golo que desaparecesse o casal e {perdiéramos} esse vínculo legal se não o caso de minha filha, com a que não temos vínculo biológico -é adotada-», conta Peraita.

«Felizmente não é a linha geral, é um perigo que existe e que temos que lutar», acrescenta.

Mesma opinião se dá desde a Fundação Triângulo: «¿Que há perigos? Claro que há perigos. Diariamente nos o dizem desde a extrema direita. Os direitos igual se ganham que se perdem», diz Silvia Tostado, quem recorda que os direitos para as pessoas {LGTBI} são «direitos humanos» e os direitos humanos «não são objeto de opinião».

Hoje, até 26 países reconhecem o direito ao casal para casais homossexuais, enquanto outros 15 permitem as uniões civis entre pessoas do mesmo sexo.

Na classificação anual sobre/em relação a direitos {LGTBI} publicada por {ILGA}-{Europe}, associação internacional de referência para o coletivo, Espanha tem recuado em tão só oito anos do segundo posto ao 11º.

Ainda assim, o país se classifica como o mais tolerante na Europa quanto ao casal homossexual, somente rejeitado por um 7% da população, segundo o {Pew} {Research} {Center}.

Dívida pendente

Mas tal como recordam {Encarnita} e {Paulina}, ao país ainda lhe ficam algumas dívidas pendentes que resolver com o coletivo. Por isso, agora trabalham com a {Fundació} {Enllaç}, dedicada a proteger a maiores/ancianidade {LGTBI} contra a discriminação e a desproteção.

«Nossa preocupação é que nos vamos a encontrar amanhã se {entramos} num centro de maiores/ancianidade. Nossa geração foi educada na {heteronormatividad} e a homofobia», assinala {Paulina}.

Lhe preocupa que na atualidade falte esse empurre que fez possível a aprovação do casal igualitário em 2005.

Por isso, {Paulina} chama a pôr «recursos económicos, recursos humanos e vontade política» para garantir a proteção hoje daqueles que tiveram que sofrer discriminação durante boa parte de suas vidas.

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