+
Accede a tu cuenta

 

O accede con tus datos de Usuario El Periódico Extremadura:

Recordarme

Puedes recuperar tu contraseña o registrarte

 
 
 

Espanha se {blinda}

Sánchez aprova hoy um decreto de medidas face ao coronavirus que limitará os deslocações. Para além das restrições, que durarão um mínimo de 15 dias, se mobilizará às Forças Armadas

 

Aspeto que apresentava a madrilena Porta do Sol na hora de ponta de ontem. - DAVID CASTRO

I. MÁRMOL / J. R. SIERRA
14/03/2020

España viverá os próximos 15 dias baixo/sob/debaixo de as restrições do estado de alarma para travar o vertiginoso avanço duma pandemia cujo epicentro começa a varrer Europa. Que limitações concretas acarretará essa norma é algo que não far-se-á oficial até que o Conselho de Ministros valide hoy o decreto, embora sem lugar a dúvidas serão drásticas. Uma delas, que o Governo ultima, é o fecho de tudo o espaço aéreo e dos portos.

Para além de restrições contundentes à mobilidade, se esperam medidas diretas para o aprovisionamento de material sanitário e mobilização das Forças Armadas. La Moncloa chegou à conclusão de que estamos ainda numa fase inicial e que os contágios aumentarão de forma exponencial nos próximos dias. Por enquanto, ontem pareceu amanhecer um país diferente: o salto nos contágios (1.000 mais que no dia anterior) fez {aflorar} o melhor e o pior duma sociedade em {shock}: enquanto uma rede de solidariedade espontânea levava comida/almoço a casa dos anciãos, milhares de cidadãos saíam de Madrid se calhar guiados pelo medo.

O ANÚNCIO / O Governo vinha ponderando declarar o estado de alarma durante toda a semana. Embora não o tinha anunciado, as notas informativas estavam sobre/em relação a a mesa e a equipa do presidente tinha avançando o estreitamente por se finalmente tinha que tomar a decisão. Os dados de contágio de sexta-feira e as perspectivas dos peritos científicos/cientistas foram {inapelables}. A conferência de imprensa que deviam dar o ministro de Saúde, Salvador {Illa}, e o diretor do Centro de Coordenação de Alertas e Emergências Sanitárias, Fernando Simón, se cancelou. La Moncloa anunciou uma declaração institucional do presidente. Não tinha mais dúvidas. Ia a declarar o estado de alarma. Passadas as três, Pedro Sánchez compareceu para confirmar que hoy às dez e média/meia o Conselho de Ministros aprovará o decreto. Como é precetivo, transferiu esta informação às presidentes do Congresso e o Senado, {Meritxell} {Batet} e Rosa Lluch.

Para nessa altura, o clima social e político tinha mudado. Nas ruas, os restaurantes e os bares viram-se obrigados a fechar. Um {goteo} constante de empresas começou a anunciar processos de redução temporal de emprego ({ERTE}). Os parques infantis ficaram selados. Algumas cidades, desertas, pareciam de série {distópica}.

Na areia política, a voz de aqueles que empurravam ao Governo a tomar medidas mais contundentes soava cada vez com mais força. Vox e Cs pediram a declaração da alarma. Os de Santiago Abascal desde/a partir de a crítica frontal a Sánchez; os de {Inés} Encostadas, oferecendo sua colaboração para «recuperar o tempo perdido». Pablo Casado foi muito crítico. Embora na quinta-feira não pediu que se decretasse o estado de alarma e mostrou-se favorável a aplicar a lei de segurança nacional, depois de/após ouvir a Sánchez, o líder do PP saiu ontem direto a confrontar. Acusou ao presidente de cometer «graves negligências» e de ir «a reboque dos acontecimentos», informa Pilar Santos.

OS MOTIVOS / No Governo defendem que as medidas foram sempre baseadas em evidências cientistas. Os socialistas entendem que não teve motivos técnicos, por exemplo, para ter anulado as manifestações do 8-M, mas sabem que a oposição/concurso público, passado o pior da crise, lhes exigirá responsabilidades por isso. Agora, acreditam, a margem de crítica é mais estreito, porque em casos de catástrofe a cidadania premeia a unidade.

Por enquanto, a mesa de diálogo entre Governo e Generalitat fica suspendida. O chefe do Executivo reunir-se-á por {videconferencia} hoy à tarde com os presidentes autonómicos para avaliar a situação e informar-lhes, embora ontem já teve contactos telefónicos.

E se a política se mede em tempos de crise, também a sociedade. A declaração de Sánchez anunciando o estado de alarma despertou reações contraocasos. Ciudadanos anónimos se organizaram em redes de solidariedade para ajudar aos mais débeis: pessoas sem lar e maiores/ancianidade com dificuldades de mobilidade. Lhes fizeram a compra. Lhes deixaram à porta de casa o que necessitassem. Lhes ajudaram enquanto puderam.

E no entanto, o anúncio do presidente, que surpreendeu mesmo em suas próprias filas ao não concretizar as medidas a tomar e deixar a declaração de alarma para o dia seguinte, também desatou o nervosismo. Madrid registou uma grande saída de pessoas que decidiram ir-se embora da capital, primeiro foco de contágio em España, contravindo todas as recomendações das autoridades. As estradas até Andaluzia, a Comunidade Valenciana e Múrcia foram as mais concorridas. A princípios de semana já se tinham ido, também, boa parte dos estudantes universitários a suas cidades de origem, como se estivessem de férias e sem medir o potencial contágio que isto implica.

A MOBILIDADE / Essa circulação/trânsito não será possíveis a partir de hoy se o Governo inclui no decreto de alarma uma restrição à mobilidade, como tudo aponta que fará. Sánchez não confirmou em que zonas poderia acontecer, mas sim avançou que esta medida implicará a mobilização de recursos económicos e sanitários, públicos e privados, civis e militares, para travar a crise «com a máxima contundência».

Esta medida supõe {cercernar} algumas liberdades recolhidas na Constituição. O artigo 116 da Carta Magna e a lei orgânica dos estados de alarma, exceção e sítio permitem que perante catástrofes naturais ou crise sanitárias o Executivo possa restringir a circulação/trânsito ou manutenção de pessoas em determinadas áreas; praticar expropriações de todo o tipo de bens; intervir e ocupar empresas; racionar o uso de serviços públicos ou consumo de artigos; e tomar medidas para garantir o abastecimento. España entra na dimensão desconhecida.