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El Periódico Extremadura | Domingo, 8 de dezembro de 2019

«Quando me disseram que tinha VIH quis {suicidarme}. Acreditava que me ia a morrer»

Faz 13 anos soube que estava infetado e na fase mais avançada do Sida. De seus medos iniciais, ao presente: «Durmo. Me sinto bem»

R. CANTERO
01/12/2019

 

David se inteirou faz 13 anos de que tem VIH e tem desenvolvida Sida. Foi depois de/após que um dia caísse no chão enquanto atendia seu posto de venda ambulante com o que se passeava por feiras e feiras. Uma ambulância o transferiu ao hospital e ali as provas concluíram que era seropositivo e que o desmaio se tinha produzido pelo avanço descontrolado da infeção em seu organismo.

Esse diagnóstico ligou com outros de {meningitis}, hepatite ou pneumonia, que se {cebaban} com um sistema imune arrasado nesse momento pelo VIH. E com o medo. Porque em nenhum momento David se apresentou que se tinha contagiado de VIH (siglas com as que se conhece o síndrome de {inmunodefinciencia} adquirida), um retrovírus que ataca ao sistema imunitário da pessoa infetada e destrói os {linfocitos} {CD4}, os que fabricam os anticorpos que combatem as agressões de vírus, bactérias e fungos. E menos ainda se lhe tinha passado pela cabeça que a infeção tinha chegado à fase mais avançada, o Sida (síndrome de imunodeficiência adquirida) quando o sistema imune está muito diminuído e começam a proliferar outras doenças. E sentiu muito medo.

Ainda hoje não sabe como se infetou nem se foi ele ou sua ex-mulher (que também deu positivo) quem contraiu primeiro a doença e a transmitiu ao outro, mas seu caso encaixa com as estatísticas que evidenciam que na maioria dos casos o vírus se transmite por meio de pessoas que desconhecem que têm a doença (não se contagia como um catarro, se transmite, porque é necessário que exista contacto de fluidos para que o vírus passe de um organismo a outro). Em todo o caso, faz tempo que deixou de dar-lhe voltas a como passou. Após o quebra inicial, o tratamento começou a fazer efeito, pegou forças e o medo se diluiu.

«Quando me disseram que tinha VIH quis {suicidarme} porque pensava que me ia a morrer», explica David com serenidade. O tentou no mesmo centro médico no qual estava ingressado e tiveram que tomar medidas para reterle durante o mês e meio que permaneceu ingressado. «Lembrança que estava violento», reconhece.

«quase não o penso...»/E frente a toda essa agitação: «Agora não {noto} nada. Como bem, durmo bem, tenho engordado e me encontro bem. Quase não penso em que tenho Sida», diz. David não é seu nome real para preservar sua identidade do estigma, que continua existindo e no qual incide o {hastag} escolhido neste ano para a comemoração, hoje 1 de Dezembro, do Dia Mundial da luta contra o Sida: #{estigmacero}.

Há muitas coisas que mudaram nos mais de 30 anos que passaram desde que de pôs nome a um doença com uma elevada mortalidade e que nessa altura parecia afetar especialmente a homossexuais e toxicómanos. O estigma persiste, por isso muitos doentes o ocultam e se ocultam. «Em cidades grandes não passa tanto/golo, mas isto é pequeno e há temor a ver-se assinalados», reconhecem no Comité Antisida da Extremadura ({CAEX}).

E o certo é que o tratamento da infeção por VIH e do Sida tem avançado a grande velocidade; com o achado de fármacos efetivos que permitem deter seu avanço e o risco de transmissão: com uma pilula ao dia se reduzem os efeitos do vírus até um ponto no qual praticamente se anula e também não se pode transmitir na maioria dos casos.

No entanto a revolução social não levou a mesma trajetória e agora a perceção do VIH e o Sida oscila entre o medo que segue/continua despertando nas gerações mais maduras (as que viveram o surto da infeção e seus efeitos mortais nesses primeiros anos) e as gerações mais jovens, que conhecem a infeção por VIH como se vive agora: uma doença crónica que, permite aos doentes usufruir de qualidade de vida.

David, é um exemplo disso, embora o diagnóstico inicial fora demolidor. Porque quando chegou tinha 50 anos e portanto tinha vivido esses primeiros anos do VIH. Conhecia os efeitos e ao ouvir a palavra ‘Sida’, a associou à referência que tinha da doença: a morte. Também estavam nessa faixa etária em seu ambiente mais próximo de familiares e amigos, que começaram a evitar o contacto com ele. Mesmo quando seus níveis de VIH já eram {indetectables} com a medicação e não o podia transmitir. «Se partilhávamos um cigarro, a partir desse momento não queriam fazê-lo», recorda.

No fim, como não tinha família na Extremadura e o mão-cheia de amigos foi afastando, acabou só/sozinho. Até que encharcou numa das habitações/casas/vivendas tuteladas que tem o Comité Antisida da Extremadura ({CAEX}) em Cáceres, onde convive com outras pessoas em situação vulnerável que também têm VIH.

{rECHAZO}/ «O medo é a reação normal/simples quando chega uma doença que causa morte. E as pessoas que viveram esses primeiros anos do Sida, nos que o que tinha era medo e morte, mantêm essa perceção», reconhece Santiago Pérez, presidente do {CAEX}. Daí a rejeição que manifestam até as pessoas com VIH. E aí reside também o medo das pessoas infetadas à {marginación}, a perder sua vida social e laboral.

Frente a essa atitude, está a da pessoas mais jovem. E começa a preocupar. Porque têm crescido com a doença sob controlo nos países desenvolvidos e rodeados duns mensagens mais positivas que procuravam destacar os avanços no tratamento. E a consequência de tudo isso é que se está descendo a guarda.

«Há muitos jovens nos que não há nenhuma perceção de risco. Parece que a infeção não é um problema, dado que há um tratamento que não cura mas palia as consequências do VIH até ao ponto em que não se transmite. Ficam com a ideia de que o risco é baixo/sob/debaixo de» sublinha Pérez. O risco de contrair VIH é baixo/sob/debaixo de se o doente está bem tratado, mas o risco existe, por exemplo, por via sexual (o mais habitual).

A preocupação agora não é que os jovens lhe tenham perdido «o medo» à doença. «É que lhe perderam o respeito», diz Pérez. Também nalguns coletivos considerados ‘de risco’, como os homens que mantêm relações homossexuais.

Nas dois perceções antagônicas que convivem atuam como caldo de cultura a falta de informação, os tabus e os mitos em torno do VIH. «Deveria existir uma cadeira de educação para a saúde na qual se possa abordar esta e outras doenças, de forma adequada e adaptando as mensagens às idades», sublinha Pérez. Aponta a que dessa forma se poderia atuar sobre/em relação a a principal via de contágio e a principal causa: praticar sexo sem proteção. Porque os dados indicam que o perfil mais comum dos novos contágios é o de um homem menor de 30 anos, que tem contraído o VIH por via sexual por não utilizar/empregar preservativo.

19 CASOS/ Se estima que cada ano se detetam em média 43 casos na região, embora o registo de 2018 atira um volume excecionalmente baixo/sob/debaixo de, 19. «Nos surpreende, mas terá que esperar para ver se é algo excecional ou se há uma mudança de tendência», diz Santiago Pérez. Porque essa cifra supõe menos da metade dos casos novos de 2017 (42) e quebra a tendência em alta dos últimos cinco anos. Em 2014 e 2015 se detetaram 36 casos, teve 37 em 2016 e 42 em 2017.

O que não tem variado são o volume de provas de diagnóstico. No 2018 se praticaram 50.152, análise, segundo os dados da Subdireção de {Epidemiología} do SES. Nessa cifra se integram tanto/golo as provas no SES, a maioria (47.500), como a prova rápida do {CAEX} (1.380) e as de laboratórios privados (1.272).

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